reciclarte

Esse é o trampo do Adonis Gartner. Ele divide um lava-carros com um sócio na Avenida do Forte, em Porto Alegre, mas no tempo livre garimpa por peças de plástico e metal pra fazer essas artes que tive o prazer de encontrar enquanto fazia um caminho diferente pra feira na manhã de sábado.

Publicado em imagens | Marcado com , , , , , , , , | Deixe um comentário

citações – doctor who

“Chorando em silêncio. Quero dizer, crianças choram porque querem atenção. Porque estão assustadas ou machucadas. Quando choram em silência é porque simplesmente não conseguem parar.”

“Agora só resta eu. Longa história. Um dia ruim. Coisas ruins aconteceram. Claro que eu gostaria de esquecer tudo, de esquecer cada detalhe. Mas não o faço. Nunca.”

“Ela não veio pra cá como um milagre. Ela se voluntariou. Vocês não precisavam prendê-la ou torturá-la. Isso tudo foi escolha sua. Ela veio porque não aguentava ver suas crianças chorando. E se você fosse muito velho e muito gentil e solitário — toda sua espécie morta, nenhum futuro. O que você poderia fazer? Sendo tão antigo e gentil, e o último de sua espécie, você não conseguiria ficar parado vendo crianças chorando.”

Doctor who (série 2005), S05E02: The Beast Below

Publicado em cinema & teatro | Marcado com , , , , , , | Deixe um comentário

curas para ressaca, de douglas adams

Esse texto é adequado a leitores(as) daqui em geral, adequado a fãs de Douglas Adams e mais do que adequado a uma sexta. E, não vou incorrer em falsa modéstia aqui: não existe tradutor mais adequado para trazer à nossa língua a obra de Douglas Adams. Primeiro, porque li e reli tudo que tenho deles vezes o suficiente para achar tudo um saco, sem achar tudo um saco. Segundo, porque, sem desrespeito a outros tradutores do autor, me dedico com paixão a estudar cada detalhe nos textos do livro em que esse se encontra, The Salmon of Doubt. Talvez por isso tenha desistido de traduzir todo… Acaba cansando, tenho outros projetos etc. Mas dá pra retomar, fazer aos poucos.

(e quando digo dedicado a pesquisas é óbvio que estou usando um clássico eufemismo para distraído e viciado em cafeína)

Em suma, inadequado mesmo, só Douglas Adams, como ele próprio dizia. Deve ser verdade. Afinal, ele escreveu para Monty Python e Doctor Who. Vocês sabem o que é escrever para Monty Python e Doctor Who de décadas atrás? Nem eu, então vamos respeitar o homem. E não ouse sair de casa sem uma toalha. As chances de você precisar de uma e ter uma são infinitamente maiores do que as chances de você sair de casa sem uma e não precisar. Faça o teste.

Agora, ao texto.

CURAS PARA RESSACA
por Douglas Dams

    O que é que todos tentaremos fazer no próximo sábado? Não Resoluções de Ano Novo, se formos metade sãos. Todas falham tão vergonhosamente no início do Ano Novo que poucos de nós vamos querer ajustar nosso senso de futilidade fazendo Resoluções de Milênio Novo para que todas falhem, relativamente falando, mil vezes mais cedo que o usual.

    De fato – se posso divagar um pouco (e se você não quiser que eu divague, então você deve perceber que está lendo a coluna errada), acontece que deve haver uma razão muito boa pela qual falhamos em manter nossas Resoluções de Ano Novo além da óbvia e abjeta fraqueza de vontade. Nós não conseguimos lembrar quais são. E se chegarmos a escrever elas, então provavelmente não conseguimos lembrar onde colocamos o pedaço de papel. Estranhamente, o pedaço de papel às vezes se torna conhecido por reaparecer exatamente um ano depois quando você está procurando por algo onde escrever as próximas tentativas malogradas de colocar sua vida em algum tipo de ordem. Isso não é, ao que parece, uma coincidência.

    Incidentalmente, sou o único que acha a expressão “ao que parece” incrivelmente útil? Ela lhe permite fazer leves, sucintas e autoritárias conexões entre de outra forma aleatoriamente desconexas afirmações sem se dar ao trabalho de explicar qual é sua fonte ou autoridade. É ótimo. É enormemente melhor do que suas predecessoras, “Eu li em algum lugar que…” ou a covarde “Dizem que…” porque ela sugere que qual seja o inconsistente naco de mitologia urbana que você está passando adiante é baseado em novidade, em pesquisa inovadora, mas que é uma pesquisa na qual você por si próprio esteve intimamente envolvido. Mas, novamente, sem nenhuma autoridade notável. De qualquer jeito, onde eu estava?

Parece que o cérebro é afetado pelo álcool. Bem, sabemos disso, claro, e os que não sabem ainda estão todos por descobrir. Mas há diferentes gradacões do efeito, e aí fica o ponto crucial. O cérebro organiza suas memórias como uma espécie de holograma (ao que parece). Para recuperar uma imagem, você precisa recriar as exatas condições na qual ela foi registrada. ,No caso de um holograma, é a luminosidade, e no caso do cérebro é ou pode ser (ao que parece) a quantidade de álcool chapinhando ao seu redor. Coisas que acontecem a você ou, por mais assustador que seja, que você mesmo diz ou faz enquanto sob o efeito do álcool só vão ser reencontradas por sua memória quando você estiver sob o efeito da mesma exata quantidade de álcool novamente. Essas memórias estão completamente além do alcance de nossa mente normal, sóbria. Por isso que, depois de um imprudente fim de tarde, você será a única pessoa que está desinformada a respeito de um comentário berrantemente estúpido que fez para alguém cujos sentimentos lhe são profundamente caros, ou mesmo apenas um pouco. Somente semanas, meses ou, no caso da véspera de Ano Novo, exatamente um ano depois que a ocasião subitamente retorna à sua consciência com um solavanco enauseante e você percebe por que as pessoas tem evitado você ou olhado em seus olhos com um olhar gélido por tanto tempo. Isso frequentemente resulta em você dizendo “Jesus Pai!” para si mesmo em voz alta e procurando um drink forte, o que lhe leva ao próximo ponto de inebriação no qual, é claro, novos choques aguardam para seu prazer.

    E o mesmo vale para o caminho de volta. Há certas memórias que só serão reativadas revisitando o mesmo exato estado de desidrataçãoem que os eventos originais aconteceram. Daí o problema das Resoluções de Ano Novo, que é o fato de que você nunca lembra de fato as resoluções que fez, ou mesmo onde as anotou, até o mesmo exato momento no ano seguinte, quando você é horrendamente lembrado de sua completa falha em se ater a elas por mais do que uns sete minutos.

    Então qual é a resposta para esse terrível, autoperpetuante problema? Bem, obviamente, rigorosa autodisciplina. Uma adesão monástica a um regime de vegetais fervidos, água pura, longas caminhadas, exercícios regulares, dormir cedo, acordar cedo e, provavelmente, algum tipo de unguentos aromáticos ou coisa parecida. Mas falando sério, o que mais vamos querer no dia de ano novo, e e desesperadamente tentando lembrar como fazer, é uma boa cura pra ressaca, especialmente uma que não envolva mergulhar através do gelo no Parque Serpentine. O problema é que nunca conseguimos lembrar delas quando queremos, ou sequer saber onde encontrá-las. E o motivo pelo qual nunca lembramos dela quando as queremos é que ouvimos falar delas quando não estamos realmente precisando delas, o que em nada ajuda, pelas razões destacadas acima. Imagens nauseantes envolvendo gemas e molho de tabasco embriagam seu cérebro, mas você não está realmente em condição de organizar seus pensamentos. Por isso precisamos urgentemente organizá-los agora enquanto ainda há tempo. Então eis aqui um apelo para métodos bons, efetivos de refrescar o cérebro no Ano Novo que não envolvam cirurgia craniana. Curas para ressaca, por favor e portanto, para http://www.h2g2.com. E que os próximos mil anos sejam especialmente bons para você e seus descendentes.

The Independent on Sunday,
Dezembro de 1999

Publicado em literatura & lingüística, mundo real | Marcado com , , , , , , , | Deixe um comentário

Fora Sartori!

“São deveres fundamentais do funcionário público:

j) zelar, no exercício do direito de greve, pelas exigências específicas da defesa da vida e da segurança coletiva;
o) participar dos movimentos e estudos que se relacionem com a melhoria do exercício de suas funções, tendo por escopo a realização do bem comum;”

Pelo que entendi, fazer greve e protestar é essencial quando é sua carreira, sua vida e o bem-estar social que é colocado em risco. E mamãe voltando amanhã pro seu trabalho não, ou pouco, ou parcialmente remunerado amanhã. Pelo menos enquanto a FEPPS existe, né.

Há anos a Fundação é responsável pelo controle de epidemias diversas no Estado e exames laboratoriais diversos são realizados dentro de suas dependências: confirmação de suspeitas, exames de HIV, tudo. Tudo isso fará falta? Sim. Tudo isso ficará muito mais caro se tiver de ser feito por particulares? Sim, mas não é como se o governo não soubesse disso.

Dificilmente qualquer das perdas anunciadas por Sartori faz qualquer sentido no que se refere à sua argumentação de que o motivo seria que o RS está quebrado, visto que o que essas fundações recebem e produzem, em matéria de conhecimento, pelo menos, compensa, a pequeno e longo prazo, seus gatos.

Impossível imaginar quaisquer motivos pro pacote além de algum possível e vergonhoso pré-acordo com corporações que venham a assumir os lucros dessas mesmas instituições das quais ele se desfaz ou de obter os espaços físicos que ocupam.

Publicado em mundo real | Marcado com , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

2010

do inédito “Esqueça Tudo”, que estou editando pra publicar diretamente em pdf, gratuito, online.

Por que somos tão indiferentes ao mundo quando estamos sós e, ao mesmo tempo, notamos cada rosto e cada movimento daqueles que passam pela janela?

Bateu a porta atrás de si esperando encontrar algum tempo de solidão, de esquecimento. Começou a caminhada espalhando o gás de seu isqueiro a um cadeirante que lhe acenara pedindo fogo com seu cigarro apagado preso entre os lábios. ‘Esse é o bem que tenho a espalhar hoje?, indagou-se enquanto atravessava a rua para bater os olhos em um caminhão da companhia de gás. Pequenas coincidências não tinham graça como na infância. Seguiu para o centro da cidade. Havia solidão o bastante naquele entrevero de gente.

O centro é um lugar mágico onde ainda se pode comprar um pastel de carne + suco ou café por um real e cinquenta centavos. Por mais assustador que pareça, a maioria dos fregueses sobrevive. Um violino conectado a um amplificador com o reverb acionado maltrata a Carmina Burana. Um infortúnio para Carl Orff, mas “como a lua, a fortuna muda.”.

A uma quadra dali, sons de pássaros vespertinos são emitidos por outra caixa de som. A banca de onde vem os pios anuncia discos e partituras de músicas para relaxar. Fortuita seria a gralha que em rasante apanhasse os níqueis que dali provissem.
Acendeu um cigarro e notou duas mulheres à sua frente. Uma delas amamentava um bebê e o olhar daquela criança o impedia de fumar. Seria tão grosseiro pedir que se retirassem! E enquanto ele sujava o ar da cidade com o amontoado de químicos misturados ao tabaco do cigarro industrializado, partidaristas sujavam a cidade combuttons, bandeiras, impressos diversos distribuídos entre voluntários e remunerados. Uma guerra de bugil se travava ali enquanto aquele mesmo violino arranhava a melodia que fora tema de um cigano apaixonado em uma telenovela da ante década anterior. Trilha sonora adequada à revoada de pássaros notoriamente anti-higiênicos.

Caminhou em direção aos seus bairros, aos lugares em que já partilhou com alegria drinques, almoços e sorrisos sob diversas condições climáticas com os que considerou parte de seu mundo. Voltou à companhia da cidade por aqueles que considerava parceiros e coterrâneos.

Sob a sujeira e além dos cartazes, ainda temos uma bela cidade.

Publicado em contos & mini-roteiros, literatura & lingüística | 1 Comentário

música clássica pra download

Fui ouvir um Mussorgsky pra começar o dia bem relax estudando e a primeira música que aparece na pesquisa é “Night on the Bald Mountain”, trilha pro momento mais tenso de “Fantasia” (depois da confusão toda com as vassouras e o mago, claro, e a morte dos dinossauros, que na real é mais uma tristeza pessoal pra fãs de répteis mesmo), até onde sei o único longa-metragem realmente mucho afu da Disney. A música é linda e tudo, mas o momento é de aproveitar o sol entrando na janela — não literalmente, claro, porque isso seria muito mais tenso que ver grandes répteis caindo ou magos iniciantes e desobedientes se metendo em altas encrencas — então ficou pra outra.

O lance é que desistir de procurar músicas no yousucktube levou a achar um monte de coisas legais no http://archive.org. (por exemplo, Mussorgsky – Pictures at an Exhibition) Só digitar (no google mesmo) nome do compositor + download que já vai pro link de alguma seleção que alguém fez e uppou lá, com arquivos em várias opções de formato (.flac, .mp3 etc) compactados num .zip. Meu folder “ui como sou erudito” vai ficar lindão e noites de solidão e estudo serão bem mais serenas (ou apropriadamente tensas, depende da trilha escolhida, né?).

Publicado em a href, música | Marcado com , , , , , , , , | 1 Comentário

calmaria

tem tanta coisa
na tua cabeça
agora que agonia
mas tu não precisa
jogar uma ou
outra fora
então

deixa

todas coisas.

por uma hora ou
por um dia.

elas que se ajeitem enquanto ce cuida de si.

Publicado em versos | Marcado com , , , , | 1 Comentário