Ela diz que mato, que o cigarro me mata, que morro aos poucos com meu vício maldito e tudo isso enquanto ouço meus queridos Sá, Rodrix & Guarabyra tocando Blue Riviera. Respondo, gentil, que meus tempos de nebulização e acordar todo dia com falta de ar tempo a morte asmática se foram; troquei os aparelhos respiratórios pelo velho cigarro que por anos me acompanhou, e que me sinto melhor do que quando infante.

Uma brasa cai e queima o copo próximo a mim; vejo o isopor queimando, a fumaça subindo, e sobre minha mesa, que poucas horas antes limpei, da qual tirei o pó, cinzas caídas, jogadas no susto da queima surpresa. Que irônico! exclamo; defendo o tabagismo que limpou meu pulmão e com o cigarro sujo a mesa, sendo eu mais cuidados como a casa do que com o corpo.

Ela reclama; só de ver o que fizestes, sinto o próximo ataque da rinite.

Brincando, a chamo de junkie; rinite? pó na mesa? Sei o que te faz espirrar.

‘Se eu tivesse feito alguma coisa pra dar motivos pra tu me chamar de junkie eu não tava aqui, cheirando a tinta da porta, o pó dos livros e dos furos da prateleira. rinite de loser, sacomé…’

A tinta da porta? O pó dos livros? O furo das prateleiras?

‘Sim. Tudo que eu gostaria de cheirar, menos o cheiro do teu suor quando me abraça depois de um dia de trabalho, mas agora sou só eu e esse apartamento vazio sem você pra me abraçar, pra pintar o quarto, pra organizar teus livros em meio aos meus na prateleira.”.

E continua a tocar Sá & Guarabyra, agora cantando

que parece que eu estou carregando os pecados do mundo

Perto do lago tem uma sombra. Perto da sombra encontram-se pessoas. A presença de pessoas, todas menos uma, sempre me desagrada. Todas menos uma cuja presença me salva do desagrado que tantas vezes é todo meu eu, ou quase todo; sobra aquele resto do eu anterior apenas para sofrer com o desagrado.

E sento sozinho meu apartamento impecavelmente limpo, limpo para mim, para agradar meus olhos e meus pés descalços, e pela primeira vez na vida desejo que o telefone toque. Desejo ouvir a voz dela, mesmo transmitida de longe, desacompanhada da vista de seu rosto, do toque macio de sua pele, daquele abraço que me lembra amor. Odeio telefone, traz vozes de pessoas, mas hoje quero que ele toque e quero que seja ela.

Molho as plantas, toco as sombras sob cada uma, sinto a umidade e sei que as fiz feliz hoje, como elas têm feito por mim. Meu cactus, minha gata e as cachorras estão longe e as novas plantas me cuidam quando cuido delas. Não me trazem sanidade, me trazem a própria vida com suas próprias vidas. Matendo-as vivas fujo da morte que meu apartamento seria sem elas, mesmo comigo aqui.

O telefone toca. Ela também quer minha companhia, também precisa de um abraço. Diz que está triste e diz que está no parque.

-Me espera aí, chego em poucos minutos.
-Te encontro onde?
-Perto do lago tem uma sombra. Me encontra perto da sombra, a sombra é um lugar agradável. Talvez o último deles.

O Coiote é tão lindo que uma vez ele tentou se desfigurar se atirando na frente de um caminhão. O acidente transformou o veículo em Alain Delon.

O Coiote é tão lindo que uma vez uma estrela caiu do céu e tentou dar um selinho no olho dele. Daí ela escorreu até metade da face e se transformou em tinta. Foi daí que o Bowie tirou a idéia pro “raio” da maquiagem de Ziggy Stardust.

Uma vez, o coiote pegou uma inglesa gorda e feia de 15 anos e nunca mais ligou pra ela. Ela começou a cheirar e se embonitar. Essa inglesa agora é uma renomada (e por vezes polêmica) modelo internacional. Atende pela alcunha de Kate Moss.

Muita gente não sabe, mas a Audrey Hepburn chegou a passar fome e fugir de soldados nazistas. Vocês sabem como ela evitou a morte por gás quando foi pega? Disse ser a irmã gêmea menos bonita de Coiote.

Uma vez o Warren Beatty foi dar em cima de uma garota e levou um forão daqueles. Daí ele disse: “EU SOU AMIGO DO COIOTE”. E foi aí que Annette Bening se apaixonou.

acabei de ver algo
ULTRAJE A RIGOR é uma BAITA DUMA BANDA
o Roger toca MUITO
os cara tem umas PUTA IDEIA e ATITUDDE BOA
pq a musica
é uma merda?
;/

“só existe um lugar para escrever e é sozinho com uma máquina-de-escrever. um escritor que precisa ir para as ruas é um escritor que não conhece as ruas. (…) QUANDO VOCÊ DEIXA SUA MÁQUINA VOCÊ DEIXA SUA METRALHADORA E É QUANDO OS RATOS CHEGAM INVADINDO.”
Charles Bukowski

por João Paulo de Abreu Flores
baseado em conto do mesmo

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(por Menezes)

-e a vida, ainda cheia do brilho? não que tu tenha cara de glam rocker, o ‘brilho’ foi metafórico mesmo
-sim sim, eu entendo camarada! sim, anda muito boa! eu teria uma grande tese pra apresentar. manjas um pouco das regras do baseball?
-nao, mas vi vários filmes, é possível entender

e aí começa. abandonem a preguiça e leiam.

tá. o jogo é dividido em 9 innings.cada time ataca nove vezes.quando 3 atacantes são aliminados troca a vez de ataque. o atacante é eliminado quando,após rebater a bola,
alguem pega a bola no ar sem que ela pique, ou; quando a bola chega à base antes dele, ou; quando um adversário segurando a bola encosta no seu corpo.

bom. Alfred Wambsganss era um canhoto comun que jogava no cleveland em 1920. não se destacava como grande jogador, mas dava pro gasto.
bom, o cleveland estava na final, vencendo por 4×3. e o Nova York iria pra sua última tentativa de marcar, era o 9 inning do sétimo jogo do playoff (que estava empatado em 3 jogos pra cada lado)
obs: tendo como base que a primeira base é onde fica o rebatedor e o pitcher.

então.
Wanby estava na terceira base, defendendo.
o NY ocupava as bases 2 e 3 ( a de Wamby )
e havia mais um sujeito pra rebater ( A )
vamos chamalos de A B e C
o momento é decisivo. uma bela rebatida faria com que B e C corressem e virassem o jogo, sem chances pro Cleveland virar.
bom. eis que a bola é lançada.
o jogador rebate à meia altura, velozmente, com força pra frente.
num momento de extremo reflexo Wanby segura a bolaque vinha tinindo no ar { eliminado A } Quase simultâneamente Wamby estica o braço e toca no jogador C que arrancava pra correr á próxima base { eliminando jogador C} e poe o pé na base que deve guardar, eliminando assim o jogador B que vinha correndo naquela direção.

tudo isso em cerca de 1 segundo.

nesse instante Wanby eliminou o NY e assegurou o título.

bom, vamos epitemolor:
Nada do que aconteceu naquela tarde na costa leste foi isoladamente um grande acontecimento. mas combinados são simplesmente extraordinários e se projetam em consequências catastróficas.

bom.
o jogo era uma final
era o último jogo, o decisivo
era o último inning, o decisivo
o time adversário tinha 3 bases ocupadas
é normal pegar a bola no ar
é normal por o pé na base e eleiminar o jogador
é normal encostar no atacante e elimina-lo

-ok, ok, o causo é só ilustrativo. a não ser que eu esteja te enchendo o saco!
-não, não está. achei que a coisa toda girava em torno do baseball. ou gira?
-aí que tá, não gira!
bom…. o Wamby nunca foi extraordinário.
mas a combinação de fatores foi tão única que todos os pequenos acontecimentos se somaram e caíram como um turbilhão na vida daquele cara que se tornaria uma lenda viva do basseball por 1 segundo de reflexo.

e esse eu batizei como efeito Wambsganss.
ou seja: uma combinação de ocorrencias plausíveis com resultados desproporcionais.

e essa é a questão. todo mundo acaba tendo um dia de Wamby.
e eu guardava essa teoria até viver algo parecido.

olha, eu espero que goste de minha sacada histórico-esportiva.
vale a pena refletir sobre o assunto.

-e o efeito, agora dotado de nomenclatura com referência desporto-histórica, teve aplicação a algum caso recente?
-na verdade não. mas foi um dia muito bom só que as consequencias não foram bombásticas. ao menos em curto prazo. mas só o fato de uma série de pequenos acontecimentos e bons me motivaram a abrir minha teoria pro mundo.

adotei a tese, é realmente ótima. efeito wambsganns, que chamo carinhosamente de efeito Wamby
grande Menezes. grande Wamby. post grande

Sim, a inspiração para o nome desse post (e fique feliz por eu não criar mais um blog) veio do Todo Dia Um Look. A intenção aqui é simples: ensinar a galera como fazer miojo e ainda dar uma incrementada a cada almoço preguiçoso. Ao contrário do que dizem os ignorantes enganados pela grande indústria da pasta, miojo é uma massa como qualquer outra e é, sim, nutritivo. O que realmente incomoda muita gente (eu não sou um desses arigós) é o tempero. Acham sem graça. Bem, você não pode esperar que um miojo de camarão tenha sabor de camarão, mas se ignorar as expectativas, perceberá que tem um sabor ótima. De outra coisa. Seja lá o que for.

Comecemos, pois, com o…

Miojo com Coisa Verde e Ovo

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Não é a primeira vez que me inspiro em alguma criação do Menezes pra criar um post. Dessa vez foi apenas algo que ele disse no seu twitter (O, Seu Twitter, ce pode cuidar das criança enquanto vo ali na venda buscá um cigarro?!)

“SAPUCAIA na linguagem dos sinais se faz imitando um sapo com a mão e fazendo ele tombar do antebraço. SAPO + CAIR.”

Então peguei essa lista dos municípios brasileiros e comecei a rolar e parar em pontos aleatórios, escolher alguma cidade e inventar alguma forma de gesticular/demonstrar seu nome.

Sinalizando Municípios Brasileiros

Vai correndo e quando chegar na beira duma poça (ou lago, mar, riacho, etc.), para imediatamente. PARANAGUÁ

Explode uma granada. Pega a segunda e aponta pra ela. NOVA GRANADA

Aponta pra região vaginal da menina e faz sinal de “curti” (aquele com dedão pra cima). MOITA BONITA

Junta um monte de ossos e faça uma cidadela com eles. HORTOLÂNDIA

Apóia uma serra contra o ombro. AMPARO DA SERRA

Gesticula que nem italiano mostrando uvas penduradas. LAVÍNIA

Faz uma porção de água em forma triangular. LAGOA DOS TRÊS CANTOS

Coloca um quepe e uniforme de policial. Pega um nó. Corta o nó com uma serra. SERRANÓPOLIS

Levanta a mão acima da cabeça e coloca um sorriso no rosto. ALTO FELIZ1

Faz movimento de martelar em uma bigorna. FERREIROS1

Faz o gesto de fumar um baseado e aponta para o céu. CHAPADÃO DO CÉU1

Alisa as costas e faz sinal de dinheiro. COSTA RICA1

Deita no chão e faz sinal de positivo. BOM REPOUSO1

Pula feito um retardado e faz o número “4″ com os dedos. GALVÃO1

1colaborações de @Xequito14

em poucas horas, acenderei um cigarro com a cabeça levemente abaixada, em pose cansativa mas vencedora, e jogarei o cigarro para trás; logo depois, caminharei calmamente para longe da explosão.

e é assim que me sinto ao despedir-me da cidade que me criou, cuidou e, mais importante que tudo, me ensinou a não confiar plenamente em que te cuida, cria e ensina-te imediatamente o conceito de negligência e ingratidão.

Mas jamais esquecerei as célebres palavras de Dani, minha melhor amiga, quando perdemos uma amostra de vinhos por questão de segundos e, em seguida, nos vimos presenteados com as sobras da mesma: UMA MONTANHA DE CAIXAS DE VINHO, como que deixadas lá especialmente para nós, na qual nos jogamos, da qual carregamos tudo que coubesse em poucas mãos; o hino era “OBRIGADO, PORTO ALEGRE!”

Enfim,

Obrigado, Porto Alegre. O problema não é você. Sou eu.

(volta para a cena da explosão)

(créditos)

PS: perdoe-me pelas poucas bitucas que joguei sobre ti, e te perdoarei pelos muitos anti-tabagistas que trouxestes pra mim.

Atiraram seus versos sobre as mesas do bar que frequentavam, vestiram seus casacos e caminharam para à rua como um conquistador saciado abandonando sua colônia para o retorno ao lar. Estavam contentes por terem deixado pra trás, para os que chegassem depois deles, suas últimas criações, e fumaram de pé na calçada os cigarros do gozo. Já não havia um só motivo para ficar, e eles foram embora.

Embarcaram no ônibus minutos após a alvorada, o sangue quase livre do alto teor de álcool ingerido na noite anterior, e apesar do cansaço e das idas-e-vindas de uma irritante sonolência, sorriam às expectativas futuras. Sim, estavam indo para casa, mas nem sabiam que casa era essa porque ainda fariam de algum lugar a sua.

Sua acolhida seria majestosa; escreviam-lhes cartas anunciando-se e pedindo para que encontrassem logo aqueles e aquelas que por anos os admiraram de longe, que por anos sonhavam cohecer-lhes ou que queriam reencontrá-los depois de tanto tempo distantes por tantos quilômetros. Sentiam-se amados, quistos, como foram antes, mas de um jeito novo. Havia algo de especial na espera que os acompanhava em seu caminho.

Chegariam em paz, mesmo estando longe de qualquer possibilidade de estabilidade. Alcançavam, nessa viagem desesperada, a paz mental que a paz na província jamais conseguiu proporcionar a eles.

Morariam para sempre nas lembranças e na imaginação dos que os encontraram quando nem eles mesmo conseguiram te-lo feito.

Viagem ao Fim da Noite
Louis-Ferdinand Céline

Berlin Alexanderplatz
Alfred Döblin

Cidade Pequena, Cidade Grande
Jack Kerouac

1933 Foi Um Ano Ruim + Espere a Primavera, Bandini + Pergunte ao Pó + Sonhos de Bunker Hill
John Fante

Grande Sertão Veredas
João Guimarães Rosa

Em menos de 30 dias estarei longe da cidade em que cresci e vivi, e de onde poucas vezes saí. Estarei em uma metrópole para mim inédita, de onde pouco se não nada conheço, sem um teto, sem cama, sem dinheiro, sem saber o que fazer. E se soubesse o que fazer, não quereria.

A pergunta que mais tenho ouvido ultimamente é: “O que tu vai fazer em São Paulo?”. E como não sei, respondo apenas: “O que vou fazer em Porto Alegre?”. Aliás, quando me jogaram nesse mundo, também não sabia o que faria. E se 28 depois continuo igualmente perdido, por que não mudar, mover, rumar?

Vamos fugir para o norte, me dizia uma amiga. Sempre para o norte.

Se lá não der certo, se não for de agrado, tem sempre outras terras adiante. Rio de Janeiro. A tão sonhada Amazônia. O México dos sonhos de adolescente. Que se tem a perder? Desapegue-se de tudo. Já não quero dinheiro, já não quero posses que não literárias. Com algumas roupas, papel, caneta e pelo menos um livro ainda não lido a cada caminhada, tenho tudo que preciso.

Porto Alegre não é pra mim. Aliás, acho que cidade alguma é pra alguém, assim como pessoas não são para pessoas. Nós é que nos reformulamos e transformamos e transformamos o que tocamos. Pessoas, cidades, textos; tudo se forma ao contato.

E é hora de transformar São Paulo, ou qualquer outro lugar. E se eu voltar, vai ser para ver o porto, o sol, aquele montante de água que parece me chamar para longe. Porque o resto de Porto Alegre é só terra e gente, e se essa terra e gente estiverem inertes, de nada me interessam.

Adeus, e obrigado pelos peixes.*

*Douglas Adams.So Long, and Thanks For All The Fish

às vinte horas na data marcada sentava na calçada esperando a namorada com os ingressos para entrada e ansiedade estampada
na cara
às dezenova horas do dia programado pra sair com namorado chegava atrasada na casa do amado para dar a ele vinho, sexo e
adeus

um homem, dois homens, muito mais que permitia o coração

às vinte e uma horas duas de aguardo via a namorada lá do outro lado séria e atrasada não ousaria reclamar-lhe só temia
a perder
às vinte e uma horas duas de atraso viu o namorado sentado na calçada tão apavorado será que adivinhava essa noite ser
o fim?

às vinte e duas horas eram ambos solteiros, também o terceiro
eram todos felizes, estavam todos no evento, todos dançavam
celebravam, não brigavam, nem choravam, nem sabiam
e ainda dividiriam o táxi

às vinte e três horas rodopiava o carro na avenida asfaltada oleosa e empedrada envidraçada a quadra sangue na calçada
adeus

We are the filthy scum, we’re the dirty ones
We are dishonor and disgrace
to the badge carrying our names
We are the family horror
We’re our society’s pariah

O som ecoava pelo apartamento de Miriam e invadia o número 22, cuja janela da sala distanciava-se 8 metros da dela. Jocie gostava de acordar ao som da playlist da amiga. Ele tinha quase a mesma idade que ela, e a idade de uma dama não será revelada aqui. Não que ela tivesse os modos e requintes acessorais de uma; portava-se, quando necessária, com finésse e educação, mas era uma mulher extrovertida e despreocupada quase o tempo todo. Jocie, quase tal qual, mas um pouco mais contido. Levantou-se e abriu a janela. Olhou para a esquerda e lá estava ela, com os braços apoiados no parapeito, fumando um cigarro e, ao vê-lo, sorrindo para ele.

-Bom dia, rapaz! Te acordei?
-Bem a tempo. Tenho um trabalho pra fazer.
-Outra tradução idiota?
-Sim, idiota. Agora aumenta o volume, babaca, pra eu ouvir enquanto faço café.

Ela riu, jogando a cabeça para o alto, uma risada de dois tempos curtos, meio compasso, uma risada sincerada enquanto calculada. Riu e continuou ali; o cigarro ainda não acabara. Quando a música acabou, ele voltou para a janela, cantandogritando e, principalmente, desafinando a plenos pulmões:

MOOOOON RIIIVEEER, WIDER THAN A MILE
I’M CROOOSSING YOU IN STYLE, SOMEDAY

Ao que ela completou, tão mais agradevelmente, mesmo que jamais tivesse qualquer talento especial para canto

Oh, Dream maker
you heart breaker

e, finalmente, cantaram juntos:

WHEREVER YOU’RE GOING
I’M GOING YOU’RE WAY!

Ela riu outra vez e afastou-se da janela. Em seguida, ele ouviu o som de batidas à porta. Sentaram-se e tomaram juntos o café que ele preparara. Forte, sem açúcar, porque ambos gostavam factualmente do fluído que os obrigou a se apresentarem um ao outro.

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Jovem é preso após cortar faxineira em dois.

A.R., 19 anos, foi preso esta manhã pela polícia depois de uma denúncia anônima. Ele teria cortado sua faxineira, Alaíssa Aderte, com uma katana, típica espada japonesa, depois de assistir esse filme da Walt Disney Produções:

“Eu só queria dobrar a produtividade dela.”, explica. O homem detido teria feito de uso de entorpecentes psicotrópicos enquanto assistia o filme.

Entra em casa, tira as roupas com pressa, jogando-as no chão do corredor e do quarto. Pula sobre a cama alvoraçado, pensando: “que lindo seria isso se ela ainda estivesse aqui.”

Entre um cigarro e outro, olhava para a janela do prédio à frente, a janela de onde vinha apenas escuridão, e pensava nela. Em sua mente, a imagem do caixão fechado.

‘Deus, o que quer que sejas, como quer que sejas, se és, me acorda agora’. Mas não era um pesadelo, e sabia disso, mesmo entorpecido por psicotrópicos. Estava vivo, semi-vivo, enjaulado, condenado, cercado por homens estranhos, por criminosos como ele. Não sabia como tinha sido levado ao que o levou até ali, e segurava o choro, implorando por uma nova existência que negasse a sua atual.

Alice fora um caso rápido, Manoela, alguns minutos. Com Cassia viveu alguns meses, e poucas vezes a quis de volta. Mas foi Natalia que lhe fez repensar seus credos, sua moral, sua política social. E aí soube que era amor.

Idéia para curta (1): o cara tem uma amiga chamada Pandora. Ela dá uma caixa pra ele e diz pra ele não abrir. Depois de pouco hesitar, ele abre a caixa. Um gato sai de dentro. Close-in na coleira do gato: “Schrödinger”.

Idéia para curta (2): Um cara chegando na casa de subúrbio. Na caixa de correio tipo americana, lê-se “Schrödinger’s”. Ele entra em casa. Corta para cena em um aposento. Ele está lá. No meio, tem uma caixa. Ele abre a caixa e salta, de dentro, uma cabeça de palhaço ligada a uma mola.

“Estudante mata flor inocente separando-a do caule e usa em tom de ameaça como mostra do que fará com policial.” \ “Assassino!”, protesta Tony da Gatorra.

estudante exibindo flor para policial durante ocupação na USP

“Eu juro que queríamos abortar.”, desculpam-se pais do garoto.

estudante exibindo flor para policial durante ocupação na USP

“Policial mostra profissionalismo ao conter o riso.” – “Foi difícil (risos), mas tentei pensar em coisas tristes e consegui não rir até tirarem a foto, pelo menos.”, diz o agente em entrevista posterior.

estudante exibindo flor para policial durante ocupação na USP

“tive mais um daqueles sonhos, doutor.”
“o sonho recorrente?”
“sim… mas dessa vez eu não eu era o único corretor de imóveis maconheiro do mundo…”
“…”
“dessa vez eu não era o único escritor do mundo!”
“entendo.”
“não, tu não entende. descobrir que eu não era o único escritor do mundo me causou a sensação de pesadelo, foi horrível.”
“e por que foi tão horrível? semana passada você sonhou que não era o único fã de beatles no mundo e não pareceu tão ruim.”
“mas é que… os outros escritores usavam linguagem coloquial!”
“e…?”
“nos textos!”
“não saquei, mano, do que ce ta falanduuuuuuuu?”

close no protagonista.

a cabeça dele explode.

sobem os créditos de Scanners, de Cronenberg.

Bom fim de texto pra todos.

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