Fico puto da cara quando alguém tenta atacar a pornografia comparando-a com prostituição, como se essa segunda fosse uma profissão diminuidora, como se chamar alguém de prostituta, no sentido preciso (e portanto não pejorativo per se) da palavra fosse uma ofensa.
Vejo publicitários vendendo suas almas pra defender marcas que exploram o trabalho manufatereiro ou deterioram em nome do lucro a saúde de crianças (só estão fazendo seu trabalho, como tantos agentes da SS – perdoem o reducto), e no entanto, quando uma (ou um) profissional fecha um negócio em comum acordo com o cliente, que é beneficiado em inúmeras formas – já que a satisfação do corpo é a satisfação da mente, ela é criticada como se estivesse de alguma forma prejudicando a outrem.
Há quem diga que mulheres são forçadas à prostituição (não ouvi o mesmo sobre pornografia). Nesse caso, não é a abolição que solucionára um problema. Isso seria o mesmo que demitir todos os empregados de determinada área profissional do mundo para impedir que alguns sejam escravizados ou trabalhem em condições prejudiciais extremas. Feministas que são contra a prostituição, sinceramente, não deveriam se chamar feministas; afinal, estão indo contra o direito de uma mulher contra o próprio corpo. Entendo a preocupação com o bem-estar da mulher, mas o que deve ser feito aí é lutar contra a prostituição exploratória, e não contra a profissão em si.
Meus caros, melhor abolir, ou ao menos incentivar uma diminuição massiva, a produção de automotores poluentes, de alimentos ricos em glutomato de potássio, as franquias daquela famosa rede de restaurante fast-food.
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“A prostituição é o ato em que uma mulher adulta vende sexo por escolha própria. Aqui ou na França, as prostitutas ficam furiosas quando se fala em ‘prostituição infantil’. ‘Não existe prostituição infantil’, elas dizem. ‘Se uma criança está transando por dinheiro, ela não está se prostituindo, está sendo estuprada’.”
A ministra e a prostituta, por Eliane Brum.

4 comentários
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outubro 23, 2012 às 4:59 pm
Luciana
Eu gosto dos teus textos, leio teu blog semanalmente e quando não tem nada busco alguma coisa no arquivo, minha leitura em seqüência: ( escrevalola/coiote/bulevoador ;)) não costumo comentar mas achei este texto um pouco confuso. Tem gente que ataca prostitutas por conta da pedofilia ?( imagino que seja pedofilia e não pornografia…até pq quem levaria a sério quem critica pornografia??)O foco está totalmente mal direcionado…essas pessoas têm que se voltar para igrejas e afins!!
outubro 25, 2012 às 2:45 am
J.P. Flores
o meu texto foi meio escrito às pressas. de fato, são só algumas considerações que fiz pra passar o link do texto da eliane, que é muito bom.
fato, atacar prostituição é ridículo, desrespeitoso, e até ilógico, em geral. no caso, ela menciona que as prostitutas em defesa da profissão gostam de deixar claro que prostituição é uma opção profissional, enquanto “prostituição infantil” não é prostituição, mas caso de estupro mesmo.
novembro 2, 2012 às 8:16 pm
gospel
tche… quais os principais motivos q levam pessoas a se prostituir? sao varios e geralmente tragicos… segundo o nosso Programa Nacional de Direitos Humanos versão 3 (PNDHv3) a prostituicao sera “incentiva” com carteira assinada e outros “beneficios” como pagar impostos… Eu acredito q a prostituicao é sim uma profissao (provavelmente foi a primeira forma d prestacao d servicos da humanidade) mas esta deveria, ao meu ver, ser desencorajada e combatida porque dificilmente você vai encontrar um(a) profissional do sexo que realmente goste de literalmente tomar no cú e engolir porra.
novembro 7, 2012 às 12:35 pm
Luciana
Creio então que é bom combater os motivos( realmente, por vezes trágicos) que levam alguém à prostituição e não a prática ou a profissão regulamentada. Não esqueça que as mulheres exploradas finalmente estariam amparadas pelos direitos da CLT. Acho superjusto quem trabalha em um local e contribui para o crescimento do estabelecimento ganhar férias, 13º e por aí vai.