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última entrevista de D.K. Mosrite, concedida à jornalista Raphaela Donaduce em 2008.
Raphaela Donaduce: Tive uma idéia para colocar no RD. Uma entrevista! E vai ser contigo mesmo! Topas?
D.K. Mosrite: Algo me diz que não adianta eu dizer que tenho vergonha…
RD: Sinto lhe informar que a entrevista já começou! Desde quando tu escreves contos?
DK: Desde que eu consigo me lembrar. E consigo me lembrar desde os doze anos, qualquer coisa antes disso foi só por obrigações acadêmicas.
RD: A tua inspiração vem de qual autor principalmente?
DK: Acho que nunca tive uma específica. A maioria dos autores que conheci foram indicados a mim porque tinham a ver com o que eu já escrevia, como Bukowski e Fante.
RD: Sobre o que são os teus contos? Tu os classificarias como beats?
DK: Não. Tenho lido muito beatnik e a única correlação entre todos eles é o modo simples de escrever, que também é comum a tantos outros tipos de escritores. Eu classificaria como o escarro desesperado de alguém que precisa por em palavras os poucos pedaços de sua alma que precisam expressar-se. Por outro lado, isso soa como o tipo classificação que um beat faria.
RD: A tua intenção é escrever um livro, certo? Tens algum plano sobre isso?
DK: Tinha, ficou de lado por causa da faculdade. Envolve concentração, provavelmente um bom e prolongado isolamento. Hoje em dia, é muito mais difícil pra quem quer se dedicar realmente a isso e produzir algo bom…
RD: Como tu te imaginas daqui a dez anos?
DK: Um tio obeso e divertido.
RD: Dá uma dica de literatura, já que cursas Letras e deves conhecer bastante.
DK: É difícil pensar em qualquer que não o que se está lendo atualmente. Então, “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, de Douglas Adams, ou “Ereções, Ejaculações e Exibicionismos”, de Charles Bukowski, pra quem tem estômago. E sempre vale a pena ler “O Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde. Um clichê mas não deixa de ser bom. Eu não sei dar dicas… (Risos)
Parte da entrevista que o artista gaúchou deu à revista ThoraZine.
Primeiro, a pergunta mais clássica: com quantos anos você começou a desenhar e por quê?
Eu comecei aos três anos porque é o que quase toda criança faz para se expressar nessa idade, imbecil.
E o que te levou a decidir se tornar um cartunista, animador, desenhista, etc.?
A falta de senso? (Risos) A verdade é que nunca pensei direito nisso. De certa forma comecei pela grana, sabe, era o que todo mundo tava fazendo e sempre foi um dos mercados mais bem remunerados no Brasil. Demorou até perceber que aquela era minha paixão, e de certa forma foi o meu sucesso que me permitiu ver as coisas por esse lado. Uísque 12 anos todos os dias te faz descobrir o que é amor.
Falando em amor, você está apaixonado no momento?
Sim. Pela minha obra. Pelo trabalho ao qual me dedico nessa fase. Minhas paixões sempre são assim.
E sua filha?
Ela é meu motivo para viver. Chego a deixar de beber pra mostrar que posso ser o pai ideal.
E quanto à mãe?
É, também posso ser a mãe ideal.
Fale sobre a experiência de ter uma filha, como isso te tocou, como foi ver ela nascer, etc.
Bom, foi incrível. Já estava expelindo gotas coloridas de felicidade por todas as cavidades e poros do corpo mesmo antes d’ela nascer. E esse dia foi sensacional para mim, mas maternidade é foda, cara. Quarto andar, virando a madrugada, eu louco pra fumar e tinha que pegar elevador. Depois subia, lavava a cara, escovava os dentes, os braços… Depois tem mulher que acha que é pra elas que o parto é difícil.
Bom, ela parece ser muito importante para você. Quando você desenha, tem alguma inspiração constante que lhe motiva ou cada vez é uma coisa?
Cara, não posso negar que muitas vezes eu desenho bêbado, mas há um número igual de ocasiões em que faço meu trabalho de ressaca.
Nunca desenhou para homenagear uma mulher, ou família, não tem mãe nem pai não, ein?
(Risos) Bom…
(Goles)
(Mais risos)
Desculpa, o que foi?
Mudando um pouco de assunto, fale sobre seu relacionamento com alguns reconhecidos jovens homossexuais bêbados e drogados de Porto Alegre.
Trechos de minha entrevista (a distância) na convenção anual de membros* do Mensa.
*de uma facção declaradamente nerd e não aceita do grupo, visto que não nos regulamos por resultados em testes padronizados utilizados unicamente para membros inferiores do grupo geral.
Filme mais inteligente que já viu?
Essa é difícil, e por isso vou dar a resposta errada: Adaptação.
Não, não é realmente o filme mais inteligente que já vi, mas a impressão inicial, enquanto eu assistia, foi algo parecido. Sei que existem roteiros muitos melhores, especialmente em curta-metragens.
Filme que assistiu muitas vezes e por quê:
O Corvo.
Obviamente porque me impressionou mais, dentre todos os filmes de ação que já vi. A verdade é que, em geral, só comédia vale ser revisto. Ação, às vezes. Pra quem é fã, sempre.
O Corvo mistura coreografias de filmes de ação com uma história mórbida muito superior a tudo que havia sido feito até então – até por ter sido adaptado de quadrinhos que, literária e criativamente, sempre estiveram acima de qualquer obra cinematográfica – e acho que esse aspecto inovador atraiu minha atençao muito mais do que o fato de eu me considerar um fã de Brandon Lee. De fato, só me tornei fã depois de assistir o filme, justamente pela boa escolha dele.
Filme que viu mais vezes:
Impossível ter certeza, mas, de memória, eu chutaria “Comando Para Matar” (Commando, com Arnold Schwarzenegger). Não, não tenho vergonha disso. Pelo contrário, não conheço um fã de cinema respeitável que não tenha sido fã da mesma safra de filmes de ação que eu. Qualquer pessoa que não saiba de cor detalhes de cenas desse filme simplesmente não merece se considerar um entusiasta da arte.
Além do mais, todo filme vale a pena ser revisto, se tu tem mais interesse do que entretenimento. Sou parte de uma geração que assistiu filmes dos agora chamados Macho Man analisando cada detalhe da ação, da cinematografia e, enfim, detalhes em geral, que, não fosse por nós, outras pessoas nem saberiam criticar esses filmes.
O pior filme que já viu:
Provavelmente, “Dançando no escuro”. Não existe um segundo desse filme que não pareça amador e pretensioso ao mesmo tempo. Outro chute seria “Requiem para um Sonho”, provavelmente a tentativa de imitação de edição mais patética da história, mas vale lembrar que me falaram tão bem desse filme que acabei por esperar demais. O primeiro nunca pude ver ao todo, tamanha a irritação causada pelo movimento de câmera, e por isso não ouso criticar o argumento; o segundo acompanhei inteiro com as maiores expectativas possíveis e me deparei com uma história tão forçadamente triste e desesperada que parece ter sido escrita por um pré-adolescente de doze anos que acabou de descobrir que às vezes o mundo não funciona da forma que ele quer.
David Lynch?
Parei de odiar. De fato, gosto dele, por vezes. Ele ama aquilo que faz, e isso é algo a ser admirado. Não posso negar seu entendimento sobre cinemática. Por outro lado, é tão burro quanto sempre pensei que fosse; basta ouvi-lo falar ou, como tentei, segui-lo no twitter. Ainda assim, respeito o cara. Espero conhece-lo pessoalmente e descobrir que ele é mais esperto do que minha arrogância deixa pensar.
