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Para onde ir senão servirem-lhe a janta e pedirem gentilmente que permaneça na rua? Nenhum vinho ou coberta o aquecerá… Não teme perecer em alguma viela ou cair durante a caminhada sem destino?
Mendigo idiota! Nem chora, nem pede, apenas bate de peito contra o vento, teimoso; imortal até segunda ordem.
(O MENDIGO NOTA O POETA LENDO EM VOZ ALTA PARA O AMIGO)
De que adianta ler em voz alta, esforçando-se na entonação de algumas palavras soltas, se entendias teu locutor?
Vejo daqui a pressa dele para que termine o martírio – quantas páginas mais tem este livro?! – Não quer interromper o companheiro de copo, vejo. Deseja ainda mais um vinho. E o locutor anuncia a vontade (necessidade!) de ir embora. Que bela poesia, as relações humanas vistas de longe. Me embriagam.
(POETA)
Que ele quer, olhando pra cá? Essa barriga proeminente, bochechas como pequenas almofadas para aquela testa envolta em pêlos desgrenhados onde repousam as moscas em seus últimos dias; bem alimentado, ele!
Caem em risos cruéis, indiferentes, chegam a contorcer as faces e lacrimejar. Enchem os copos de cerveja e brindam à amizade. Este andarilho muito sabe e fica lá fora nos admirando. Talvez tenha rodado o mundo pegando caronas em aviões. Imaginam-no jovem, cabelos despenteados pelo vento enquanto caminha de mochila às costas pela pista de decolagem apontando o polegar para cima cada vez que ouve ao longe as turbinas, xingando o piloto por não descer e abrir a porta para ele.
E eles ficam ali dentro, um tolerando amigavelmente o falatório ora enfadonho ora poético do outro, o outro a servir-se; da cerveja da garrafa, do ouvido alheio, da interpretação cômica da condição humana. Estão trancados no salão além do pórtico aberto, seus traseiros sobre as calças presas a cadeiras desordenadamente postas nos azulejos brancos acimentados à base do prédio.
“Dor? Dor é como o amor, a emoção. É atributo de homens inferiores. O que é a dor para Destino?”
-Dr. Victor Von Doom
Das novidades do mundo das adaptações expostas diariamente no site gringo Bam! Kapow!, algumas atrações merecem destaque pela temática inusitada.
Para começar com o que ainda está por vir e já irmos nos preparando fisicamente para balançar o esquelo, o musical Spider-Man: Turn Off The Dark deve estrear em fevereiro do próximo ano, o que, acredito, é uma forma de homenagem ao aniversário do criador desse blog. Por outro lado, a possível presença de uma atriz que aceitou participar do infame Across the universe poderia a credibilidade do projeto.
O site também apresenta uma curta matéria sobre o roteirista encarregado da adaptação de Cowboy Bebop para o cinema. Não um segundo longa metragem em animação japonesa, mas um live action film, o que por si só já pode ser caracterizado como uma ofensa à qualidade do anime. Poderia-se pensar que é uma tentativa de homenagear e difundir a série entre um público ainda ignorante a esse tipo de produção, mas o nome Keanu Reeves ainda carrega em si a tragédia popularmente conhecida como Matrix, cujas segunda e terceira partes escritas às pressas em contrariedade aos textos originais às pressas para arrebatar dinheiro de um público transformaram uma história razoavelmente interessante com incríveis efeitos visuais em uma piada midiática com incríveis efeitos visuais. Por outro lado, ele parece ser o cara certo, especialmente no quesito visual, para o papel de Spike Spiegel. Desde que o personagem não se torne politicamente correto ao ganhar carne e osso e decida parar de fumar, como aconteceu com Constantine.
E pra finalizar (ou, como diria o Monty Python na esquete do garfo sujo, and now, for the punchline): comédia stand-up do Dr. Destino, a.k.a. Victor Von Doom. Não se pode esperar muito em termos de humor, mas a idéia em si já foi ganha pontos.
às vezes eu gostaria que john connor mandasse d.r brown enviar o bill murray ao passado para salvar o mundo pedindo que michael j. fox fizesse a cobertura do dia da marmota.
…filme sobre um guerrilheiro argentino que viaja até uma ilha para apoiar a ascenção política de um militante comunista: Che-Gay!.
O filme que comemora os 30 anos de Sexta-Feira 13 é simplesmente MUITO BOM. Chamá-lo de remake não é adequado, e não digo isso da mesma forma que um fã o diria do ‘remake’ de “O Massacre da Serra Elétrica”. Enquanto este último citado é um bom filme de terror que readapta seu original (mudando personagens, cenas, época, etc.), o novo “Sexta-Feira 13″ é também uma adaptação a tempos mais modernos, e um verdadeiro tributo ao início da série. Jason Voorhees em sua essência, digamos: humano, demente e agressivo. Defende seu território, ataca como o Jason que viu sua mãe ser morta. Ah, outro detalhe importante: o filme mostra a seqüência dos acontecimentos dos três primeiros filmes da série original, apenas em um espaço mais curto de tempo. A Sra. Voorhees como assassina e, depois, um Jason já adulto que cobre seu rosto com um pano. E pros fãs da máscara (que surgiu em Sexta-Feira 13 parte III), ela aparece ainda na primeira metade do filme.
O Jason corre. Ele se machuca. Ele espreita, ele guarda os corpos, enfim, é o Jason antes de toda aquela série de ressurreições e exageros que faziam-no parecer ter poderes de super-homem (invencibilidade e supervelocidade, por exemplo).
Enfim, recomendo. Site oficial do filme, em inglês.
Já acreditei que meu grande sonho fosse escrever para o cinema pornográfico, mas a verdade é que não haveria muito trabalho nessa área. Tu cria um conceito e deu, o resto é entre diretor e elenco. O que eu gostaria mesmo seria escrever filmes dos anos oitenta ou, ainda melhor, pornô-chanchada dos anos setenta. Essa sim é a melhor vertente do cinema brasileiro. Aliás, do cinema em geral. Adaptações de quadrinhos? Puro entretenimento. Nunca são filmes realmente bons e, como adaptações, são sempre péssimos (Sin City é hors-concours). A volta do cinema erótico brasileiro seria um acontecimento excelente, especialmente se considerarmos a nova geração de atrizes brasileiras, ainda talentosas e que, fisicamente merecem, às vezes, o status de diva. Deborah Secco, enquanto estiver jovem, Juliana Paes e Carol Castro seriam o carro-chefe do movimento, além da geração mais recente, que inclui mulheres maravilhosas como Stephany Britto e, minha preferida, Juliana Lohmann – além de uma ótima atriz, pasmem, gosta de escrever. Sem dúvida seria a minha escolha como protagonista de uma grande produção.
