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Pra não dizer que não tenho memória recente, de tempos em tempos volto alguns segundos no passado e relembro a internet 1999-2003. Uma diversão comum era o gerador de letras do engenheiros do hawaii, que fazia parte do mundo perfeito. Aos estudantes e profissionais de comunicação que não têm memória ou simplesmente tinham medo da internet na época, nem se preocupem: vocês vão encontrar informações a respeito no google.
A diversão é utilizar o GeraLetras periodicamente pra ver no que dá e concluir o de sempre: gessinger não sabe escrever, é legal ser criativo com formulários, etc. etc.. Abaixo, seguem os requerimentos e meu preenchimentos dos mesmos. Depois, o resultado: uma letra prontinha do Engenheiros do Hawaii (assim, como eles gostam, bem raole mesmo.
“A linguagem é um processo de criação livre; suas leis e princípios estão fixados, mas a maneira pela qual os princípios de geração são usados é livre e varia infinitamente. Até mesmo a interpretação e uso de palavras envolve um processo de criação livre.”
-Noam Chomsky
B.H., filho de pai português, cuja mãe, filha de holandesas, nascera no Brasil, teve dois filhos. Um casal. O menino recebeu o nome Kaspar Hauser e a menina, Hellen Keller. Crianças quietas, por acaso, mas um tanto quanto irriquietas; escalavam os móveis quais fossem pequenos montes para aquela dupla de montanhistas iliteratos, corriam pelo corredor do apartamento tendo como sinal de interrupção apenas eventuais quedas e, claro, nunca permitiram ao pai mais do que dez horas sem uma troca de fraldas.
Ao pai só davam merda, mas davam o tempo inteiro.
O que levaria um homem a batizar seu único filho e sua única filha a partir de crianças consideradas desafios lingüísticos e comportamentais estudados gerações além das suas é assunto que apenas a ele cabe, ou caberia, se vivo; B.H. faleceu há não mais do que três trimestres, deixando a mim a responsabilidade por suas crianças, agora com nove anos, o menino, e sete, a menina. Nenhum deles fala, o que é uma coincidência um tanto quanto engraçada.
Pararam de defecar de forma irresponsável e exacerbada, mas há menos tempo do que imaginaria o leitor: seis meses atrás, eles ainda competiam com os cães sobre a quantidade de despejos fecais emitidos por cada um. Os cães sempre ganhavam, mas isso jamais impediu que os pequenos tentassem quantas vezes mais fossem necessárias.
Hellen Keller e Kaspar Hauser.
Kaspar Keller e Hellen Hauser.
Que bela combinação de nomes!, pensei algumas vezes, jamais ignorando a significância que esses meros fonemas tinham para mim como lingüísta e como ser humano. E que desnecessário devaneio acerca de meras nominações por outro escolhidas àqueles cuja educação dependia de mim a partir do momento em que a tarefa para com tais me foi incumbida! Sim, os teria como meus, os criaria assim e, a meu ver, mais importante, teria por eles o mesmo amor que todo pai tem para com seu fruto germinado. Que não falassem! Que tivessem os nomes que lhes viessem ou que eles mesmos desejassem! Nada mais importava a mim, senão a recém adquiridade paternidade.
Era preciso, ainda, que eu tivesse alguma ajuda. Por mais que me esforçasse, não confiava plenamente na minha capacidade de educar, sozinho, dois infantes voluntariamente emudecidos. Não, era essencial a presença de uma figura feminina na vida deles. Admito, na minha também.
Foi no Departamento de Pesquisa Lingüística da Universidade Estadual localizada nos arredores da cidade que busquei a mãe perfeita para o casal de crianças, e foi em uma esquina movimentada à noite que encontrei e paguei a mulher ideal para me dar, por uma noite, o alívio que eu precisava depois de um longo dia de negações e ameaças de processo por parte de jovens acadêmicas que não compartilhavam do meu interesse em que morassem comigo. Poucos minutos depois de iniciado o coito, vi-me forçado a expulsar a prostituta que parecia ficar excitada com o choro das crianças vindo do outro quarto. Até mesmo eu tinha algum limite na área da parafilia.
