Tava lendo uns livros sobre tipografia & design, e pensando em todas as pessoas que curtem tipografia, em todas que buscam literatura a respeito de tipografia, e portfolios de designers de tipografia, e todo essa admiração à tipografia relacionada ao design ou até à publicidade.
Vocês não manjam muito de quadrinhos, né, cretinos?
Para aqueles que não conhecem Tuane Eggers, eis um currículo improvisado de seu trabalho como eu o conheço:
Ela começou a fotografar por conta própria há algum tempo. Com não mais de 17 anos, até onde lembro. Suas fotografias se tornaram parte do filme internacionalmente aclamado “Os Famosos e os Duendes da Morte”, a história de um jovem fã de Bob Dylan preso entre dois mundos, tentando decidir se fica ou se vai.
Seu trabalho freqüentemente consite de uma visão íntima [próxima] da natureza em que a vida é vista em sua totalidade: criaturas animadas e vida inanimada interagem e são belamente capturados pelos olhos únicos de Tuane.
Acho que ainda não disse o bastante ou que não fui totalmente justo, então aqui vai: há mágica nela. Você pode ver em sua fotografia, pode capturá-la através dos olhos dela, pode senti-la porque ela a canaliza. Essa mágica é sobre amor, sobre compartilhamento, é sobre comunicar, expressar algo que existe bem fundo dentro de cada um e de todos nós. Eu acredito em mágica. Afinal, eu a vi sem os meus próprios olhos.
Passo por uma dupla de ternos. Outra e indivíduo, um casal; vários. Evento imobiliário, Há uma horda deles. Nunca vi tantos rostos assassinos; há maldase em seus olhos.
Estou no banheiro. Um deles está à torneira lavando as mãos. Sem usar as minhas, coloco o pau pra fora. Relaxo. Deixo o líqido jorrar e livro-me das últimas gotas com três moções de corpo.
Caminho direto à porta, onde vejo outro deles entrando. Minhas mãos talvez não estejam completamente limpas, mas as suas estão sujas de sangue.
cueta (1); no palavreado chulo riograndense, o mesmo que boceta, pereca, chana, racha.
cueta (2); aquele odor agradável advindo da boceta, provável resultado da unção do odor exalado por ela com aquele que vem do cu (daí o neologismo cueta, cu + boceta). Do dicionário encantado de Coiote Flores e Felipe Faraco
Tu também gosta de deixar o braço esquerdo pra fora da janela, por oras a fio, dormindo, lendo, vendo filme com vinho a tiracolo, um cigarro?
P braço pendurado pra fora, casualmente, descansadamente, enquanto a mente descansa ou se ocupa de cultura, de aprendizado, de tudo de que ela tem sede, fome, tesão?
Só um braço pra fora da janela, enquanto o outro comanda de longe o entretenimento barato oferecido pelas emissoras de televisão, ou vira as páginas de um livro para segurar sua base em seguida, ou apenas repousa sobre o peito, cansado seja de amor, seja da labuta de viver?
Apenas pelo prazer de ter o braço vermelho-bronzeado digno de um caminhoneiro?
ontem quase fui atropelado, distraído mesmo, mas a mulher q saía do shopping tava olhando SÓ pra onde vinham carros (aquela sinaleira entre iguatemi e burbon)
um erro pequeno e mesmo q esbarrasse nela, nao ia dar nada. mas acho que o comportamento ali é: ela esqueceu da CALÇADA DE PEDESTRE que separa a garagem (estacionamento) da rua? só existem CARROS pra cuidar?
minha vontade de ficar vivo me obriga a olhar pros dois lados. acho que as pessoas que tem vontade de não matar ninguem tbm deviam cuidar os dois lados em qualquer via na qual entrem…
Hoje aconteceu o primeiro quase-acidente grave resultante do hábito de ler: esbarrei, embora tenha evitado danos maiores fazendo-o com o braço, em um poste. Um poste de ferro, dos que servem pra segurar placas escrito “PARE” ou “PROIBIDO ESTACIONAR”.
Isso poderia ter sido evitado? Sim, e pode futuramente. A solução é simples: TIREM ESSES POSTES DA RUA! Eles não deveriam estar lá, em primeiro lugar. “Ué, mas e como os motoristas de carro vão se guiar?”. CARROS? Meu caro, se há carros circulando dentro dessa cidade, e o suficiente pra que sejam necessários todos esses postes e placas, já há algo de muito errado com o meio urbano. LIVREM-SE DOS CARROS TAMBÉM.
Gosto de ler. E a vista ficaria muito mais bonita.
Desinteresse dos jovens por carros preocupa montadoras ["Há poucas décadas, o carro representava o ideal de liberdade para muitas gerações. Hoje, com ruas congestionadas, doenças respiratórias e falta de espaço para as pessoas nas cidades, os jovens se deram conta de que isso não tem nada a ver com ser livre, e passaram a valorizar meios de transporte mais limpos e acessíveis, como bicicleta, ônibus e trajetos a pé." ]
Quero lembrar a todos os pais, educadores e demais pessoas e entidades preocupadas com a juventude que, se vocês apóiam a proibição da maconha, então vocês alimentam o tráfico, vocês matam crianças, vocês aumentam a violência em todo o país.
A tribo Awá-Guajá se divide em três terras. Deve-se essa separação aos Empreendimentos Carajá (não só não houve punição para o massacre, como ele parece ter sido um sucesso).
“a tribo mais ameaçada do mundo” [survivalinternational.org]
‹‹O trem que parte da Floresta Nacional de Carajás, no Pará, onde ficam as minas da Vale, segue pelo Maranhão até o porto de exportação próximo a São Luís, é o maior do mundo. São quatro locomotivas e 330 vagões que atravessam com estrondo reservas florestais, terras indígenas, comunidades quilombolas e de pequenos agricultores.››
Tudo patrocinado pelos vitoriosos assassinos da Vale do Rio Doce. Não são só os PMs que devem (e devem mesmo) ser punidos e não foram (e não vão?), gente.
‹‹O que leva a conflitos e renegociações constantes. “A Vale acha que são coisas definitivas e não são. Da perspectiva dos índios, a negociação está sempre aberta. É sempre possível voltar a negociar porque é sempre insatisfatório. Tem essa figura no direito que chama hipossuficiência jurídica. A desigualdade é tamanha na negociação que, para os índios, a possibilidade de renegociação está mesmo sempre aberta”, diz Iara Ferraz, antropóloga que acompanha os índios Gavião desde a década de 70.››
“As coisas têm vida própria. Tudo é questão de despertar a sua alma.”
“A gente não é de um lugar enquanto não tem um morto enterrado nele.”
“Pensando que em nenhuma terra fazia tanta falta a semente de Deus, decidiu ficar mais uma semana para cristanizar circuncisos e gentios, legalizar concubinários e sacramentar moribundos. Mas ninguém lhe deu importância. Respondiam-lhe que durante muitos anos tinham ficado sem padre, arranjando os negócios da alma diretamente com Deus, e já haviam perdido a malícia do pecado original.”
“(…) levou ao castanheiro um tabuleiro e uma caixa de fichas para convidá-lo a jogar damas. José Arcadio Buendía não aceitou, segundo disse, porque nunca pôde entender o sentido de uma contenda entre dois adversários que estavam de acordo nos princípios.”
“(…) anos antes os ciganos traziam a Macondo essas lâmpadas maravilhosas e os tapetes voadores. Acontece é que o mundo vai se acabando pouco a pouco e essas coisas já não vêm.”
“Já então o pároco manifestava os primeiros sintomas do delírio senil que o levou a dizer, anos mais tarde, que provavelmente o diabo tinha ganho a rebelião contra Deus e que era ele quem estava sentado no trono celeste sem revelar a sua verdadeira identidade para enganar os incautos.”
“Optaram por não voltar ao cinema, considerando que já tinham o suficiente com seus próprios sentimentos para chorar por infelicidades fingidas de seres imaginários.”
“(…) procurou-a unicamente no trajeto de seu itinerário cotidiano, sem saber que a procura das coisas perdidas é dificultada pelos hábitos rotineiros e é por isso que dá tanto trabalho encontrá-las.”
“A atmosfera estava tão úmida que os peixes poderiam entrar pelas portas e sair pelas janelas, navegando no ar dos aposentos.”
“(…) que esquecessem tudo que ele ensinara do mundo e do coração humano, que cagassem para Horácio e que em qualquer lugar em que estivessem se lembrassem sempre de que o passado era mentira, que a memória não tinha caminhos de regresso, que toda primavera antiga era irrecuperável e que o amor mais desatinado e tenaz não passava de uma verdade efêmera.”
“Aprenderam que as obsessões dominantes prevalecem sobre a morte e tornaram a ser felizes com a certeza de que eles continuariam a se amar com as suas naturezas de fantasmas, muito depois de que as outras espécies de animais futuros arrebatassem dos insetos o paraíso de miséria que os insetos estavam acabando de arrebatar dos homens.”
Ninguém deseja a redução da maioridade penal (bem como a inclusão da pena de morte na lei penal) por querer suprimir a violência. Nada além de schadenfreude e desejo de vingança leva a tal anseio, a essa luta. Sei bem o quanto apoiei a punição de menores de idade no caso do adolescente que comandou o seqüestro e estupro por dias seguidos de uma garota, também menor de idade, que acampava com o namorado no interior de São Paulo. Por outro lado, não vejo muita gente defendendo a lei do talião no caso da delegada que colocou uma menor de idade com problemas mentais numa cela com mais de vinte homens – e eu mesmo quis enforcá-la depois de uma “merecida surra”.
Pensamos nisso e desejamos isso por uma emoção violenta, talvez tão violenta quanto os crimes cometidos por essas pessoas, mas não porque nos preocupamos com o futuro do país. Estamos preocupados principalmente com nossa vontade de ver sangue derramado pra compensar o derramamento de sangue de outro; nada mais burro, se avaliarmos com calma, mas é uma burrice compreensível, até, porque é gerada justamente por estarmos irracionalmente emocionados pela tragédia.
E aí é fácil pra que pessoas já defensoras dessa agenda se aproveitem disso; temos uma boa parte da população vulnerável à raiva, pronta pra ser incitada ao ódio, à violência, aos disrcursos enraivescidos contra esses menores de idade cruéis, incapazes de respeitar à vida humana, dignos do castigo do aprisionamento – quando não da execução. E é nesse momento de sentimentos exacerbados que colocam em pauta o assunto da maioridade penal (senão o assunto da pena de morte ou qualquer outro que possa se enganchar aproveitando a situação).
E por mais que isso soe como uma censura, não é; mas peço apenas que não coloquem o assunto em pauta. Não porque eu seja tão radicalmente contra certas idéias ou opiniões que discuti-las torna-se inaceitável, mas porque tal discussão quando estamos emocionalmente incapacitados para isso é totalmente inválida.
Até onde sei, a pressa e a raiva não conseguiram nada além de condenar inocentes. Tanto quando são os motivadores dos criminosos, quanto quando motivam os que dizem querer punir estes mesmos.
“O que surpreende é a capacidade de compreensão da sociedade cubana perante este tipo de circunstância, pois a comunicação nos trabalhos comunitários, nos quais civis não reclusos também participam, é muito boa. Não há divisão social entre os reclusos e os não reclusos. Ao contrário, o espírito de camaradagem predomina nos trabalhos, no regimento (entre os guardas e os detentos) e nas ruas.”
Isso é o que acontece neste presídio em Cuba. Estamos falando de outro país, com outra realidade social e um sistema nacional bem diferente do nosso, mas ainda vejo isso como um exemplo que poderia [eu digo que iria e pronto] funcionar no Brasil. Mas aqui, infelizmente, os não-reclusos quase nunca vêem presos como pessoas, apenas como uma mazela social – como se eles fossem os únicos responsáveis, os únicos criminosos, como se tivessem escolhido, ao longo de sua vida, que seriam “ruins” e pronto.
“As pessoas no brasil acham que trancafiar alguem num cubiculo com mais varias outras pessoas vai fazer alguem repensar suas atitudes. É a logica da faxina mal feita; sabe, quando a mãe pede pra varrer a casa e a pessoa vai lá e esconde tudo debaixo do tapete? Sumiu a sujeira, não t6o mais vendo, mas uma hora alguem pisa no tapete e suja tudo de novo.” (Fergs)
Em um evento de uma manifestação “PELA PAZ”, me deparo com as seguintes propostas: “acabar com o regime semi-aberto ( ressocialização é para quem foi socializado – isto não existe), proibição de visitas íntimas, penas mais duras e mais presídios, além, é claro, de polícia motorizada nas ruas.”
VERGONHA DE TODOS VOCÊS, amigos, que participam do evento de “manifestação pela paz” que concorda com essas reivindicações:
Bando de reaça, o criador do evento e todos que se identificaram com o mesmo. É por culpa de gente assim que as pessoas saem piores dos presídios, sabe? É por culpa de vocês boa parte da violência que tanto (dizem que) querem combater.
E não adianta fingir querer inclusão social em meio a propostas desumanizadores como essas, então não vem como “escrotice meio-a-meio”porque não estamos tentando chegar a um acordo sobre o que teremos pra janta ou qual o melhor bar pra galera. Ces tão é apoiando uma detonação completa de um sistema que já é cruel e obviamente nocivo não só aos diretamente afetados por ela, os presidiários, mas à toda sociedade.
Acho que no fundo o que querem mesmo é meter balaço na cara de cada um, não é? Diz aí, diz aí. Aniversário do Massacre do Carandiru mal passou e vocês querem mais Pavilhões 9 e menos “dessa gente” de volta às ruas.
Abaixo, uma matéria sobre um presídio-modelo que Mikki, um amigo, me passou.
Acho que uma sociedade que não age em defesa de seus prisioneiros não tem como melhorar. Os tratamos como párias, como escórias; ou melhor, não os tratamos. Como minha amiga sugeriu na analogia alguns parágrafos acima, os escondemos de nossos próprios olhos, como se resolvesse aí o problema. Fala-se em educação mas não se fala em melhoria das condições dos encarcerados, o que, pra mim, é paradoxal; eles fazem parte do povo que mais precisa de educação, de uma melhoria em sua qualidade e visão de vida em sociedade.
“Eles vão presos e voltam piores” – é cara, então é porque tem que melhorar os presídios. “Bom mesmo é pena de morte” – já pensei o mesmo sobre muitos casos, e se o argumento de que muitos inocentes já foram condenados à morte não lhe basta, apelo a uma frase que me persegue há 15 anos que tem muito a ver com a nossa incapacidade de julgar q quem se deve aplicar pena de morte ou não:
“Merece morrer? Ouso dizer que sim! Assim como muitos que morreram merecem viver… Você pode lhes devolver a vida?” (Gandalf, em “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien).
Se cito uma ficção escrita há mais de meio século pra tratar de um assunto real em nossa atualidade, é porque de lá pra cá nada melhor foi dito ou feito.
“Acho massa como essas manifestações pela paz acontecem quando dá uma merda com alguém com grana. Aí todo mundo quer redução de maioridade penal, mais presídios, penas mais rigorosas, mais puliça, desce o pau nos vagabundos, esses aí têm mais é que morrer mesmo. Afinal, é um absurdo a gente viver numa situação assim.
Agora, contra a violência diária que gera esse tipo de situação ninguém dá um pio. Contagem de mortos fora dos bairros nobres é mensal, pra jogar na estatística e dividir por trinta pra fazer a média. Mas não é um absurdo.
Ninguém acha um absurdo a PM descer o cacete em estudante, se for da perifeira.
Ninguém acha um absurdo a falta de infraestutura básica nas cidades, o sistema carcerário completamente fodido, as Fase que são depósitos de adolescentes em condições degradantes.
Ninguém quer discutir penas alternativas, papel (e a própria existência) da polícia, ressocialização de detentos, drogas como problema de saúde pública, etc, etc.
É óbvio que a nossa segurança é extremamente deficiente, que falta policiamento, que tá foda sair na rua. Mas se tu acha que só pedir pro Cassiá aumentar o número de brigadiano na tua rua, prender guri de 16 anos ou acabar com visita íntima no presídio vai melhorar alguma coisa, tu não tá pensando em segurança. Tu tá pensando, de uma forma elitista, retrógrada e ineficiente, em como proteger o teu rabo.”
PS: não me fale em redução da maioridade penal antes de ter havido uma reforma em todo sistema e estrutura carcerários!<
Outra vez cito um amigo, o Quico:
“Primeiro vão contruir presídios decentes, porque não sei se temos ao menos isso pros nossos jovens prodígios.”
dylan é supra over rated
eu estudo letras
estudo bem
me dedico às letras
e uma vez a palavra hype chegou pra mim e disse
” Nao aguento mais o Dylan, cara”
voces podem imaginar
essa palavrinha vindo toda meiguxa
chorando
pq nao aguenta mais?!?!?!