Fico puto da cara quando alguém tenta atacar a pornografia comparando-a com prostituição, como se essa segunda fosse uma profissão diminuidora, como se chamar alguém de prostituta, no sentido preciso (e portanto não pejorativo per se) da palavra fosse uma ofensa.

Vejo publicitários vendendo suas almas pra defender marcas que exploram o trabalho manufatereiro ou deterioram em nome do lucro a saúde de crianças (só estão fazendo seu trabalho, como tantos agentes da SS – perdoem o reducto), e no entanto, quando uma (ou um) profissional fecha um negócio em comum acordo com o cliente, que é beneficiado em inúmeras formas – já que a satisfação do corpo é a satisfação da mente, ela é criticada como se estivesse de alguma forma prejudicando a outrem.

Há quem diga que mulheres são forçadas à prostituição (não ouvi o mesmo sobre pornografia). Nesse caso, não é a abolição que solucionára um problema. Isso seria o mesmo que demitir todos os empregados de determinada área profissional do mundo para impedir que alguns sejam escravizados ou trabalhem em condições prejudiciais extremas. Feministas que são contra a prostituição, sinceramente, não deveriam se chamar feministas; afinal, estão indo contra o direito de uma mulher contra o próprio corpo. Entendo a preocupação com o bem-estar da mulher, mas o que deve ser feito aí é lutar contra a prostituição exploratória, e não contra a profissão em si.

Meus caros, melhor abolir, ou ao menos incentivar uma diminuição massiva, a produção de automotores poluentes, de alimentos ricos em glutomato de potássio, as franquias daquela famosa rede de restaurante fast-food.

“A prostituição é o ato em que uma mulher adulta vende sexo por escolha própria. Aqui ou na França, as prostitutas ficam furiosas quando se fala em ‘prostituição infantil’. ‘Não existe prostituição infantil’, elas dizem. ‘Se uma criança está transando por dinheiro, ela não está se prostituindo, está sendo estuprada’.”

A ministra e a prostituta, por Eliane Brum.