Ela diz que mato, que o cigarro me mata, que morro aos poucos com meu vício maldito e tudo isso enquanto ouço meus queridos Sá, Rodrix & Guarabyra tocando Blue Riviera. Respondo, gentil, que meus tempos de nebulização e acordar todo dia com falta de ar tempo a morte asmática se foram; troquei os aparelhos respiratórios pelo velho cigarro que por anos me acompanhou, e que me sinto melhor do que quando infante.
Uma brasa cai e queima o copo próximo a mim; vejo o isopor queimando, a fumaça subindo, e sobre minha mesa, que poucas horas antes limpei, da qual tirei o pó, cinzas caídas, jogadas no susto da queima surpresa. Que irônico! exclamo; defendo o tabagismo que limpou meu pulmão e com o cigarro sujo a mesa, sendo eu mais cuidados como a casa do que com o corpo.
Ela reclama; só de ver o que fizestes, sinto o próximo ataque da rinite.
Brincando, a chamo de junkie; rinite? pó na mesa? Sei o que te faz espirrar.
‘Se eu tivesse feito alguma coisa pra dar motivos pra tu me chamar de junkie eu não tava aqui, cheirando a tinta da porta, o pó dos livros e dos furos da prateleira. rinite de loser, sacomé…’
A tinta da porta? O pó dos livros? O furo das prateleiras?
‘Sim. Tudo que eu gostaria de cheirar, menos o cheiro do teu suor quando me abraça depois de um dia de trabalho, mas agora sou só eu e esse apartamento vazio sem você pra me abraçar, pra pintar o quarto, pra organizar teus livros em meio aos meus na prateleira.”.
E continua a tocar Sá & Guarabyra, agora cantando

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