Quando eu era criança era comum que me corrigissem cada vez que eu desejasse ‘saúde’ verbalmente a uma pessoa que tivesse espirrado. Muitos consideram deseducado. Esse ponto de vista, como percebi através de pesquisas sociais – aí a vantagem de ser uma criança de modo geral introspectiva que tinha algum facilidade e interesse em lidar com adultos – que o motivo seria a conotação na palavra, já que o preferente parece sugerir que o outro esteja desprovido de saúde. Seguem abaixo sugestões de como desvencilhar-se desse dilema sem usar o termo polemizado nem ignorar o autor do espirro.

Olhe de lado, irritadiço, como mostra a figura: e diga ‘Porra.’, em voz grave e severa mas calma.

Retire-se do ambiente ou ao menos da proximidade à outra pessoa. Se puder, vista um par de luvas para esclarecer germofobia.

Não ouse espirrar, mesmo que sinta necessidade (tranque a respiração, se precisar): ninguém gosta de piedade ou condescendência.

Se quiser martizar-se, a flatulência é o único meio, embora exageradamente radical – não há como prever as conseqüências sociais disto.

Use o próprio incidente para desviar atenção e até renovar assuntos corriqueiros: ”Isso remonta uma discussão que tive anos atrás com meu otorrinolaringologista. Falávamos sobre o plano de reforma ortográfica sugerido por alguns gramáticos, que visava simplificar…”