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É extremamente irritante quando tu faz uma piada sobre judeus e tu ouve de alguém, seja do grupo de pessoas com quem conversava ou de uma pessoa próxima, algum sermão acusativo. Não vou negar que existe o anti-semitismo, porque existem, sim, povos que odeiam exclusivamente judeus, assim como existem grupos que odeiam exclusivamente estrangeiros a seu país, que odeiam asiáticos, enfim, alguém foi levado por algum motivo a odiar algo.
Quer prova maior de egoísmo do que um judeu que acredita que seu povo sofre pela intolerância alheia? É importante lembrar que o povo judeu é tão perseguido quanto qualquer outro e que sofreu como qualquer outro grupo de pessoas já sofreu, mesmo que relativamente. Cristãos foram perseguidos e mortos, e atualmente o anti-cristianismo está em alta, visto o aumento da população que não só entende a religião e o atento à liberdade a ela e a seus dogmas relacionados, como vê no cristianismo o principal propagador da alienação do ser humano. A Igreja Católica e sua história recente (entenda-se por ‘recente’ os séculos que se passam desde antes do renascimento até o momento atual) é a principal ou, no mínimo, mais conhecida causa para que o cristianismo seja o principal representante do inimigo da evolução e harmonia humanas. Não entremos nesses pormenores, ou especificações, agora.
Judeus foram perseguidos por muito tempo e por muita gente, assim como os cristãos, assim como muçulmanos e muitos outros grupos religiosos. De fato, muitos outros grupos de pessoas foram discriminados, perseguidos torturados e mortos: homossexuais, negros, comunistas, etc. Então para uma pessoa acreditar que o seu povo é alvo de discriminação, de ódio e de perseguição é preciso que ela seja fechada de tal ponto em seu mundo que discrimina os outros povos ao ponto de ignorar completamente a realidade deles.
*É que a pizza não reclama quando vai para o forno!
Finalmente deixei a procrastinação pra outra hora e comecei a ler Maus, de Art Spiegelman. Embora ainda me falte folhear as páginas do segundo volume deste romance gráfico, já posso dizer que, além da excelente qualidade da arte seqüencial em si, a história do sofrimento dos judeus pela perseguição anti-semita enjambrada pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial foi poucas vezes ou talvez nunca tão bem contada. Estou longe de ser um anti-semita, é claro, mas tampouco jamais consegui me importar com o que insistem em chamar de holocausto. De fato, Israel dá bons motivos para que desejemos que tal evento tivesse acontecido em muito maior escala, mas longe de mim querer culpar todo um povo pelos atos de bárbarie e desrespeito à raça humana cometidos por uma parte desta raça-etnia-religião, mesmo que essa parte possa ser a maioria. Art Spiegelman, de certa forma, mostra a sensibilidade do povo judaico quando o assunto são seus próprios problemas, mas mostra também o horror a que são submetidos inocentes quando o ódio, a vingança e a intolerância se aplaca sobre um determinado grupo.
Não à toa, no segundo volume da série o Estado de Israel é mencionado justamente por seu desdém e crueldade para com outros povos.
Uma pena que a facção judaica que insiste em declarar Israel sua pelo que parece ser uma disputa de crianças pela propriedade do pátio da escola não perceba isso. Não é uma questão de quem chegou primeiro ao pedaço de solo, mas sim de lembrar que já houve uma expansão e que eles usufruem de liberdade religiosa e cível em geral no resto do mundo, razão suficiente para abandonar a terra que há muito já pertence por direito aos palestinos.
