-não desiste, ces têm que continuar juntos.
-por quê?
-porque ainda há tanto pelo que lutar, pensa nas coisas boas…
-hum…
-em todas as vezes em que vocês se apoiaram, todas as vezes em que, depois das águas passadas, tudo acabou bem, nos dias em que ela alimentou-te quando precisavas e nas noites em que tu deu abrigo a ela…
-olha, eu pensei muito nisso, e sei o que to fazendo.
-tem certeza?
-tenho.

nem todos os líquens dão certo.

Céline foi muitas vezes mencionado de forma elogiosa por Bukowski. Aliás, se você é um daqueles leitores que critica o segundo autor mencionado, desista de se considerar um fã de literatura. Você o critica porque é sua obrigação como pseudointelectual desprezá-lo, da mesma forma como é obrigação de outros pseudointelectuais adorá-lo. A verdade é que Bukowski tem estilo e seus textos têm validade por causa das pequenas filosofias e fortes críticas que o autor apresenta neles, mesmo que utilize uma técnica simples. Ele tem estilo, o que a maioria dos escritores com técnica gramatical e de redação jamais consegue. Essa é outra relação do escritor norte-americano com Céline.
Acredito que tenha influenciado também os beatniks, geração de abastardos norte-americanos que gostava de reclamar da vida justamente porque gostariam de ser como Fante ou Céline. Sua possível influência é justamente o hábito de reclamar das situações vividas pelo autor ou por seu personagem. A diferença é que Céline viveu durante a primeira guerra e conseguiu transformar seus recalques e experiências negativas em uma obra realmente interessante e criativa.
Viagem ao Fim da Noite (Voyage au Bout de la Nuit) recebeu muitas avaliações negativas devido ao estilo coloquial de sua escrita, o que mais tarde ajudaria a torná-lo um clássico entre o público leitor mais aberto à capacidade criativa. Sua forma de escrever é única e consegue expressar os acontecimentos de sua vida e sua interpretação a respeito deles de forma única. Isso, para o público crítico menos desenvolvido intelectualmente, é seu estilo. Há uma certa classe na coloquialidade bem utilizada, da mesma forma que há uma certa falta de classe na técnica textual sem conteúdo criativo ou de qualquer forma interessante.
Céline seria ainda mais criticado socialmente por ser um simpatizante do Partido Nazista. Isso é ridículo. Não consigo imaginar coisa mais agradável durante tempos tão difíceis do que um francês recalcando escrevendo artigos anti-comunistas.

Isto não é um post pago. Escolhi aquele link para mencionar o livro porque é a edição que comprei e o meu exemplar foi comprado na mesma loja. Obrigado, CP, pela indicação!

“Quero que minhas histórias surjam; escritas, filmadas, contadas. Então, livres, deixam de ser minhas e tornam-se apenas o que realmente são: histórias.”
J.P. “Coiote Flores

Esse é um artigo escrito a partir de algumas interpretações a respeito do anime escrito por Chiaki J. Konaka e dirigido por Ryutaro Nakamura. Meu artigo contem o que alguns considerariam Spoilers de partes da história e, acho mais importante avisar, é destinado a quem já assistiu e portanto não contém referências explicativas da série em si.

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hey dada
uh, dá, dá

[versos]
nem vi as horas quando anoitece-e-eu
eu ajojei ouvindo um so-o-om
tocava rock, oualgoassim-é-oqueeuacho, meu

as luzes tipo de-sa-pa-re-ci-i-am
gurizada numa o-o-onda
esse DJ
é um ensaio estelar!

[refrão]

Deixa estar, man
e ver no que vai dar
É bom se conhecer
sem se estourar

Deixa estar, man
e vê no que vai dar
ele disse “só manera”
o cara sempre sabe muito

deixa os cara usarem
deixa se perderem
deixa eles vuduzarem

[versos]

ai, fui telefonar pra tu-u-u
“demais, galera, eu também ouvi-i-i- (a)
põe na tv;
ele ta na gua-íba”

fui pra janela, e vi a luz
se der brilho, a gente dan-an-ça
mas deixa quieto
se não, a gente cai

Deixa estaaar, man…

-eu só queria alguém em quem pudesse confiar, alguém para quem pudesse dar e de quem pudesse receber, alguém que…
-olha, eu só quero ficar quieta aqui na minha, escorada e aproveitando o que vier, tá bom .
-sua indie fodida e insensível.

nem todos os liquens dão certo.

créditos a Tiele e Ju.

-O conceito é o seguinte: um estudante de história e um de ciências sociais trancados em uma sala. Só um sai vivo.
-Acho que não, ein. Eles vão ficar debatendo infinitamente, cada um defendendo seu ponto de vista sociológico chupado de algum autor indicado no primeiro semestre de faculdade.
-Podemos colocar alguém do Direito.
-Isso! Ele vai ganhar porque vai ser completamente neutro em relação a tudo, ficando sempre por cima do muro e assumindo os dois pontos de vista a partir de argumentos bitolados baseados em precedentes legais.
-Acho que é bem o contrário, ele vai assumir algum ponto de vista, sim, e ficar monologando por horas até entediar os outros, que vão preferir se matar a continuar ouvindo aquela ladainha toda.
-Verdade… muito fácil
-Poisé. E se a gente…
-Hum?
-que tal colocar um publicitário?!
-Putamerda!

Caros Membros do Partido Pirata,

As negociações sobre o tratado ACTA (Acordo Comercial Anti-Pirataria, sigla do inglês) [1] continuam em andamento. Os parceiros de negociação, dentre os quais as maiores economias do mundo estão inclusas, desejam consolidar um acordo de comércio global eficaz o mais rapido possível em 2010.

Detalhes que vazaram sobre este acordo podem ser encontrados no Wikileaks [2], nos sites da Iniciativa Europeia de Direitos Digitais (European Digital Rights Initiative – EDRi) [3] e da Fundação para uma Infraestrutura de Informação Livre (Foundation for a Free Information Infrastructure – FFII) [4]. A ONG norte-americana Knowledge Ecology International [5] também publicou análises extensas sobre o material que se conhece.

O texto do tratado assemelha-se a legislação DMCA (Lei dos Direitos Autorais do Milênio Digital, sigla do inglês) dos EUA e define padrões mínimos excepcionalmente elevados de proteção dos IPRs, em desafio direto aos relatórios acadêmicos e sem qualquer abertura ou debate público. Os negociadores estão extremamente conscientes que será muito difícil reverter a situação, uma vez assinado o tratado, tornando o impacto sobre todos muito mais severo.

Além de vários meios de comunicação, essas ONGs manifestaram grande preocupação com relação às táticas de negociação empregadas, bem como ao alegado conteúdo do tratado.

As negociações têm sido mantidas em segredo do público e dos parlamentos nacionais da União Européia, dentre outros. É uma prática corrosiva para a democracia, além de estimular a corrupção da sociedade global. O conteúdo desse tratado é compartilhado com lobbistas corporativos através de conselheiros privilegiados, mas até agora apenas um representante da sociedade civil teve permissão para acessar os documentos nos EUA, e apenas após assinar um termo de confidencialidade.

Outras partes afetadas – incluindo a Associação Européia de Provedores de Internet (EuroISPA) [6] e de todo o mundo – não conectados com o lobby dos Direitos de Propriedade Intelectual (IPR, sigla do inglês) estão sendo mantidas de fora da negociação. Efetivamente, apenas os negociadores ligados ao IPR estão autorizados a fornecer comentários ou fazer outro tipo de modificação no texto. Deixando de lado até mesmo os representantes eleitos democraticamente. [7]

Experiências anteriores com tratados internacionais de Direitos de Propriedade Intelectual mostram que acordos controversos adotados em escala mundial ou multilateral – frequentemente contrários aos interesses das “nações em desenvolvimento” – são reforçados posteriormente de forma bilateral contra países sem poder econômico para se opor aos seus poderosos parceiros comerciais.

Estes acordos são barreiras para os países em desenvolvimento ainda sem uma indústria baseada em propriedade intelectual (PI). Eles prejudicam tanto os investimentos nacionais quanto o desenvolvimento industrial dessas nações. Em alguns casos, questões globais sobre PI resolvidas desta maneira, por meio de acordos comerciais, resultaram em crimes contra a saúde e biopirataria.

A maneira pela qual esse tratado vem sendo negociado já é motivo suficiente para a sua abolição. Mas da forma que está também traz riscos que representam uma ameaça para o mercado, para a diversidade e para o desenvolvimento industrial nos países desenvolvidos e nações em desenvolvimento.

O ACTA assemelha-se muito a uma ditadura de corporações, ignorando completamente o desenvolvimento sustentável da sociedade, as liberdades civis e os processos adequados da democracia. Este tratado tem como objetivo implementar mudanças políticas extremas em nível mundial – sem a participação da comunidade global, nem mesmo daqueles cidadãos interessados que vivem em países envolvidos nas negociações ao redor do mundo!

Esta questão não afeta apenas os Partidos Piratas do mundo, mas também todas as organizações e indivíduos que prezam pela democracia.

Nós insistimos que você leve este assunto ao público em seus respectivos países e ajude a impedir o ACTA o mais rápido possível. Ou pode ser tarde demais para pôr fim a esta loucura.

Algumas idéias para agir:

Informe ao público! Publique artigos em seu blog e / ou na imprensa.
Exija que o governo tome medidas para a investigação do processo – escreva para o seus candidatos e políticos locais, e encoraje outros a fazerem o mesmo!
Chamada para um dia de ação [inter]nacional.
Aborde a questão no seu programa eleitoral/manifesto.
Organize uma manifestação contra o tratado.
Verifique as opções legais para uma ação judicial contra o processo ou ACTA, ou seja, na mais alta corte nacional possível.
Ofereça palestras gratuitas sobre ACTA para os membros do Partido do Pirata e o público em geral.
Crie e distribua materiais informativos e folhetos para o público e para a comunidade do PP
Informe ao maior número de pessoas possível. Além disso, garanta que a imprensa não se distraia com o termo “Falsificação” no ACTA. Como Christian Engström, MEP, enfatiza [8], o ACTA está essencialmente preocupado com a aplicação do Copyright. Há mais material relacionado com os direitos autorais do que com a falsificação de produtos físicos e marcas.
Pergunte sobre o que motiva o sigilo deste acordo. De acordo com KEI, ACTA é uma questão de segurança nacional dos EUA? Questione a motivação para esta falta de transparência! Especialmente EM SEU PAÍS!
Exija um local transparente! O México, de acordo com o partido pirata mexicano, trata-se de um dos países mais corruptos do mundo e discutir o ACTA só vai fazer todo o processo mais obscuro. Precisamos de um país com melhores padrões de transparência para decidir o futuro do compartilhamento de arquivos na internet. Um lugar onde a mídia não está a serviço do Estado ou vice-versa.

O Partido Pirata Internacional, Força-tarefa Anti-ACTA.

David Crafti, Austrália
Rodney Serkowski, Austrália
David Xanatos, Áustria
Germain Cabot, Bélgica
Jurgen Rateau, Bélgica
Bogomil Shopov, Bulgária
Jake Daynes, Canadá
Scott Elcomb, Canadá
Mikulas Ferjencik, República Tcheca
Eric Carrara, França
Denis Germain, França
Florian Laute, França
Laurent Le Besnerais, França
Anthony Rondel, França
Ralph Hinterleitner, Alemanha
Marco Confalonieri, Italia
Athos Gualazzi, Italia
Sven Clement, Luxemburgo
Jerry Weyer, Luxemburgo
Mario Arauz, México
Conrado Romo, México
Samir Allioui, Holanda
Cristian Bulumac, Roménia
Aleksandar Blagojević, Sérvia
Nicolas Sahlqvist, Suécia
Patrick Mächler, Suíça
Bethany Jolly, Estados Unidos
Kerbein Glen, Estados Unidos
Ryan Martin, Estados Unidos
Andrew Norton, Estados Unidos
Antonio contra a ACTA e a ALCA, Brasil

[1] http://en.wikipedia.org/wiki/Anti-Counterfeiting_Trade_Agreement
[2] http://wikileaks.org/wiki/Category:ACTA
[3] <a href="http://www.edri.org/edrigram/number7.22/acta-mobilizing-to-stop
[4] http://action.ffii.org/acta/Analysis
[5] http://keionline.org/acta
[6] http://www.euroispa.org/
[7] http://www.pressreleasepoint.com/eu-council-may-pass-acta-silently-during-parliamentary-recess
[8] http://christianengstrom.wordpress.com/2009/11/10/ip-observatory-in-juri/ e

No meu primeiro dia de aula na Perestroika, além de ter me sentido levemente embaraçado com a extrovertida discussão entre professores e alunos a partir dos perfis pessoais enviados por esses últimos, lembro de ouvir um discurso que ia mais ou menos assim: “Cara, se tu acha que trabalhar com publicidade é divertido, é tomar champagne, e não sei o quê, não é bem assim; é trabalho duro.”.

Eu mudaria um pouco.

“Se tu tá achando que trabalhar em agência significa brincar se divertir, trabalhar com casualidade e liberdade e de vez em quando tomar champagne no fim do expediente pra comemorar um case finalizado, cara, tu até pode ta certo, mas vai ter que se puxar PRACARALHO.”

Não que eu trabalhe em agência, mas já tive esses ótimos momentos, especialmente depois de um dia ou semana cansativo, puxado, etc.

E acho que isso vale para inúmeras profissões. Enfim, faça o que fizer e, de preferência, o que quiser, mas faz bem feito. Não lembro de já ter ouvido qualquer reclamação de chefe que não fosse uma crítica positiva, construtiva.

E até trabalhando pra mim, provavelmente o empregador mais mão-de-vaca que já tive, durante boa parte do meu tempo livre (a parte que não é dedicada a estudar roteiros, pelo menos), posso dizer que estou orgulhoso em relação ao andamento do projeto a que me dedico.

Fica a dica.

Ponderando diante do abismo e o desejo de pular é claramente mais fraco que o medo de fazê-lo. Que resta a mim senão os sonhos desfeitos pelo passar do tempo? Permiti que quebrassem meu espírito e achei estar fazendo o certo; segui aqueles conselhos sobre manter os pés no chão e deixar idéias e ideais para depois.
Agora me acusam de ter errado, de ter seguido pelos caminhos errados, de ter destruído minha vida por ser eu um homem capaz de todos os feitos mas perdido em si mesmo; “caças ilusões e não vais além” é o que sugerem. Como ousaram lutar contra meu sucesso?
Inadvertidamente permiti que tivessem tão cruel efeito sobre mim, como o homem que se deixa levar pelos vícios ou a mulher cuja paixão por um homem retrogradamente misógino reprime seu potencial criativo e profissional.
Se não tivesse lhes dado ouvidos… Pois bem, as hipóteses não me servem e o futuro do pretérito é para os que buscam motivação para desmotivarem-se. Eu não; já olhei demais para o abismo e já vi o que precisava ver. Agora salto.

Campanha motivada pelo cara que ficou rico vendendo camisetas “CRACK, NEM PENSAR” em Nova York, 1929. Menos sorte para alguns de seus investidores, mas ao menos as sobras de estoque foram reaproveitadas 80 anos depois. É o Brasil catando os restos dos Yankees, como manda a etiqueta.

Obra de @Coiote4fun e @KellenZ.

Foto original: http://www.ap.org

http://blogs.lancasteronline.com/flashbacklancaster/2008/10/29/crash-of-1929/

-mas porque?! achei que a gente tinha um lance legal…
-é, gosto de ti, mas esse relacionamento não vai nos levar a lugar nenhum.

se fungos e algas se locomovossem, a lisergia teria tomado rumos completamente diferentes. e alguns líquens teriam dado certo.

Em Rambo V, Stallone apacerá nu. A dúvida agora é se o dele é pra esquerda ou pra direita. Se a paralisia que afetou seu rosto tiver influência nisso, entender-se-á Brigitte Nielsen ter virado lésbica quando era casada com o protagonista de Falcão, o Campeão dos Campeões.

Na próxima-terça tem show d’Os Mutantes em Canoas. Favor, não confundir com o grupo de super-heróis mutantes criado por Stan Lee. Nem com o grupo psicodélico tropicalista que fez sucesso nos anos sessenta e setenta.

Não sei o que leva uma pessoa a sair de casa pra virar músico. Tipo, já não basta termos professores aumentando os índices de pobreza no país?

Imagina a decepção de um pai quando o filho diz: “Tomei uma decisão: vou largar a faculdade de medicina pra viver de música.”. Muito mais sensato seria virar escritor, humorista, anarcopunk.

Aliás, esse negócio de punk de rua é bem engraçado. Os caras inventaram uma forma sensacional de lutar contra o capitalismo: pedir dinheiro pra estranhos. E o pior é o cheiro de loló que tu sente quando o cara chega na tua frente e diz: “Consegue umas moedas? Tamo na luta contra o sistema aí e tal.”. Até entendo as drogas e o alcoolismo dessa gente, porque pra transar com aquelas guria feia, desdentada com coisas metálicas espalhadas pela pele o cara tem que ta num estado mental bem deteriorado mesmo. O que também explica o vício em cocaína do Blake Fielder, namorado vai-e-vem da Amy Winehouse. Quanto a ela… Cara, se tu tivesse que olhar praquilo todo dia no espelho também ia querer se afundar no crack.

Não entendo essa gente que acha que a gente tem que ouvir música brasileira e critica os gringos. Não podemos forçar a barra quando os Estados Unidos se provam tão sensacionais. Pra tu ter uma idéia, só analisa a diferença entre Brasil e Estados Unidos.
História da música no Brasil: escravos, capoeira, feijoada. Nos Estados Unidos: escravos, blues e rock’n roll.

E por que o Brasil é essa merda considerando o grande potencial que tem? Uma vez um taxista me lançou a retórica “Tu já viu algum país colonizado por portugueses que tenha dado certo?”. Por que a Argentina é culturalmente muito melhor que o Brasil? Foram colonizados por espanhóis e não portugueses. O Brasil já foi dividido: Espanha e Portugal. E olha com o que a gente ficou!

Está lançado o desafio: encontre um país colonizado por Portugal que tenha dado certo. O prêmio: uma cerveja Polar que seja boa.

Não existe cena mais triste do que estar no teu bar preferido tomando uma Heineken e ouvir duas gurias dizendo: “Não tem Polar? Então não fico aqui!”. Se está faltando água no mundo, pode por a culpa no Rio Grande do Sul: estão usando toda ela na fabricação de cerveja.

Se tu se preocupa com o meio-ambiente, pare de tomar Polar.

Seus joelhos que batem no chão
seu gemido abafado pela meia
suas unhas roçando as cordas

Suas flatulências vaginais
seu choro desesperançoso
nosso embate corporal

Ó, desconhecida alcoolizada e amarrada
sobre o chão de um banheiro imundo
Tornarei eu a ouvir o som do nosso amor,
de nossa relação conturbada, apaixonada
ou estarei fadado a continuar a buscar-te
no corpo de outra e nunca ter outra vez
você e suas musicais manifestações sonoras?

-uma mão lava a outra, certo?
-hm não é bem assim…
-como não?
-to caindo fora, pode me chamar de parasita
-malditos transgênicos

alguns líquens não dão certo.

Mais uma de Fábio Vieira, que resumo aqui.

A Teoria da Programação Constante com Baldwin, conhecida apenas por “Teoria dos Baldwin” tanto por céticos quanto por adeptos, sugere que em toda rede de televisão mundial está sempre passando algum filme com algum dos Irmãos Baldwin. Uma falha de sistema seria a responsável pelo surgimento de Adam Baldwin, o único que não tem relação consangüínea com os outros, apenas para fechar a gafe ocorrida no sistema.

Fábio Vieira também é o autor da Teoria da Árvore Genealógica Mundial que nos une diretamente ao ator Kevin Bacon, não por graus de separação sócio-profissional, mas por parentesco. Segundo a teoria, todos estamos conectados a Kevin Bacon por sete graus de parentesco.

A ordem era bastante clara: “matem todos os homens, estuprem as mulheres e saqueiem os bens”. Muitas mulheres corriam enquanto matávamos seus maridos, e a ordem de nosso capitão não fôra muita elucidativa sobre o que fazer quanto a isso. De fato, antes mesmo que notássemos as tentativas de fugas das mulheres, já estávamos todos confusos quanto ao que fazer com as crianças, ignoradas por ele. Como primeiro em comando, cabia a mim dar as ordens em vista da morte de nosso capitão. Ele ainda estava vivo, e para dar cabo dele sem ser notado, disfarcei-me rapidamente como um dos camponeses. Na época, usava um manto militar reversível – forrado com lama na parte interna. Após a troca, o abate e a destroca, dei nova ordem aos homens: “Cortem as pernas das mulheres, matem os homens e saqueiem seus bens!”. Não dei qualquer importância às crianças, o que admito ter sido insensível de minha parte. Nesse sentido, todos continuaram confusos, mas ao menos a problemática das mulheres correndo fôra resolvida. Uma vez terminada a pilhéria e o sexo não-consensual com mulheres desprovidas de pernas, reagrupamo-nos na taverna de Torás, onde contaríamos uns aos outros sobre nosso grande feito ao gozo de vinho e rum.

Carregava em sua mão o bilhete que recebera enquanto tomava um último drinque, momentos antes de sair do bar. Entregue a ela pelo garçom, fe-la rir e ela decidiu guardar o pedaço de papel como lembrança. Agora, caminhando pela longa avenida que ia do bar até a rua em que morava, segurava o bilhete apreensiva, já se arrependendo de não ter respondido ou até mesmo levantado para conversar com o rapaz que o escrevera, apontado ela pelo mensageiro.
Se voltasse agora, ele ainda estaria lá?
Ela nunca saberia e nunca mais tomou um só drinque naquele bar. Sabia que cada vez que voltasse a visitar o lugar para um drinque lembraria do rapaz que escrevera aquele bilhete e que ela, tolamente, deixou escapar para nunca mais rever. Arrependia-se da oportunidade momentânea que perdera.
Ele, de nada se arrependia. Tanto que voltava toda noite ao mesmo bar para sentar na mesma mesma e escrever bilhetes para cada garota nova que por lá aparecia. Sabia que que nenhuma retornaria e sorria pela desgraça que podia causar com uma simples brincadeira.

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