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E depois de 15 anos de carreiras, Os Torto continuam com tudo, ou com muito pouco, o que comparado com a capacidade aquisitiva média do cidadão brasileiro parece tudo.

Foi só marcarem um show no litoral gaúcho e antes de chegarem lá a casa já tava caindo. E pra quem acha que nosso mar parece merda, bem, melhor conhecerem os caras pra aprenderem a dar valor às ondas que vem lavar nossos pés quando dormimos bêbados na beira depois de um porre ou trepamos com alguma coisa que durante o trago parecia ser uma modelo da Sports Illustrated.

Agora, às vésperas de um concerto histórico na Estração Trensurb, uma música inédita do trio/quarteto/sexteto foi executada durante o programa cafezinho – se permitissem a pena de morte no Brasil, a execução cairia sobre os autores dessa e tantas outras músicas que por alguma brincadeira irônica do destino ou pela insistência dos amigos deles se tornaram clássicos do rock riograndense – e em pouco tempo se tornou um fenômeno na internet. E não estou exagerando: a música foi parar no youtube e já tem uma média de três centenas de visualizações – ou audições, se preferir, o que já é metade do público que lotava seus shows em uma casa com capacidade para 200 pessoas. Pra conferir e não entender o porquê de tanto alvoroço, clique aqui, aqui ou aqui.

Me encontre na estação.

Sobre possíveis causas (e previsões foram feitas há muito tempo) para o surgimento e disseminação de uma gripe de animais para humanos:

“(…) 1966, por exemplo, havia nos Estados Unidos 53 milhões de suínos distribuídos por um milhão de granjas. Actualmente, 65 milhões de porcos concentram-se em 65.000 instalações. Isso significou passar das antigas pocilgas aos ciclópicos infernos fecais de hoje, nos quais, entre o esterco e sob um calor sufocante, prontos para intercambiar agente patogénicos à velocidade do raio, se amontoam dezenas de milhões de animais com mais do que debilitados sistemas imunitários.”

“(…) já corre na imprensa mexicana o rumor de um epicentro da gripe situado numa gigantesca filial de Smithfield no estado de Veracruz. Mas o mais importante é o bosque, não as árvores: a fracassada estratégia antipandémica da Organização Mundial de Saúde, o progressivo deterioramento da saúde pública mundial, a mordaça aplicada pelas grandes transnacionais farmacêuticas a medicamentos vitais e a catástrofe planetária que é uma produção pecuária industralizada e ecologicamente sem discernimento.”

- José Saramago

De onde concluo que é de interesse dos próprios consumidores de carne que os animais da qual ela é proveniente sejam tratados não como um bem de produção em massa, mas como seres vivos que exigem um ambiente adequado para criação.

Texto completo do Saramago:

Parte 1

Parte 2

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