não tá fácil

“Não esperava isso, juro.”
“O quê?”
“Que a vida não fosse ser fácil.”
“Sério?”
“Que tem?”
“A vida não é fácil. Além de jargão, é óbvio.”
“Por que óbvio? Eu achei que podia ser fácil.”
“Por vezes, é. Ou parece. Mas não é.”
“Podia ser pra mim, não podia? Eu achei que, sei lá, seria uma exceção.”
“Ah, tá.”
“A vida não pode ser fácil pra quem tem a vida ganha?”
“Devem ter seus problemas.”
“Sim, e quem é carregado de otimismo?”
“Também devem sentir as intempéries mais graves ou ter suas dúvidas.”
“Bem, eu não sou otimista, tão pouco nasci com uma colher de prata na boca.”
“Ainda bem!”
“Ainda bem! De qualquer forma, podia ser eu a exceção.”
“Mas não. A vida não é fácil.”
“Pra ninguém.”
“Exato. A vida não é fácil pra ninguém.”
“É isso! Como amante da lógica metódica, essa frase e sua dupla negação me obrigam a pensar que a vida seja ou possa ser fácil pra alguém e esse alguém podia ser eu…”
“Se isso não é otimismo..”
“Poisé.”
“E que torna a vida tão difícil?”
“Fora a voz na minha cabeça?”
“Eu tava quieto até tu chamar.”
“Tenho saudade de alguém, e já não sei bem quem é…”
“Como assim? Esqueceu o nome”
“Por aí! Tenho a memória firme, aqui, só não sei nome, talvez nem bem de onde conheça…”
“Mas… existe?!”
“Juro que sim!”
“Sei…”

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