a sociedade que sustenta o crime

Tu trabalha pra ter dinheiro pra sustentar um estado que usa o ganho do teu trabalho pra sustentar o crime.

E ainda assim não é a favor da legalização da maconha?

A pauta da legalização das drogas em geral não entra aqui; estamos falando especificamente da maconha.

Sua proibição sempre foi publicamente motivada por motivos ligados à saúde. Já foi provado empirica e laboratorialmente provado que, de fato, o uso dela faz bem à saúde, em diversos níveis e para diversas situações. Não neguemos que há malefícios, claro, mas estes são relativos ao usuário e ao nível (quantidade) de consumo, podendo ser colocado na mesma categoria não só do álcool e do tabaco, mas dos açúcares, gorduras e outras substâncias que qualquer ser humano pode consumir rotineira ou esporadicamente desde que ser organismo as aceite e não seja feito em excesso. Portanto, sua proibição não tem qualquer relação com saúde; só pode vir de motivações políticas.

E quais seriam essas?

Legalizada a maconha, seu cultivo e produção criariam todo um novo nicho de trabalho lícito que geraria empregos a milhares de agricultores brasileiros, creio eu (não conheço o trabalho agrícola o suficiente, mas tenho quase certeza do que logo vos digo) em todas as regiões do país, tão fácil é o crescimento da planta. Ao mesmo tempo, sua compra e consumo lícitos gerariam toda uma movimentação econômica nova e bastante significativa para o país. Enquanto ilegal, esse mercado consumidor, essa movimentação e, mais importante, esse espaço para trabalho e lucro para grande parte do povo brasileiro deixa de existir para que uma economia alternativa – o tráfico e as organizações ilegais ligadas ao mesmo – tenham espaço e lucro. O resultado mais óbvio disso é a violência inerente ao crime. a essa concorrência capitalista alternativa. E quanto maior a violência, maiores os gastos públicos. Gastos públicos, ou seja, que vêm do dinheiro da mesma sociedade que paga impostos, trabalha e sustenta o Estado.

Preciso mencionar quantos policiais estão deixando de fazer seu trabalho – garantir a segurança pública, sumariamente – porque perdem, propositalmente ou não, seu tempo repreendendo maconheiros?

A maconha deixou de ser um assunto para os eleitos que defendem sua legalização, os usuários ou os simpatizantes, amigos e parentes dos mesmos; ela é um assunto pertinente à toda sociedade que busca uma solução para um problema de âmbito nacional e multiclassial, que queira não uma justiça hoje utópica, mas ao menos a possibilidade de se chegar à mesma.

Um cidadão brasileiro que não defende a legalização da maconha não é um cidadão que se importa com seu país. A este, não deveria ser permitido sequer o poder de voto.

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4 respostas para a sociedade que sustenta o crime

  1. Luiza Só disse:

    é uma questão de politicagem e incoerente com todo o estudo acadêmico que o proprio estado fincancia, fora isso, incoerente com uma cresente bancada evangelica, ou seja, um país que vê no místico soluções políticas -daí, porque não alternativas como a maconha no rastafari- (vai que?!)
    enquanto se sabe que a criminalização é tudo isso que tu falou, uma maneira de manter pobres os pobres, de prender o traficante que é só a ponta do iceberg de filhos da puta de colarinho que sustentam essa situação. manter as crianças sem alternativa e sem educação, pra que não pensem e não reivindiquem direitos justos e básicos e mais… pra que esses filhos da puta já citados não percam a garantia da próxima volta de de iate regada a champanhe, orgias de cocaína (da boa) e beck (do bom)… o que me lembra que além de tudo eles não liberam, usam, e nos deixam com pó de parede e cocô de vaca.

  2. J.P. Flores disse:

    hahaha então, a gente paga traficante pra nos dar caco de vidro e casca de árvore enquanto podia pagar um trabalhador honesto e decente pra dar produtos de validade cujos efeitos no corpo (e mente) são os mesmos das inúmeras drogas que a indústria farmacêutica (essa, outra grande beneficiada pela ilegalidade relativa) nos empurra goela (e outros orifícios) abaixo por necessidades nem sempre reais.

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