You are currently browsing the tag archive for the ‘porto alegre’ tag.

Acho válido mencionar o que aconteceu no domingo, em Porto Alegre. Um casal de mulheres (não, não as conheço, fiquei sabendo por amigas em comum e vi o Boletim de Ocorrência) foi agredido verbalmente na saída de um supermercado e uma delas foi ESPANCADA por TRÊS pessoas.

Espero que os culpados sejam identificados, processados, condenados. Não to com aquele sentimento de “eu quero revidar pessoalmente”, quero que justiça legal seja feita, que se abra aqui um precedente contra esse tipo de agressão.

Rafael “às vezes parece que é só em são paulo, né.”
Coiote “poisé, foi o que pensei, juro. mas seria ignorância – aliás, é – porque já deve ta acontecendo por perto sem que a gente saiba. nem sei se eu ficaria sabendo, se não fosse com gente relativamente próxima.”

Enfim. Tanta brutalidade desnecessária, tanta estupidez, e a culpa é, em parte, da conivência. A gente ignora o que acontece, ignora a homofobia, ficamos por cima do muro. É como aquela infâmia, das mais absurdas, que diz: “o racismo não existe no Brasil”. Existe, sim, muita babaquice do tipo aqui. Por todo país, em grandes e pequenas cidades.

Não tenho dúvidas de que o mundo tem evoluído intelectualmente, mas, na maioria das vezes, não vejo o resultado disso na sociedade.

Por que somos tão indiferentes ao mundo quando estamos sós e, ao mesmo tempo, notamos cada rosto e cada movimento daqueles que passam pela janela?

Bateu a porta atrás de si esperando encontrar algum tempo de solidão, de esquecimento. Começou a caminhada espalhando o gás de seu isqueiro a um cadeirante que lhe acenara pedindo fogo com seu cigarro apagado preso entre os lábios.

Esse é o bem que tenho a espalhar hoje?, indagou-se enquanto atravessava a rua para bater os olhos em um caminhão da companhia de gás. Pequenas coincidências não tinham graça como na infância. Seguiu par ao centro da cidade. Havia solidão o bastante naquele entrevero de gente.

O centro é um lugar mágico onde ainda se pode comprar um pastel de carne + suco ou café por um real e cinquenta centavos. Por mais assustador que pareça, a maioria dos fregueses sobrevive.

Um violino conectado a um amplificador com o reverb acionado maltrata a Carmina Burana. Um infortúnio para Carl Orff, mas “como a lua, a fortuna muda.”.

A uma quadra dali, sons de pássaros vespertinos são emitidos por outra caixa de som. A banca de onde vem os pios anuncia discos e partituras de músicas para relaxar. Fortuita seria a gralha que em rasante apanhasse os níqueis que dali provissem.

Acendeu um cigarro e notou duas mulheres à sua frente. Uma delas amamentava um bebê e o olhar daquela criança o impedia de fumar. Seria tão grosseiro pedir que se retirassem! E enquanto ele sujava o ar da cidade com o amontoado de químicos misturados ao tabaco do cigarro industrializado, partidaristas sujavam a cidade com buttons, bandeiras, impressos diversos distribuídos entre voluntários e remunerados. Uma guerra de bugil se travava ali enquanto aquele mesmo violino arranhava a melodia que fora tema de um cigano apaixonado em uma telenovela da ante década anterior. Trilha sonora adequada à revoada de pássaros notoriamente anti-higiênicos.

Caminhou em direção aos seus bairros, aos lugares em que já partilhou com alegria drinques, almoços e sorrisos sob diversas condições climáticas com os que considerou parte de seu mundo. Voltou à companhia da cidade por aqueles que considerava parceiros e coterrâneos.

Sob a sujeira e além dos cartazes, ainda temos uma bela cidade.

Estamos fingindo tudo e contrariando os gritos de liberdade de outrora agora encerrados no âmago ou talvez já esquecidos até pelo inconsciente; onde está o instinto felino?

Estamos fazendo tudo errado, acendendo cigarros em lugar fechados. Pergunto à garota ao meu lado se ela se incomoda e ela diz que está tudo bem.

Mas não! A fumaça a provoca e ela chega em casa, tosse, cansada, deita e cheira o blusão. Mal respira e morre mais um pouco em sua mentira. Por quê fingir então?

Abraço um amigo e ele teme que eu esteja infeliz. Não temi eu mesmo o mesmo por tantos ao longo de tantos anos em que as ruas de minha cidade foram percorridas por infelizes e alegres sorrisos e olhares assustados carregados por corpos dilacerados pelo desejo dos espíritos que os moviam?

No bilhete o lembrete para não sujar a cidade porque alguém assim me aconselhou e cuidando dela eu cuidaria de mim.

Nem sei mais qual é meu lugar.

Acendo um cigarro e olho pro céu. É dia, mas continua escuro aqui dentro.

Vídeo de surf no arroio Dilúvio, em Porto Alegre.

Via Boat Collecteeve.

introdução

Ele odiava Porto Alegre. Para ele, era como estar preso em uma fazenda mal-aproveitada cujos peões acreditavam-se os donos e cujo proprietário acreditava ser a melhor de toda a região.

Não, metafórico demais.

Ele odiava Porto Alegre. Ele a via como um cenário da literatura cujos habitantes compactuam silenciosamente para esconder dos estrangeiros sua face mais suja e verdadeira.

Cenários: Guaíba. Pessoas caminhando na redenção. Prédio do skate. Laçador com cocô de pombo. Pombos. Mais pombos. Pessoas caminhando com defecações de pombo sobre seus ombros, chapéus, etc. Guaíba. Barco passando. Fogo na ilha de Marajá. Morro da conceição. Fogos de artifício.

Música de fundo: Horizontes, de Flávio Bicca.

Rio Grande melhor em tudo, né?

O menino e a menina
largavam migalhas
pelo chão
atraindo pombos
e com eles, doenças.

publica-1236198278006_f

Todos os textos e links foram obtidos diretamente do fotolog da banda Pública.

Leia o resto deste post »

Hoje experimentei pela primeira vez o cardápio vegan que rola toda quinta-feira no prato verde. Nunca fui numa quinta-feira justamente por achar que não iria gostar de comida vegan – por vegan, entenda-se a comida vegetariana totalmente livre de qualquer produto derivado de animais. Pra ser mais exato, eu tinha medo de comida sem queijo, mesmo que normalmente eu nem faça questão de pratos envolvendo essa especiaria. Enfim, hoje decidi ir e, admito, foi uma das melhores refeições que já tive. A melhor de 2009, sem dúvida. Tenho um amigo vegetariano que costumava dizer que não faz muita diferença a carne porque, qualquer que tu escolha, o que dá o gosto são os temperos. Não podia estar mais certo, porque burritos feitos com carne de soja me deram uma sensação muito melhor do que a maioria das carnes que já comi, e garanto que não foram poucas. E estou falando só desse tira-gosto específico porque foi a comida mais temperada que experimentei lá, mas não necessariamente a melhor. A paella vegetariana com batatas ao sugo é simplesmente a melhor combinação já feita com arroz – levemente temperada, com alguns cogumelos que, quem gosta sabe, dão um diferencial de gosto que torna qualquer prato especial. Não adicionei sal, o que é raro, e, como dito acima, foi sim uma das melhores refeições que já tive o prazer de provar. Aconselho o cardápio de domingo, não totalmente vegan como o de hoje, mas extremamente tentador justamente pela presença da paella. Vale olhar o cardápio no site do restaurante diariamente porque sempre aparecem novidades interessantes.

Categorias

Arquivos

twitter

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.