professor quer proibir estudantes de terem acesso grátis a livros

Matéria completa, em inglês, aqui. Os trechos em itálico são traduções diretas da matéria. Acabei de ler, mas mais tarde, no máximo amanhã, traduzo na íntegra.

Em suma, a proposta do professor Josephen Henry Vogel é que alunos sejam obrigados, de uma forma ou de outra, a comprar os livros, não podendo usar fotocópias, pegar emprestado de outros alunos, nem mesmo comprar de revendedores como os sebos.

Como parte do curso, alunos deverão participar de um fórum de discussões via web, uma atividade que pesa em sua nota final. Para ter acesso ao fórum, os alunos precisarão de um código especial, que pode ser adquirido na compra do livro associado.

A falta de ética desse dele é assustadora. Como um médico que trabalha contra os pacientes tem sua licença cassada, ele não deveria ser proibido de lecionar ou se envolver de qualquer forma com educação, superior ou não?
Trata-se de um professor universitário. Ele simplesmente não entendeu a intenção da instituição acadêmica que o formou e da qual faz parte e cujos alunos estão sob sua tutela; a educação deles é responsabilidade deles enquanto professor, antes de autor ou compactuante de editoras. Se mesmo com a universidade “aberta”, como é atualmente, ela já é elitizada, se torna, por motivos que nem cabem aqui e agora, um privilégio de poucos, ele quer limitar ainda mais o conhecimento e/ou base profissional dada a esses?
Isso é como o caso de alguns músicos apoiarem leis anti-pirataria invasivas e ações movidas por associações cujo intuito, disfarçado de defesa de direitos autorais, acaba sendo o ataque ao público que não compra registros fonográficos; alegam que querem seu trabalho valorizado, mas estão agindo apenas como porta-vozes das associações de gravadoras, de empresas que visam maior lucro em cima do que já foi feito, não de maior ou mais merecido trabalho. Vogel, obviamente, quer dificultar e até arruinar a vida acadêmica de centenas a milhares (enquanto for só na universidade e curso dele) em prol de maior lucro para os editores e, eventualmente uma pequena porcentagem desse aumento para ele mesmo.

A idéia de Vogel deixa em aberto a opção de usar livros de segunda mão, mas os alunos terão de comprar o código de acesso por um preço reduzido. Com isso, os editores podem comprar múltiplas vezes por um livro que foi vendido apenas uma.

Em suma, ele não quer que você aprenda, quer você gaste mais pra poder se formar. A universidade deveria (e muitas vezes é, não critico a instituição como um todo) ser um lugar de aprendizado, se possível vivência, muito antes de ser o meio para a obtenção de um diploma, de ter como resultado apenas esse símbolo burocrático de mérito, notoriamente inválido; a proposta de Vogel parece ir contra isso, de alguma forma. Ele deve saber que alunos com menos poder aquisitivo – ou, sejamos honestos que querem gastar menos – poderiam se formar no curso com seu próprio esforço na obtenção dos recursos textuais necessários para isso, e justamente por isso ele quer que os alunos sejam obrigados a pagar mais por essa parte do curso, em suma, pagar para receberem aquele pedaço de papel.

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