porque eu falo sozinho
mas se falo sozinho
talvez seja porque vocês não falem algo interessante
ou sejam incapazes de compreender o que digo.

consideram-me louco
porque olho pro nada
mas talvez eu nem esteja olhando, mas
fazendo o que vocês deveriam fazer
ao invés de me olhar tanto.

consideram-me louco porque, bem,
porque me consideram a tão ponto
que tornaram-se estudiosos de mim.

consideram-me louco porque não têm consideração
pelo fato de que também os considero tão pouco
quanto me julgam.

Há quem diga que o amor é impossível ou, pior ainda, que nem existe. Pois bem, ambas estão certas. Amor, no conceito romântico popularmente aceito da palavra, certamente não existe. Mas se o considerarmos como uma mera denominação de um tipo ou conjunto de relações entre indivíduos, é possível e real porque o vemos rotineiramente.

Eu mesmo costumo ter essa discussão entre amigos que, em geral, concordam com o básico: a maioria das pessoas finge amar. Certo. Mas o que é amar? Devotar-se a alguém? Admirar alguém? Como bem notado nas especulações, já existem verbos para tais relações. O amor seria, meramente, a denominação para a relação entre um grupo ou dupla de pessoas que, cientes disso ou não, têm uma relação estabelecida entre si. Mesmo que essa relação ocorra cientemente a partir de só um dos indivíduos que a compoem.

Constantemente me perguntam: tu é incapaz de desenvolver sentimentos por alguém? Não, não sou; de fato, escrevo esse texto para demonstrar e homenagear uma pessoa por quem tenho imenso… amor.

“Kkk!!!”, diria alguém ironicamente. O que muitos consideram sentimentos são, de fato, esse aglomerado supramencionado de interpretações individuais das relações entre as pessoas e, portanto, todos estamos sujeitos a elas. Não existem pessoas frígidas ou pessoas deveras passionais. O que nos separa, pelo julgamento alheio, são as diferentes formas pelas quais demonstramos nossas próprias interpretações uns dos outros.

Enquanto tu presume minha falta de sentimento porque tu pensa que eu preciso demonstrá-lo, eu deixo de pensar em mim e me preocupo a cada ocorrência da palavra “eu” porque eu acho tu muito mais importante.

Raramente se vê tanto amor.

-Ele é neném, mas vai ser criança. Que nem tu; tu já foi um bebê, agora é criança.
-E o que eu vou ser depois de criança?
-Infeliz…

… é ficar calado.

Lembre-se: você vai perder chinelos e ganhar peso.

Não tenho idéia do quão antigo é esse texto, mas gostei de reler. Tem passagens interessantes.

Não, não apelei para os antigos textos engavetados há anos para disfarçar a falta de material novo, mas apenas venho referir a pensamentos que nos vêm desde a pós-infância, adolescência, aos dias de hoje, e nos surpreenderão continuamente com suas revelações incríveis sobre o mundo. Conclusões que chegamos com a ajuda de conversas ou com o questionamento destas mesmas. Bem conhece o mundo aquele que rejeita todas as verdades que este nos traz. Questionamentos que fazemos ouvindo dos amigos sobre como as coisas têm que ser, porque tais dogmas sociais que nos apresentam deveriam sempre nos levar a perguntar “Mas por quê tem que ser assim?”. Claro que, às vezes, nem nos preocupamos em questionar nossos amigos pois, afinal, eles são homens, convivem com a gente e dificilmente se dariam ao trabalho de mentir em benefício próprio. Por outro lado, tudo que se ouvia de amigas mulheres ou namoradas é o que devemos por à total dúvida, pois elas sempre vão se deixar levar pelo seu próprio egoísmo e visão limitada do mundo. De uma forma ou de outra, aprendemos. E é aprendendo que se consegue evitar desconfortos alcançar mais rapidamente um objetivo.

Pois bem saiba, existem coisas que você nunca pode dizer. Não é novidade, claro. Qualquer imbecil, inclusive os autores de comédias românticas, sabe que não se pode dizer que preferia o cabelo de sua esposa ou amante antes do corte mais recente. Uma das perguntas mais difíceis de responder – e eu já acreditei ser impossível – é a fatídica “O que tu ta pensando?”. Em hipótese alguma você pode ser honesto. E dificilmente você terá tempo de improvisar algo convincente e agradável. Você simplesmente não pode se deixar perceber em pensamentos. Se você sequer parecer estar pensando, é o fim da linha. Pelo menos por aquela noite. Simplesmente durma. Evite a pergunta. Porque a resposta sempre vai ser demais insignificantemente imbecil ou demais severa. Pensar significa, em boa parte dos casos, questionar. Você pensa, pondera. Em outros casos, entra o “imbecil”. E bom, você pode estar pensando numa bobagenzinha qualquer, como aquele xis que costumava comprar em frente ao colégio e era tão delicioso, mas se falar isso pra ela, vai apanhar verbalmente com um jargão da fúria como “Então, enquanto EU to aqui do teu lado, tu fica pensando numa porra de comida de quando tu era um colegial?!”. E se os pensamentos forem mais sérios, você realmente desejaria estar dormindo antes de tê-los, ou antes de ouvir a pergunta, já que eles nunca seriam uma asneira como “Nossa, essa mulher é perfeita, esse relacionamento não podia estar melhor e acho que nunca imaginei, em toda minha vida, estar tão feliz como sou agora!”. Nada disso. O mais provável é “Cacete, e se por algum infortúnio, aquela gostosa que vem aqui toda sexta me der o prazer duma trepada realmente boa, acabar conhecendo minha garota e, sei lá, o assunto vir à tona?” ou “Hmmm… No início ela parecia mais legal.”. Já deixei claro antes* que mulheres não gostam de homens que pensam, independente do que você pensa. O neanderthalnismo aparente é a única saída.

*o texto abaixo foi rascunhado mentalmente antes do de cima)

Mulheres não gostam de homens inteligentes, sensíveis e com senso de humor. Muitas podem dizer que sim, mas é pura baboseira politicamente correta. Elas querem teu pau ou teu dinheiro, talvez os dois, talvez alguma outra coisa. Que interesse alguma garota poderia ter no teu cérebro se não, talvez, para ajudá-la em alguma obrigação escolar além da capacidade dela? A verdade é que no momento em que você demonstrar alguma faculdade intelectual acima da média, ela te verá como um babaca. Se você for um babaca pretensioso, aí sim talvez tenha alguma chance. E eu digo o que digo como uma porra dum gênio com sentimentos de mulherzinha e que se dispõe a perder emprego, mulher e amigos por uma boa piada. Homens sensíveis são bastante úteis para quando elas querem se sentir bem, realmente. Quando, naqueles raros momentos em que o coração bate forte, elas precisam de alguém ao lado delas que as faça sentirem como pessoas amorosas e que precisam dividir seus sentimentos com alguém. Mas quando voltam à sua razão média e se dão ao luxo de serem honestas consigo mesmas, saberão que o que elas precisam é de um canalha que as trate como lixo e se preocupe apenas em satisfazer a necessidade de dar um bago. Quanto ao senso de humor, dispenso comentários. Um cara engraçadinho, com piadas manjadas retiradas de rodas de amigos dos menos iluminados, tudo bem. Mas se você realmente entende todas as formas de humor e é capaz de produzir algumas, vez que outra, ela brochará no momento em que ouvir uma tirada inteligente que deveria fazê-las rir. Ah, elas rirão! Sim, de você, perdedor!
Digo e bem sei que as mulheres que gostam de mim gostam porque acham que os três jargões da felicidade conjunta que posso transparecer não passam de fachada para um tremendo filha da mãe. E as que não gostam, certamente esperavam um pau no cu sem igual que só vão encontrar em alguém que finge melhor e poderia dispensá-las por qualquer outra; carregam um sentimento masoquista superior ao do primeiro caso. Aí sim podem se entregar a um relacionamento monogâmico de aparências que, graças à “compatibilidade indestrutível” dos dois, durará meses, senão anos.

dos diários de um programador junkie:

“…até que finalmente realizei meu sonho. depois de anos trabalhando com programação, me afogando no nerdismo total e sendo ignorado por todas as garotas de que já gostei, desenvolvi o software há tanto idealizado. o efeito de luzes que requisitava uma configuração relativamente simples aliado a uma série de tons sonoros decrescentes e então crescentes causavam um turpor mental e sensação corporal relaxante semelhantes aos efeitos da inalação de solventes de tinta e produtos de limpeza. além do mesmo efeito anfetamínico da cocaína, a exibição aumentava minha criatividade em todos os sentidos, fazendo-me inclusive visualizar imagens irreais que jamais poderia imaginar em meu estado sóbrio. quando retornei ao estado de consciência dito normal, não só havia deletado o arquivo em que o script fora escrito como também esquecido todo o seu funcionamento e os meios de usar tal linguagem.”

O verão está de volta, com suas vantagens e desvantagens.

Pensemos, pois, na beleza dessa estação. É tempo de poucas roupas, de pernas expostas, de mulheres descendo e subindo a rua com seus vestidos curtos e mini-shorts enquanto relaxo no jardim e acaricio minha genitália com moderada discrição ao mesmo tempo em que sorrio à passagem delas.

Sim, é tempo de sorrir para as pessoas na rua!

Caminhar no parque, tomar suco natural à tarde e cerveja à noite. Juntar alguns amigos para um passeio de carro até alguma praia e voltar com a sensação de que não pertencemos nem a um lugar, nem a outro. Nem uns aos outros, porque verão também é o período em que os casais se separam, ou fingem que não são casais e se permitem a libertinagem entre pessoas desconhecidas, todas igualmente interessadas e excitadas pelo aumento da libido nessa estação.

Sim, é tempo de conhecer ainda mais pessoas!

O verão seria uma estação maravilhosa se não tivesse sol. Adeus, paletós, gravatas, coletes; olá, bermudas, camisas abertas na altura do peito e óculos escuros. Sem vinho, sem uísque e num país onde quase não se permite fabricar e vender cerveja de qualidade.

Quando os ecologistas vão protestar contra o desperdício de água na fabricação de cerveja?

A gata prostra-se sobre o muro. Abro a porta e a vejo, enquanto deixo que um vento alivie momentaneamente o calor que incomoda meu rosto.
Uma garota linda desce a rua e cumprimenta a gata. Casualmente. apenas vira-se, diz um rápido e sorridente ‘oi’ e continua seu caminho. Um cumprimento sincero para a gata que protege o jardim em posição de esfinge.

Me fez ter fé na espécie humana.

-Pedro, devolve meu chip.
-Não.
-PEDRO, devolve meu chip.
-Néeeh.
-Meu chip, pedro!
-Nopa.

E assim Pedro negou Cristo por três vezes.

“Ninguém É sedentário. Isso é algo transitório, circunstancial, porque contraria nossa natureza. Somos ativos. É só começar pela caminhada.
Todo mundo que corre começou caminhando diariamente até notar que os batimentos cardíacos não se alteravam substancialmente.
E só então vem a corrida lenta (trote) alternada com trechos de caminhada mais acelerada. Com o tempo, isso evolui para a corrida. E é bom!”

De William Bonner.

O açucar, o consumo excessivo de carne e a televisão matam mais do que cigarros, álcool e drogas ilícitas. Eu tenho dados pra provar isso.

Jogue um D20. Se o resultado for igual ou inferior ao seu Pontos de Argumentação Lógica, você está certo. Se não conseguir, você ainda pode convencer os outros personagens a aceitar seu ponto de vista jogando seu Carisma contra um D16.

O Senhor Carranca morava no alto de um morro longe do resto da prole, num pacato vilarejo numa pacata zona de uma grande metropole.

Senhor Carranca não convivia com os demais, e odiava as festividades locais.

Lá ficava, tomando seu uísque e fritando seus filés enquanto lá embaixo vivia o povo desse bairro que não mais é.

A certa festa, não mais agüentando os risos, estouros de foguete e dançarias do povoado, decidiu Senhor Carranca que aquele pandemônio não seria perdoado.

Em sua carroça, regida pelo mal-alimentado cavalo Pagão, desceu até lá para roubar bacons, carnes, sem deixar sobrar um só pão.

Assim, ficou o povo na miséria e tristeza enquanto o Senhor Carranca gozava qual realeza.

Ao fim da noite, o Senhor Carranca sentiu-se só, e viu de longe as crianças chorando. Assim, algo aconteceu e seu sangue foi seguindo circulando,

e o coração do Senhor Carranca cresceu três vezes o tamanho original, mas o povo lá embaixo não podia aproximar-se daquele homem mau.

Sozinho, pôde apenas chorar enquanto morria devido ao aumento de sua pressão sangüínea.

Parabéns para mais um amigo feliz pai de uma linda menina. Estava conversando com ele agora sobre os momentos em que esperou o nascimento da filha. Tinha de subir vários andares até a maternidade e passou a madrugada acordado. A vontade de fumar era intensa, claro, e a cada vez tinha que descer de elevador, fumar apressadamente, subir, lavar o rosto e as mãos, escovar os dentes.

E tem mulher que ainda acha que é pra elas que o parto é difícil.

Encontrei uma entrevista com o genial Sion Sono, roteirista e diretor de três merecidamente cultuados filmes japoneses, Suicide Circle, Noriko’s Dinner Table e Strange Circus. Ainda não terminei de ver o terceiro, visto que só encontrei com legendas em italiano, mas aconselho a qualquer fã de uma boa história e de cinema a assistir todos. Os dois primeiros têm um visual encantador – mesmo nos poucos momentos de grotesque que por algum motivo não atrapalha – de certo, só ajuda – no contemplamento de duas das histórias mais bem escritas que já tive o prazer de conhecer. Esses filmes transformaram Sono em um ídolo, como escritor e cineasta, para mim.

Todas as páginas linkadas estão em inglês.

“procura-se pessoa para dividir apartamento, sem preferência por gênero. obrigatório saber que seinfeld é bem melhor que friends.”

“procura-se garota para dividir apartamento. obs: lésbicas serão convertidas.”

e por fim, a infâmia:

“procura-se pessoa para dividir apartamento. trazer machado e fita métrica.”.

Mais uma vez acordo na casa de uma fã. Levo algum tempo para saber onde estou, mas nem me importo. Ela me serve uísque, cigarros e exibe sua coleção de jazz. Que mais eu preciso? Nada. A chuva que cai sobre a cidade é apenas mais um motivo para eu não ver o mundo lá fora…

A quem estiver em Porto Alegre::

Os Piores Caronas, série de Daniel Bacchieri e Fabrizio Gorziza, será exibida hoje à noite em mostra do cinesquemanovo, na sessão da meia-noite na sala P.F. Gastal. localizada no terceiro andar da Usina do Gasômetro.

Outra exibição ocorre amanhã (sábado, dia 24) no CineBancários (rua General Câmara, 424).

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Não queira impressionar, não queira o que não quer
Não deixe que o mundo te sufoque
Não obedeça padrões comportamentais
muito menos os de amigos
- os verdadeiros não exigirão isso.

Sim, vista-se como quiser; seja mauricinho.
Ah, gosta de laquê? Faça como quiser.
Deixe que te aticem, mas não deixe que proíbam.

Não troque o vestuário, corte de cabelo
apenas para agradar a outrem.
Ora! Quem não gosta de ti? Muita gente, talvez.
E por que se importar? Esteja indiferente a críticas vãs
- aceite conselhos quando deliberados como tal
e acompanhados de argumentos.
Debata esses! Se te parecer válido.

Não queira agradar mais do que o que for preciso.

Abrace quem gosta de abraços,
beba com quem quiser beber.
Não force e não se deixe obrigar.

Virei fã. Sim, sempre admiti que ela canta bem e parece uma pessoa incrivelmente simpática (vejam essa e outras entrevistas), mas nunca me dei ao trabalho de ouvir. Enfim, estou baixando, dei uma olhada no site oficial e já vi outros vídeos legais e me declaro um seguidor. E o sotaque, ah, o sotaque!

Joss Stone, te declaro objeto de merecida idolatria.

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