rimas

tudo que é bom
rima com oca:
Ypióca, tapioca
eu e você, nus
singrando os mares
na carona de uma
orca

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pense na lagosta

“A verdade é que se, comparecendo ao festival o sujeito se permitir cogitar que as lagostas podem sofrer e que prefeririam que isso não acontecesse, o FLM [Festival de Lagostas do Maine] começa a ficar parecido com um circo romano ou um festival de torturas medievais.
Parece uma comparação exagerada? Se for o caso, por quê, exatamente? Ou que tal esta: é possível que as gerações futuras considerem as práticas de agronegócio e alimentares contemporâneas da mesma maneira como hoje enxergamos os espetáculos de Nero ou os experimentos de Mengele? Minha própria reação inicial é achar uma comparação dessas histérica e extremada — todavia, o motivo pelo qual ela me parece extremada é que eu creio que os animais são moralmente menos importantes que os seres humanos, e quando se trata de defender essa crença, ainda que para mim mesmo, preciso reconhecer que (a) tenho um óbvio interesse egoísta nessa crença, pois gosto de comer certos tipos de animais e quero ser capaz de continuar fazendo isso, e (b) não consegui elaborar nenhum tipo de sistema ético pessoal dentro do qual essa crença se torne verdadeiramente justificável em vez de ser apenas uma conveniência egoísta.”

David Foster Wallace, em “Pense na lagosta”, artigo publicado no Brasil no livro Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo, Companhia das Letras, 2012.

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capitolina – revista para (garotas) adolescentes reais

Capitolina é uma revista online direcionada a adolescentes. Seu conteúdo foge completamente daquele padrão limitado, e para muitas deturpador, de o-que-é-uma-adolescente criado ou perpetuado por outras revistas que se propagam como voltadas para esse público. “Criada por jovens que sentiram falta de ter suas experiências representadas na mídia para este público, a revista tem a intenção de criar um diálogo honesto com as leitoras, sendo acessível e interessante de forma inclusiva, sem restrições de classe social, raça, orientação sexual, aparência física, identidade de gênero ou qualquer outra forma de interesse. Misturando todas as formas de artes e discussões sobre escola, relacionamentos, games, gadgets, moda, e culinária, buscamos abarcar os mais variados assuntos para que as mais variadas garotas consigam se encontrar na revista. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são. (…) A cada mês, nossas matérias principais se adequam a um tema escolhido por nós. Além disso, temos colunas diárias sobre as mais diversas áreas de interesse. Nosso conteúdo é todo escrito e ilustrado por quase um batalhão de talentosas colaboradoras, e inclui também quadrinhos, ensaios fotográficos e produção literária.”

O conteúdo é produzido por colaboradas de idades variadas (16 a 32 anos), o que acredito resulte em viés confiáveis para suas leitoras, já que temos tanto a experiência de jovens adultas intercalada com a voz de quem mais se quer fazer e muitas vezes não pode, justamente nessa que é considerada a fase mais perturbadora do crescimento de todas as pessoas, a adolescência, quando transitamos para a vida adulta (e muitas vezes nos sentimos já nela), sem conhecer o porquê de suas possíveis amarguras, mas sentindo-as.

Recentemente lançaram um compêndio de artigos, entre selecionados do site e inéditos, pela Editora Seguinte intitulado “Capitolina: o Poder das Garotas Volume I”. Pode ser comprado pelos sites Companhia das Letras, Saraiva, Amazona, Livraria da Travessa ou Livraria Cultura, além de lojas físicas. No facebook: Capitolina

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sonho 21 de agosto

Em algum momento de meu sonho, eu corria por uma escada de madeira, que logo seguia por um chão, tal ponte, também de madeira. Com cada vez mais espaço entre as tábuas, a corrida se intercalava por pequenos saltos. A dado salto, vi que não alcançaria o piso seguinte, mas que eu poderia me agarrar com a mão a ele, e depois içar para cima, ou me segurar no corrimão ao lado. Eu estava assustado, mas não me preocupava, não me desesperava. Sabia que mantendo calma, poderia resolver aquilo. Me segurei à lateral porque, uma vez estando com os pés abaixo do piso, caso tentasse me prender a este, talvez me faltasse força para voltar pra cima. Mas segurando pela lateral, meus pés ainda poderiam buscar algum apoio, eu poderia me jogar para à frente e completar o caminho para a superfície seguinte.

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limiar

Em Porto Alegre, a transição da adolescência pra fase adulta se dá naquele momento traumático em que tu descobre que o CONSERTA-SE GAITAS era só propaganda de conserto de gaitas.

imagem do cartaz "gaita conserto", comum em porto alegre nos anos 90

* era muito comum, até o final da década de 1990, ver pela cidade cartazes como o da imagem. Lendas urbanas se espalhavam entre a gurizada a respeito do cartaz: a que conhecia dizia ser fachada para clínica de aborto, mas outras pessoas disseram ter ouvido falaram que era venda de drogas. No fim, era os cartazes remanescentes de uma família que consertava gaitas.

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relato de sonho

Sonhei que eu estava numa festa na casa do meu tio Ney, que noutro momento era casa do meu dindo Tiago. Serviam comidas, mas quando finalmente achei um prato sem carne, e parecia ótimo, vi que era de uma mesa reservada para um casal.

Eu queria mesmo era atacar os doces, lembro de ver uns brigadeiros, mas minha atenção foi desviada, não sei pelo quê. Só sei que tinha uma piscina, estreita mas comprida, e meu dindo ficava pilotando um carro-barco em alta velocidade nela.

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bom dia

Coisas que podem ser feitas antes das 6 da manhã:

terminar todo o “grosso” da montagem de um livro;

fazer uma série de 100 abdominais ou duas de 50;

continuar sem entender o porquê de todo o rancor e ódio que se sente abaterem sobre si como uma avalanche da qual tu acorda preso em meio aquele isolamento frio e escuro sem saber onde está ou como foi parar lá nem que direção tomar para escapar do soterramento.

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