hoje, uma oração

Hoje eu vou ser mais feliz, porque vou ver quem me faz feliz, sim, mas também porque acordei mais feliz. Hoje me permito ser feliz, mas sei que nem sempre é o bastante. E quando não é, me entrego aos mínimos prazeres que são os prazeres maiores: a refrescância da umidade na pele em contato com a chuva ou o frescor que o ar trás de sua água a minhas narinas, bem como prazer provocado pelo calor do sol a um corpo necessitado de luz num dia de céu aberto.

E se não for o bastante, vou extravasar minha dor, não pela raiva, a outrem ou autodestrutiva, mas no pedido aberto a quem me quer que bem: já fui acolhido e serei novamente, carregado em ombros. E se não o tivesse sido, o seria então.

E hoje, feliz ou não, se alguém me pedir, vou dar meu tempo e energia a fazer esse alguém mais feliz, ou partilhar de sua não felicidade hoje vou ouvir quando falarem e falar quando pedirem que fale.

Hoje eu vou tentar por mim e por vós. E no caso de insucesso, resta dar de ombros, obliterar e dormir, pra repousar já sabendo o que fazer amanhã.

Amanhã eu vou ser mais feliz.

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o day after

“Tarefas simples como pegar o celular ou dar agua pras gatas pareciam uma cena de Caçadores de Emoção.”

(agosto/2016)

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sobre o amor

por Jonas Brandalise

Amar é bom.
É uma experiência maravilhosa.
O amor, em sua experiência mais profunda, é como se fosse incondicional.
Mas se é incondicional, sob certo aspecto, ele perde de sua força assim que o depositamos em algum rótulo. Amar algo, amar alguém, amar alguma experiência. Existe uma experiência inominável e radiosa. Amar. Um fluxo indefinível.
Mas aí começamos a fatiar.
Amo porque é meu pai. Amo porque é minha mãe. Amo porque é família. Amo porque é meu companheiro. Amo porque me faz bem.
Em pouco tempo, começamos a desmembrar uma linda experiência em receptáculos cada vez menores. E agora estamos presos a uma ideia. E essa ideia pode sofrer influências sociais, culturais. “isso é amor”, “amar é”, “celebre o amor desta forma”. Perceba, essa ideia agora pode ser mercantilizada. Criamos dias. Dia de amar. Podemos, sob certa faceta, “comprar o amor”. Mas não… Compramos, na melhor das hipóteses, um gatilho que irá nos lembrar. Ou não. Há mais de 7 bilhões de percepções diferente sobre “amor”. Mas como precisamos de corroboração na “realidade consensual”, adotamos determinadas condutas. Tipo presentes de amor. Hahaha. E isso é ótimo, se nos permitirmos realmente dominar pelo fluxo do amor! Se funcionar, ótimo!

Porque amar é bom, adotamos a ideia de que o amor é algo que podemos invocar a partir da retórica, através de um ritual, ou através de quaisquer outras ações específicas. Fazemos isso com outros aspecto, então, por que não com o amor? Enquanto ainda fresco nos nossos corações, o amor pode ser revivido e isso é maravilhoso. Enquanto é uma lembrança fresca, você entende e consegue resgatar.

Contudo, como tudo que surge no campo da percepção dual, o amor “descritivo” desaparece. Morre. Não porque o
amor em si morreu, mas aquela faceta, aquele pequeno projeto pálido de amor, extinguiu-se.
E deixa no lugar uma ausência. Um “não amor”. Como cada um experimenta isso, é incerto. Se o amor deu sentido a muita coisa enquanto esteve presente, quando começa a desaparecer leva embora estes sentidos, se deixarmos.
Qual o sentido, agora, de manter uma relação sem amor? Qual o sentido, agora, de viver uma experiência sem o mesmo amor? Qual o sentido de ser ver uma família que não se ama?
O amor, infelizmente, não é algo que possamos manipular a nosso bel prazer. O que manipulamos é um simulacro de amor. Uma paródia. Porque ele é condicional, nascendo em determinadas condições, ele morre. Ele segue o ciclo de todas as coisas criadas pela nossa mente condicionada. E, deste “ignorar” fundamental, surge o sofrimento.

Permita-se amar sem apego.
Permita-se, se necessário, desaprender a amar.
Não podemos domesticar algo que é maior que o entendimento.

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ontem foi niver do amaro

Ontem foi aniversário do meu primeiro “ídolo” (que palavra feia, quando tu percebe que todo mundo anda junto) ao lado do Digão.

O cara que, quando eu reclamei de ter largado aulas de música e tinha que perguntuar o que é um “tom”, riscou um teclado num banco e mostrou cada semi-tom e tom que eu tocava no piano, e o porquê deles (nisso os profes de física ajudaram).

O desgraçado a quem dei uma fita KT com música do Jaspion e outra da trilha d’O Corvo’; a segunda ele não conseguiu cifrar e disse que tinha uns tal “power chord” (eu não sabia o que era ainda), a primeira ele notou dum jeito que até eu conseguia tocar. E me mandou uma carta que ainda guardo.

Foda-se: adivinha quem é um baita musicistas e quem é um baita escritor e o quanto a gente ainda se apoia, quando e sempre que possível?

Talvez seja a coisa de pessoas tímidas buscarem jeito de se expressar, talvez seja só uma boa coincidência, mas, one way, or another, eu precisava desse brother e ele tava ali, em 96 e ano passado e nuns tropeços do meio que ninguém quer mais comentar porque, né? Foda-se.

Parabéns por tar vivo, parabéns por ser lindo e parabéns por ter trazido a Cecília, with a little help, pra esse mundo que vocês vão deixar mais lindo do que quando chegamo.

Te amo dum jeito que é foda demais pra escrever, por isso exagero na gratidão e verborragia.

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Top of the Lake: China Girl

Impossível não entrar completamente no mundo dessa série. Além da relevância dos temas abordados, é a profundidade com que os abordam, sem forçar nada, mas mostrando personagens tão reais quanto forte vivendo-os e transformando-os. E é difícil imaginar, depois daquela primeira temporada, o que poderia vir depois. E que bom que é difícil, porque na segunda tu é mais uma vez pego de surpresa por uma gama de personagens incríveis, todos, desde o inevitável mascu com quem é preciso conviver por motivos de trabalho até pai e mãe de uma personagem que mal começou a ser apresentada, com personalidades e comportamentos perfeitamente detalhados mas apresentados sem exageros ou necessidade de qualquer alvoroço climático.

Não dá pra não amar Elisabeth Moss, mas a verdade é que tudo e todos nessa série são, com o perdão do palavreado, putamerdalmente fodásticos demais.

cartaz da segunda temporada da série "top of the lake"

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dois textos: 2007 vs 2013

fevereiro/2007

vasculhando o apartamento em busca de uma carteira de cigarros. qualquer uma, sempre há tantas largadas por aí, talvez tenha uma bituca sobrando. não tem.
‘aceite a condição e volte para a cama’
‘não vou conseguir agora que já tenho consciência da necessidade do cigarro’
‘saia, caminhe até encontrar alguém e peça um cigarro’
‘impossível tamanho esforço sem o primeiro do dia’
procura na lixeira por alguma carteira erroneamente jogada fora, nada. nos cinzeiros, apenas bitucas inutilizáveis e cinzas. abre a carteira pela terceira ou décima-terceira vez naquela manhã e novamente não há uma nota escondida em algum compartimento ou amassada sobre identidade, cartões, propagandas, bilhetes. pensa no que poderia distraí-lo da vontade de fumar. um bom filme, mas esses são sempre melhores na companhia do cigarro. aquela garota, ah deus, só de pensar nela já sente vontade de fumar um cigarro pra aspirar e expirar o prazer, então, quem sabe, bem, voltar pra cama é impossível.
‘você realmente precisa parar de fumar’
‘meudeus, me dê um cigarro’
‘eu sou uma voz na sua cabeça, não tenho a disponibilidade material para isso’
‘então por que você está aqui?!’
‘ah, apenas um desencargo criado por sua mente na ausência de cigarros’
‘e serve para…?’
‘bom, sempre discutimos juntos. antes, era em busca de soluções, procurávamos juntos por algum cigarro esquecido por algum canto da casa. lembra? quando você pensava não saber onde procurar, eu lhe dava uma dica’
‘suas dicas não serviram para nada, obviamente!’
‘não, a função da voz para debate é justamente a de debater: discutimos e damos idéias um ao outro, mas a causa e resultado das suas discussões com suas vozes são sempre você mesmo.’
‘de qualquer forma agora tu não me serve pra nada’
‘não diretamente, mas tu já usou pra descontar a raiva e agora pra se distrair da falta de cigarros’
‘é, estamos ganhando tempo, pelo menos. tempo até o que?’
‘alguém pode aparecer com um cigarro’
‘ou eu posso sair e arranjar um…’
‘eu já lhe sugeri isso, e você mesmo disse que’
‘é, é, tá certo. não tem jeito de eu fumar você não?’
‘não sou uma viagem de ácido, cara. e se tua mente fosse criativa a ponto de criar as sensações causadas pelas substâncias – além do apelo psicológico – do cigarro, você certamente nem precisaria comprar cigarros!’
‘isso tudo faz sentido… então, posso fumar você?’
‘tá, vai lá’.

agora, com licença, vou acender um cigarro.

“ode a um cigarro”, maio/2013

Achei uma bituca de marlboro Light, que momento!

Que momento!

Haverão celebrações;

luzes se acenderão

e o fogo queimará.

Sacrificaria um bode e queimaria uma vela;

um bode para o banquete!

Me abstenho, e não haverá sangue derramado, pois es-t-s-ou só.

Quanto à vela… Não, obrigado.

Não fumo maconha. NADA

contra, até tenho amigos que

nadam a favor

Afaga-me, cinzazulado!

Por dentro me acaricias

Que belo cigarro,

que momento! Que momento!

Hoje, quando os fantasmas cantavam,

sorri, porque sabia que eram eles

arautos da ventania.

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apoie a arte autoral: livros à venda

Para citar um de meus autores preferidos, João Kowacs, no prefácio de “A Vida em Anexo”, “vale a pena investir essas merreca em um livro tão bom. Não se preocupe, todo dinheiro será revertido no sustento de um artista genuíno e sua corja de amigos.”

Combo A Vida em Anexo + Ciclo de Poemas I & II: R$30
A Vida em Anexo: R$25
Ciclo de Poemas: R$5,00 cada

Pagável na Caixa Econômica ou em qualquer lotérica.

Caixa Econômica Federal
Agência: 429
Conta Poupança: 12875-3
Valor: 25 reais
Nome: João Paulo de Abreu Flores
CPF: 676.595.600-00

Fazendo o pagamento, basta entregar em contato comigo por minha página no facebook ou pelo email coioteflores@gmail.com confirmando o pagamento e informando endereço para envio.

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