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Quando você acordar de manhã, não se chateie pensando em tudo que tem para fazer e em como isso levará a nada.

Siga os seus ritos de iniciação do dia. Café, yoga, masturbação, acessar a internet para descobrir via GPS onde diabos está, o que for.

Abra a janela ou vá para a rua. Talvez esteja chovendo, talvez não. Faz diferença? Pergunte para o ar: o que o mundo tem a me oferecer hoje?

Ao longo do dia, você descobrirá. E sim, é bem provável que se decepcione. Mas ao menos descobrirá também que estava certo quando achava que tudo daria errado no fim, e isso já é um consolo. Não?

Como digitar nesse frio?

1. Enfie suas mãos, uma a uma ou ao mesmo tempo, na cavidade anal de outrem. Por motivos éticos, é aconselhável pedir a permissão de um(a) voluntário(a).

2. É só esperar. Trinta minutos, extendíveis ao prazo máximo de duas horas, devem ser suficientes.

3. Tire as mãos. Lave com água quente se achar necessário.

4. Pronto. Corre pro teclado e comece a perder seu tempo falando da importância que somente você dá a sua vida banal e a tudo que descobriu de interessante recentemente.

Por que não ir direto pra água quente?

Você realmente não sabe se divertir.

quando descobrir, em seu primeiro dia em um emprego novo, que um colega seu também gosta de bukowski, cuide para que a chefe não esteja passando atrás de ti quando disser “eu tenho ereções, ejaculações e exibicionismos“.

Quando eu era criança era comum que me corrigissem cada vez que eu desejasse ‘saúde’ verbalmente a uma pessoa que tivesse espirrado. Muitos consideram deseducado. Esse ponto de vista, como percebi através de pesquisas sociais – aí a vantagem de ser uma criança de modo geral introspectiva que tinha algum facilidade e interesse em lidar com adultos – que o motivo seria a conotação na palavra, já que o preferente parece sugerir que o outro esteja desprovido de saúde. Seguem abaixo sugestões de como desvencilhar-se desse dilema sem usar o termo polemizado nem ignorar o autor do espirro.

Olhe de lado, irritadiço, como mostra a figura: e diga ‘Porra.’, em voz grave e severa mas calma.

Retire-se do ambiente ou ao menos da proximidade à outra pessoa. Se puder, vista um par de luvas para esclarecer germofobia.

Não ouse espirrar, mesmo que sinta necessidade (tranque a respiração, se precisar): ninguém gosta de piedade ou condescendência.

Se quiser martizar-se, a flatulência é o único meio, embora exageradamente radical – não há como prever as conseqüências sociais disto.

Use o próprio incidente para desviar atenção e até renovar assuntos corriqueiros: ”Isso remonta uma discussão que tive anos atrás com meu otorrinolaringologista. Falávamos sobre o plano de reforma ortográfica sugerido por alguns gramáticos, que visava simplificar…”

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