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DIVAS DOS ANOS 50
Um padrão de beleza de seis décadas

por Lízia Bueno
colaborações de Coiote Flores

    Comecei o projeto do Seminário Científico com o tema “Marilyn Monroe: como ocorre a transformação de uma mulher em um mito?”, já que a mesma é minha atriz predileta e me interesso muito por sua vida e legado, mas com ajuda do meu orientador decidi mudar para um assunto mais vasto, que eu não conhecesse tanto e fosse mais interessante. Me interesso por moda e cinema – principalmente quando se trata da década de 50 – há muito tempo, então me pareceu um bom assunto pra seguir com o trabalho, já que envolve dois tópicos do meu gosto.

    Desde sua criação e difusão como um importante meio de entretenimento e cultura, o cinema dita moda. As roupas das estrelas, o cabelo, a maquiagem, até o modo de agir, falar e andar sempre inspiraram as mulheres. Meu trabalho está focado nos anos 50, década decisiva para o surgimento de novos padrões femininos, não só de beleza, mas também de comportamento. Passada a Segunda Guerra Mundial, o mundo estava em reconstrução e o papel da mulher na sociedade estava mudando. A mulher começava a conquistar sua independência ao sair de casa para entrar no mercado de trabalho e a contribuir para a renda familiar. Tornavam-se senhoras de si e o cinema refletia isso com as novas estrelas, mais sensuais, com personalidade forte e personagens ousadas. Marilyn Monroe é o exemplo perfeito disso. Sozinha em casa após o marido alistar-se na Marinha, foi trabalhar como modelo para se sustentar e tornou-se uma das maiores estrelas de todos os tempos. E este é só um dos exemplos, Elizabeth Taylor e Audrey Hepburn, entre muitas outras, tiveram histórias parecidas ao entrar para o mundo do cinema.

MARILYN MONROE

    Era bonita, voluptuosa, sexy e uma das atrizes mais atraentes dos anos 50. Participou de 23 filmes na época. Marilyn tornou-se uma das atrizes mais célebres – se não a mais – de todos os tempos. Toda essa fama não se dava por um talento extraordinário, mas sim por sua personalidade e sua imagem de sex symbol. Na maior parte das vezes, Marilyn ganhava papéis de loira burra para poder fazer cenas sensuais. Formavam-se engarrafamentos sempre que Marilyn passava pelas ruas de Los Angeles. Tornou-se mundialmente conhecida por seus cabelos loiros platinados, suas roupas, voz suave e comportamento ousado. Não bastasse, foi capa da primeira edição da Playboy e foi amante do presidente John Fitzgerald Kennedy.
    O “estilo Marilyn” foi ecoado por Brigitte Bardot, que muitos diziam ser sua versão francesa, com cabelos loiros, lábios cheios e forte apelo sexual. Hoje em dia, podemos relacioná-la diretamente à atriz Scarlett Johansson fisicamente, na personalidade e no modo de se vestir. Várias atrizes se inspiram em Marilyn. Megan Fox é outro exemplo; admira-a tanto que tatuou o rosto da atriz no antebraço.

ELIZABETH TAYLOR

    Cabelos pretos, olhos violeta e deslumbrante até o último de dia de sua vida, Elizabeth Taylor estava no augue na década de 50. Jovem, vibrante e cheia de vida, ela era uma verdadeira estrela. Com suas seis indicações ao Oscar e duas vitórias, Liz Taylor se envolveu com os homens mais bonitos de Hollywood. Reinou como a estrela que todos queriam ser e todo mundo queria estar com. Sua versalidade e beleza envolvente a tornaram uma das maiores estrelas que Hollywood já teve.
    Todas as mulheres da época desejavam ter seus olhos, seu porte elegante – também visto em outra atriz da época, a adorável Grace Kelly – , sua beleza clássica e suas joias. Passariam a comprar nas mesmas lojas que ela, a imitar seu jeito e seus penteados. Morreu recentemente, e mesmo doente continuava sendo a estrela que sempre foi, sendo vista na companhia de Karl Lagerfeld e adorada por todos.

AUDREY HEPBURN

    Muito antes de Kate Moss ser motivo de polêmica midiática, acusada de fazer apologia à magreza – e portanto a distúrbios alimentares que resultassem nesta – e ao cigarro, outra tabagista notória destacava-se com seus meros 50 quilos em massa corpórea (para uma altura de quase 1,70 metro) e 50 centímetros de cintura. Audrey Hepburn redefiniu tudo que se conhecia como a figura feminina ideal. Ela era uma mulher magra, de feições leves, uma silhueta fina e de poucas curvas que vinha de frente com a precedente voluptuosidade à qual o público estava acostumado, tendo como ícone Marilyn Monroe – as mulheres querem sê-la, os homens querem possuí-la. De repente, existiam duas mulheres ideais: Brigitte Bardot da segunda sequência de “O Desprezo”, com suas curvas tão exuberantes quanto atraentes, e Audrey Hepburn desfilando sua elegante magreza pela Fifth Avenue do final dos anos 50/início dos sessenta.
    Essa estranha mas lucrativa dupla de opções foi graciosamente mencionada em um episódio de Mad Men, onde Marilyn Monroe e Jackie Kennedy são consideradas, pelos autores da peça publicitária, as mulheres que toda estadounidense almeja ser; loira, com pernas grossas e dotada de uma ludibriante aparência ingênua, ou de cabelos escuros, magra e impecavelmente vestida.
    É comum pensar que o padrão de mulher bonita e desejável tende à magreza, baseando-se nas musas de pintores clássicos, todas encorpadas, muitas vezes aparentando um peso hoje considerado muito acima do ideal. Essas pinturas retratavam mulheres de uma sociedade em que ostentar peso era ostentar poder, riqueza; a obesidade de um rei representava sua opulência porque nela estava implícita sua capacidade financeira de arcar com os custos de grandes banquetes. No entanto, mesmo na Era Vitoriana – ou seja, desde muito antes dos irmãos Lumiére apresentarem o cinematógrafo ao mundo – as mulheres já afinavam suas formas e apresentavam até distúrbios alimentares decorrentes disso. Os espartilhos afinavam a cintura e destacavam os seios tanto quanto o recato da época permitia. O que o cinema permitiu, no entanto, foi a difusão acelerada de novos estilos e tipos físicos. Se num momento a América do Norte e o mundo invejavam as formas sedutoras de uma Marilyn Monroe no auge da carreira, pouco depois a personagem tirada do romance de Truman Capote já representava um novo objetivo para a mulher que quisesse se sentir atraente ou até bonita apenas para si mesma.
    A América amava Audrey. A década de 50 tornou Audrey Hepburn um nome conhecido. Diferentemente da maior parte das estrelas de sua época, ela não era um ídolo teen, apenas um nome ou puro sex appeal. Ela era uma atriz de verdade. Uma protagonista na vida real. Além da beleza graciosa, a atriz era uma pessoa boa. Sua vontade de fazer o bem sempre esteve presente, e a bondade é uma de suas características mais marcantes. Mesmo após sua morte, a atriz continua a fazer trabalhos humanitários, considerando que parte de seu testamento foi direcionado à sua instituição de caridade a crianças carentes.
    Audrey pode ser considerada uma das mulheres mais influentes do mundo, pois foi com ela que os padrões de beleza mudaram. Audrey Hepburn ajudou a trazer a magreza para a mídia, tendo Twiggy como sua sucessora. Agora, ao pensarmos em uma mulher bonita, pensamos em modelos, todas magras e de cintura finíssima. Audrey as tornou bonitas.

Não reclame porque acordou cedo com o som de martelos, furadeiras e outras fonias típicas de obra no vizinho. Você poderia estar ouvindo Titãs Acústico Volume Dois.

E daí se sua namorada implica com aquela camisa amarrotada e suja do time que você insiste em usar por dias seguidos ou se ela faz sons quase brochantes durante o sexo e insiste em dizer euteamo depois? Tem gente que teve que comer a Xuxa. É sério.

Marcha pela liberdade. Marcha pela liberação da maconha. Marcha contra racismo. Beleza, mas pra ir às ruas limpar as calçadas e melhorar efetivamente a cidade ninguém se mexe, né? Ainda jogam bituca no chão enquanto fazem outras marchas!

Gente que acha que passou muita vergonha porque bebeu demais na festa ou porque foi fotografada com cara amassada de manhã cedo. E aquela gente que apareceu no LooksLikePoa, aquele portifolio contínuo da jequice bairrista?

A sociedade, tanto nos limites de país (na maioria dos casos) quanto como um contingente mundial, busca, ou demonstra buscar, uma convivência pacífica visada através de uma série de regimentos com os quais busca-se regulamentar permissões e obrigações que evitem a violência física, psicológica ou social. Leis são criadas para garantir um comportamento condizente com a sociedade humana, que evoluiu em comportamento de tal forma que o funcionamento brutal da vida selvagem não se aplica a ela. Essas leis tentam prevenir eventuais ações que desrespeitem o ideal de convivência pacífica almejado pela maioria de membros da sociedade.

Vital para o asseguramento de tal harmonia social é a aceitação da diversidade inerente a uma vida em sociedade que preza a liberdade é a aceitação do comportamento alheio, desde que este não afete outrém negativamente.

Se você não está pronto para aceitar que outras pessoas tenham preferências sexuais diferentes das suas, que tenham hábitos sexuais diferentes dos seus, então é você que não está pronto para viver em sociedade.

As drogas são um assunto mais complicado, não questionemos isso, mas já é de conhecimento amplo da sociedade os benefícios que a maconha pode trazer ao usuário, da mesma forma que já sabemos bem o exagero em relação aos malefícios do fumo desta erva. Como acontece ao tabagismo, cabe ao bom senso do usuário respeitar o espaço do não fumante. No mais, não há realmente motivo para que se oprima o uso.

Se você não aceita que outras pessoas fumem maconha, é você que não está pronto para viver em sociedade.

Cavalos corriam aloprados pela rua e eu dizia: “Que pare a censura!”.
É assim que se age sob os efeitos da maconha. Não me pergunte por que a recrimino; aceite, eu não fumo. Antes toda anfetamina e sua seqüela do que a vergonha de ser burro agora.
Que se joguem sobre mim os estigmas do junky clássico, mas jamais enrolei papel na merda pra fumar. Quem come cocô é cachorro, mas quem inala sua fumaça é verme.
Equiparam-se a seguidores de Jah, aos norte-americanos sessentistas (esses já usuários de misturas herbáceas genéricas) e nada mais fazem do que alimentar a indústria de químicos que ferra nosso país e mata crianças, jovens, civis desavisados enquanto enriquece as igrejas que pagam os salários dos deputados por eles eleitos para não alterarem a legislação que permite o crime.
Vivemos num país produtor de maconha pra exportação usuário de adulterada, misturada e distribuída para os pseudonaturalistas que a compram e consomem ao leve custo de vidas arrancadas na infância. Todo maconheiro brasileiro é um assassino inescrupuloso egoísta e muitas vezes autoafirmado inocente ou até um benfeitor.
O efeito da maconha está à nossa volta.
Aos que querem mudar a legislação, digo apenas: pare de fumar agora, por enquanto. Trabalhe com as leis antes de usufruir do resultado da exploração e do crime.

Como cantaria Jim Morrison junto a seus queridos The Doors, o verão está quase acabado. Sim, é hora de pendurar as sandálias, tirar a areia que ficou presa na beira do cu e tomar nescau no copo e não no corpo.

As diversões de verão, claro, não mudam. Tem coisa melhor pra fazer na praia do que jogar canastra de dupla tomando caipirinha até a hora de ver Big Bother [intended pun]? Poucas, mas tem. Não seria verão se eu não atravessasse a Interpraias no meu Kadet com o som irado estourando na potência máxima – claro que o volume é abaixado com timing impecável na hora de gritar ou buzinar pras garotas que caminham no acostamento. E se a saudade dos tempos inocentes bate, tem Vengaboys no iPod.

Vai-se o verão, ficam as lembranças. Aquele baseado na beira da praia à noite, as porradas nos piá que olham torto e, claro, aquele cabaço arrancado à força depois de muita tequila com sal e limão.

Tá dado o recado. Muita paz, brother!

—-

escrito com a colaboração involuntária de fergs

Café queimando a língua, sol queimando asfalto. Me empresta o isqueiro? Claro, taí, acende teu câncer na paz.

Cabeças incendiando, combustível em excesso, falta-lhes uma válvula de escape. Vai correr, vai suar, vai.

Cerveja gelada, gargantas rasgadas, canelas chutadas, gritaria desenfreada. Roda punk, passeio, trepada.

Poesia em prosa, em polvorosa, livre de trocadilhos, cheia de interpretação. Só serve pra foder a mente.

Queiras tu traçar a linha divisória entre Distúrbio de Déficit de Atenção e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade através de definição mais realista e precisa de condição humana que tentam classificar, escreverei apenas: Capacidade e Vontade Criativa untas ao Efeito Ambiente Canalizado e em Constante Movimentação.

cy 23rd.

Selvageria urbana, corrida contra a pressa, pretensa paz, olhares forçadamente alegres e rostos indiferentes. Falso respeito, pavor de cigarro, medo e repulsa estampados em convencionalismos modernos. Comentários rasos, risos vagos, alta filosofia de banheiro em congressos e seminários. Descobertas tardias revolucionárias.

O homem moderno caminha em direção ao fogo que teme, deseja e não controla.

A vantagem de não se ter uma estação definida é que você não recorre à insignificância de escrever sobre a estação vigente e, com algum esforço, ignorará ímpetos nostálgicos de escrever sobre as belas primaveras da infância. Que diabos é primavera para uma criança? A flor desabrocha e você imagina o que se esconde sob a saia da amiga da prima.

A estação então é puberdade.

Perda da inocência para os simbolistas, puritanos e outros analfabetos funcionais munidos de papel e caneta.

Falarei então dos belíssimos trevos que notei hoje – e como somente os notei? – no jardim que atravesso diariamente em meu trajeto a lugar qualquer. Verde, brilhante sob o sol que atravessa a nublagem com esforço, remetente a momentos letárgicos. Basta um vento para que alguém obedeça ao impulso natural de arrancar do corpo os tecidos que o cobrem e entregar-se à ilusão de ser derradeiramente um com a natureza da qual veio.

Que vento e de onde viria, não sei dizer.

A estação é liberdade, mas o céu está encoberto.

É tempo para a colheia apressada de cevada liquefeita belga. Tempo ideal para andar descalço, de bermuda, saboreando cigarros e companhias refrescantes; época de preocupações momentâneas.

Ouvi vós tango? sem choro, usando os contrapontos ao sabor do ouvido e da alma. Fazei bom uso dos chapéus de palha, escondei o couro cabeludo que cobre o crânio que não cobre as despesas do trabalho dentro dele exercido.

A estação é espontaneidade.

Base de milonga te acompanha enquanto… – entra a percussão suave interrompendo considerações descabidas. Considerai a infinitude de eventos que trouxeram ao momento presente tua percepção do que vives, lês, sentes. Lembras de tudo? De cada estação? Fortuitamente, não. Tamanho reconhecimento de tempo vivido é certeza de uma vida ignorada enquanto acontecia. Toda vida alheia te interessaria e serias dependente de ficção, contemplação ou limitação.

A estação é insanidade.

Absorvemos histórias alheias, bizarras, incomparáveis às nossas. Um rapaz que passara a infância sob a vista de um tarado, outro masturbava-se à companhia da mãe. Logo se percebe a série de lembranças remotas e confessam-se as recentes. Melhor gozada: aquela que virou massagem na qual o creme ejaculado serviu como óleo. Deus quer saber mais. Um michê carinhoso tocou a alma do rapaz (não muito) exigente. Uma garota com fetiche por ânus lambera o heterossexual até sua intimidade. Nomes de celebridades estampados no terceiro olho, marco entre olhos e linha capilar; uma série de adivinhações frustradas e histórias aparentemente desconexas que induzem ao estranhamento conjunto e às gargalhadas.

É a estação da verdade, e a verdade é que tem mais ceva na geladeira.

Conta um trecho do livro sagrado, como lembrado por alguns de seus leitores,

não tem vergonha de andar por esse tipo de lugar?! antros de prostitutas e vagabundos dançando ao som da música do demônio?!1.

O que te torna melhor do que essas prostitutas? Tua cristandade?

Não vendes a alma por um lugar ao lado de quem lhe dará a paz que segue a labuta?

Ela vende o que é real a quem deseja; transforma em comércio uma necessidade natural.

Crueldade maior seria inventar necessidades para vender produtos artificiais, como fazem alguns marqueteiros, publicitários e pregadores religiosos.

Não seria o padre católico o cafetão inadvertido de uma grande instituição que vende sonhos inventados para o contingente humano necessitado?

deus, tende piedade dos que te veneram.

- – - -

1vagamente inspirado pela história de Charley Patton como contada por Robert Crumb.

golpe: ação e reação

no desenho acima, vemos o esboço de como este específico golpe deve ser aplicado (as setas indicam a direção a ser seguida pelo dedo médio) e a provável reação do oponente atingido.

O peteleco é o mais eficiente, relevando-se sua praticidade, dos golpes ninja-sociais-agressivos.

Ele é inesperado. Desarma teu oponente pela alma.

Vai nas orelha e derruba o espírito.

‘blusão novo?’
‘que tem? eu gosto.’
‘cê parece um mendigo nisso aí.’
‘tem algo contra mendigos?’
‘é nojento, oras.’
‘você obviamente tem algo contra mendigos.’
‘…’
‘se acha melhor do que determinado grupo a julgar meramente pela aparência de um possível representante seu e de sua concepção a respeito do que determina a qualidade estética alheia?’
‘não, não. ninguém é melhor que ninguém.’
‘ótimo.’

e mais uma vez, aquele morador de rua virou uma lenda na repartição em que não trabalhava.

quando descobrir, em seu primeiro dia em um emprego novo, que um colega seu também gosta de bukowski, cuide para que a chefe não esteja passando atrás de ti quando disser “eu tenho ereções, ejaculações e exibicionismos“.

Não furo a festa dos outros, dá vazão pra que outros façam festa no meu furo.

só um velho ditado inventado agora. bobo, mas de coração; guardem com carinho, quem sabe nossos filhos façam uso.

estava lendo a revista superinteressante e deparei-me não só com a incompetência dos autores de artigos e revisores da revista em manter um texto apresentável (quando eu tinha dez anos de idade e lia a revista, a estrutura beirando o tosco dos textos e eventuais erros gramaticais passavam despercebidos) mas também com uma reportagem chamada ‘o quê você faria?’, nos quais são apresentados cinco dilemas e um estudo a respeito de cada – respostas, significado das respostas etc. decidi ignorar o que dizem os especialistas, e até hoje isso sempre provou-me correto, e apenas responder as questões apresentadas sem ler as interpretações a respeito das mesmas.

“um amigo quer lhe contar um segredo e pede que você prometa não contar a ninguém. você dá sua palavra. ele conta que atropelou um pedestre e, por isso, vai se refugiar na casa de uma prima. quando a polícia o procura querendo saber do amigo, o que você faz?”

tudo depende como desencadeou-se o resto da conversa. como essa prima se comporta, digamos, sócio-sexualmente? há outros aspectos que devem ser levados em conta, claro; a idade e experiência da parente em questão, sua fisionomia e também a vulnerabilidade ao vinho, se esse tipo de artifício for necessário.

“você é um funcionário da funai, trabalhando na amazônia sob ordem expressa de jamais intervir na cultura indígena. passando perto de uma clareira, nota que ianomânis estão envenenando o bebê de uma índia, que está aos prantos. você impediria a morte do bebê?”

não. essa criança, se fosse mantida viva, cresceria para seguir os mesmos costumes do grupo presente; ou seja, envenenaria, eventualmente, um bebê. melhor é manter o emprego e tirar sarro dando boas risadas daquela galera com os documento de fora! grande léry.

“no seu país, a tortura de prisioneiros de guerra é proibida. você é tenente do exército e recebe um prisioneiro recém capturado que grita: ‘alguns de voces morrerão às 21h35!’. suspeita-se que ele sabe de um ataque terrorista a uma boate. para saber mais e salvar civis, você o torturaria?”

não. na boate só tem drogados e prostitutas – além de degenerados. em uma interpretação mais absurda, ele estava apenas afirmando uma probabilidade que chega a ser considerado o óbvio em qualquer grande
população: alguns de nós morrerão às 21h35.

“um trem vai atingir 5 pessoas que trabalham desprevenidas sobre a linha. mas você tem a chance de evitar a tragédia acionando uma alavanca que leva o trem para outra linha, onde ele atingirá apenas uma pessoa. você mudaria o trajeto, salvando as cinco e matando uma?”

não. um grupo de cinco pessoas tem muito mais chances de desviar um trem de seu trilho do que uma pessoa sozinha. quem nunca quis fazer – ou ver – um trem descarrilhar?!

“imagine a mesma situação anterior: um trem em disparada irá atingir 5 trabalhadores desprevenidos nos trilhos. agora, porém, há uma linha só. o trem pode ser parado por algum objeto pesado jogado em sua frente. um homem com uma mochila muito grande está ao lado da ferrovia. se você empurrá-lo para a linha, o trem vai parar, salvando as cinco pessoas mas liquidando uma. você empurraria o homem da mochila para a linha?”

tá, então o tempo todo eu podia ter salvado os cinco operários (eleições em vista!), mais o pobre solitário da outra linha (não deixe as minorias de lado!) simplesmente parando o trem com um objeto pesado ou um mochileiro à paisana? outra coisa, o que ele tem na mochila? eu não estaria arriscando tirar também a vida de um gatinho, um filhote de labrador ou um bebê recém-nascido, ao empurrar ele? sem contar com possibilidades mais remotas, como a de que ele estivesse portando um explosivo DE ALTO PODER DESTRUTIVO mas Sensível Ao Toque Como O Hímen Da Mais Pura Donzela. em outras palavras, eu empurro e saio correndo – mas procuro um abrigo de onde possa ver o trem descarrilhar.

Quando eu era criança era comum que me corrigissem cada vez que eu desejasse ‘saúde’ verbalmente a uma pessoa que tivesse espirrado. Muitos consideram deseducado. Esse ponto de vista, como percebi através de pesquisas sociais – aí a vantagem de ser uma criança de modo geral introspectiva que tinha algum facilidade e interesse em lidar com adultos – que o motivo seria a conotação na palavra, já que o preferente parece sugerir que o outro esteja desprovido de saúde. Seguem abaixo sugestões de como desvencilhar-se desse dilema sem usar o termo polemizado nem ignorar o autor do espirro.

Olhe de lado, irritadiço, como mostra a figura: e diga ‘Porra.’, em voz grave e severa mas calma.

Retire-se do ambiente ou ao menos da proximidade à outra pessoa. Se puder, vista um par de luvas para esclarecer germofobia.

Não ouse espirrar, mesmo que sinta necessidade (tranque a respiração, se precisar): ninguém gosta de piedade ou condescendência.

Se quiser martizar-se, a flatulência é o único meio, embora exageradamente radical – não há como prever as conseqüências sociais disto.

Use o próprio incidente para desviar atenção e até renovar assuntos corriqueiros: ”Isso remonta uma discussão que tive anos atrás com meu otorrinolaringologista. Falávamos sobre o plano de reforma ortográfica sugerido por alguns gramáticos, que visava simplificar…”

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