difícil não lembrar de bukowski quando se tenta escrever mas é constantemente interrompido por algum empecilho humano externo (ler ‘doze macacos alados não conseguem trepar sossegados’). então, meu personagem acabara de apaixonar-se, ou acreditava tê-lo feito, sofrido, o que for. agora é preciso dar continuidade à essa pequena introdução e…

‘com licença, preciso de ajuda’

‘todos precisam, beibe.’

talvez eu deva contar sobre como ocorreria o segundo encontro deles, mas isso é uma seqüência um tanto irritante. ele vai pra casa, pensa a respeito do que aconteceu. não! melhor ainda, o segundo ato é um poema. um poema escrito por ele, isso ficará claro, e mostrará suas primeiras sensações no encontro com o demônio em suas vestes femininas.

‘oi, eu tô precisando de uma informação’

’só uma?! se tu chegou tão longe não sou eu que vou te ajudar a realizar o MEU sonho!’

quais anjos, a mim demônios, privaram-me até ora de tal visão?

que caiam céus e infernos sobre mim se for errado amar assim

que amo e trocaria cada pedaço, cada toque,

cada beijo e cada desprezo que compôs minha existência

por toda infinitude de momentos que vivi essa noite

pois que nela tive…

‘onde é que paga estacionamento?’

‘final do corredor.’

’só lá?’

’si. dó.’

pois que nela tive no molhar de um beijo

a tempestade dos mil anos num relampejo

vá-te, memória de mim!

vá-te deus que me criou, mulher que me amou

pai que me educou e mãe que gerou

vá-se tudo e fique apenas ela a quem hoje conheci

ela há quem hei de devotar-me

esteja onde estiver e pr’onde formos…

em sorrisos bobos, como os sorrisos recheados de ópio, permitiu-se dormir, sonhando acordado em sonhar inconsciente com a amada.

‘você sabe me informar que horas chega o próximo vôo de buenos aires?’

’sorry, miss?’

‘ahnm habla portugues?!’

‘pardon, mais je ne pas compreende-vous!’

‘ai’

‘you…?’

‘esquece.’