perguntas e respostas

Pepsi ou Coca-Cola?

Suco natural, água, chá, cachaça, uísque, vinho, café, capuccino.

Sinceramente, até picanha batida com miojo e chocolate no liquidificador deve ser mais agradável que qualquer um dos dois.

por que você gosta TANTO ASSIM de on the road? a história é boba, o livro é mal escrito e kerouac era um bosta.

o livro é muito mal escrito, já disse quinhentas vezes. a história é afudê. o kerouac é um filha da puta parasitário homofóbico e alcoólatra.

na real, on the road é sobre um playboy viajando pelos eua com dinheiro da titia.

Qual tua idade?

Digamos que nasci quando o muro ainda estava lá, a ditadura terminava de ruir e o mal uso dos sintetizadores ameaçava toda a produção musical das Américas

Concorda que o Brasil não tem nenhum literato cuja obra tenha relevância a nível internacional?

Discordo. Guimarães Rosa e eu, por exemplo.

Você gosta de filmes de terror?

Impossível gostar de cinema e não adorar filmes de terror.

Exceto sendo um cretino.

Tu tem jeito e estilo de vagabundo.

Digamos que eu seja um bon vivant workaholic.

Você parece legal, pena que tem gostos diferentes dos meus.

Não sou legal, mas gostos diferentes pode ser bom. adoro ser introduzido a novas culturas e diferentes formas de entretenimento por quem curte e conhece assuntos que ignoro.

Como você identifica os idiotas, pessoas a se evitar?

Simples: a priori, são todos(as) idiotas.

Qual sua opinião sobre Nicholas Cage?

Ele protagonizou adaptação, merece meu respeito. Muitas pessoas xingam porque ele é um ator exagerado, independente do papel, sempre tenta fazer esse estilo absurdo nos personagens. Creio que essas mesmas pessoas gostam de Johnny Depp, então devem ser ignoradas.

Acha que as pessoas deviam ler mais?

Não necessariamente. Façam o que quiserem, na verdade. O gosto por ler, assistir filmes, passear no parque, andar de bicicleta, trepar, fumar, beber, jogar pedras n’água pra ve-las picando, engomar camisetas, atirar bumerangues, surfar, andar de skate, meditar, escalar montanhas, quebrar encanamentos de pias, etc. vai de cada um, creio.

Há uma máfia de escritores gaúchos?

Não, mas muita coisa aqui, como em tantos outros lugares, envolve contatos, grupos, etc. Uma máfia exigiria talento e competência de seus membros, creio.

Tem vergonha de ser gaúcho?

Se for pra ter vergonha, que seja de ser humano.

Não, nem vergonha, nem orgulho.

Por que você não é amigo de outros escritores?

Não sei qual a linha que separa “conhecido” de “amigo”, mas sou, sim. Kowacs e Bituca, que citei aqui, conheci há alguns anos e respeito-os bastante. Conheço, embora não intimamente, alguns quadrinistas também.

Esqueci de citar outro bom escritor gaúcho, Diego Grando, por acaso amigo meu. Não tenho nenhum de seus livros, mas li “Desencantado Carrossel” na livraria em que eu trabalhava e adorei a poesia dele.

Você mora no centro de Porto Alegre?

Não, eu moro nos corações daqueles que acreditam.

Você gosta de musica erudita? Recomenda algumas coisas aí, cara, por favor.

Cara, adoro Rachmanioff e Stravinsky.

Não acho que preciso indicar os nomes que primeiramente vem à cabeça, como Mozart, Beethoven, Bach, Strauss e Chopin.

Ah, também tem o Mahler. A Oitava Sinfonia. Vai lá e seja feliz, o finale é de chorar.

Nem sabe diferenciar uma sinfonia de outra, sei.

Sabia que era algum mala querendo pagar de esperto, como se conhecer música clássica fosse uma obrigação. Sinto muito, cara, mas é tão importante quanto conhecer toda a saga da Era de Apocalipse ou as vertentes filosóficas estudadas por Chiaki Konaka: interessa a quem interessa.

E gosto porque gosto, independente de ter estudado piano, ouvido Tchaikovski durante toda infância (coisa de pai) e passado a vida entre ensaios e apresentações de orquestras.

Tu conhece tudo isso?

Lain é um estudo eterno, vai demorar até eu conhecer todas as referências. Não disse que conheço, apenas fiz uma analogia da importância desses conhecimentos.

E sim, li a Era do Apocalipse.

O que te fez sorrir hoje?

Encenei a cena do tango “por una cabeza” de Perfume de Mulher na rua, sob a chuva, com uma menina cega.

(mentira, mas teria sido lindo)

Já leu livros psicografados? Gosta?

Só “Memórias Póstumas de Brás Cubas”.

O que te fez sorrir hoje?

Conheci a palavra soliloquy, em português, solilóquio. Podem xingar, nunca tinha lido ou ouvido, mas pratico algo parecido (como tantos outros) a maior parte do tempo e me alegrou um pouco. Pena que se refere especificamente ao recurso teatral, e não ao diálogo interno exteriorizado pela voz – os diálogos mentais que fazemos o tempo todo, mas em voz alta, com diferentes entonações, dependendo do caso, para as diferentes partes do diálogo.

Tuas meias sempre combinam?

Elas nem sempre vêm do mesmo par. São sempre da mesma cor. Às vezes nem uso meias. Às vezes as uso em minha cabeça. Às vezes visto meias longas e peço para minha namorada me chamar de Princesa Queribela do Clã Hulfchäusen. Então ela me mete o dedo. Mas minhas meias, ah, elas sempre têm as cores combinando, pode apostar!

South Park ou Family Guy?

Gosto de ambos, mas Family Guy é burro.

Se fosse mudar seu nome, qual escolheria?

Coiote Flores

Máximo Poder

Aquele Que Traz A Tempestade E Depois Corre Pra Se Esconder Na Cozinha

O que te fez sorrir hoje?

Vou aproveitar esse espaço e falar de poucas partes da noites bela, estranha e bela e importante.

Uma das mulheres mais bonitas (sem exagero, sem nenhum exagero) de Porto Alegre e também uma das mais inteligentes e… como não usar a palavra “culta”? Literárias? Enfim.

Digamos que ela me criticou, devidamente. E me elogiou enquanto isso. E estava certo em ambos. Uma pessoa que lia Nietzsche e os grandes russos aos oito anos pra passar o tempo deve ter sua opinião sobre literatura – enquanto o texto em si, ao menos, considerada.

Ela me carregava para o hospital e começou o inevitável assunto: minha saúde e como tenho feito pouco da mesma. Mas logo atacou o que sabia doeria-me, mas era sincero e alguém precisava dizer (como ela mesma explicou depois):

“Tua autodestruição ta afetando tua literatura. Tu ta escrevendo bobagem, ta escrevendo mal. Eu digo isso porque eu sei que ninguém mais vai dizer. Tu é um ótimo escritor, tu é muito inteligente. E eu sei que tu já ouviu isso. E de todos nós, de todo mundo que tenta escrever, tu continua sendo o único que consegue de verdade. Mas tu piorou.”

E a frase “Tu sabe que logo tu vai ter que escolher entre a vida e a vida que tu escolheu.” ecoou – na minha própria voz, também – na minha cabeça durante todo o tempo em que o médico guiou minha cadeira-de-rodas pelo complexo hospitalar.

Enfim. O que ela fisse foi forte, foi lindo. Me deixou preocupado sem ofender.

O que me fez sorrir foi ouvir “Tu ainda é o melhor.” depois de “Teu texto piorou.”

E como não gosto de falar de mim ou acontecimentos pessoais, muito menos me elogiar – não me sobra modéstia, mas acho o elogio quase sempre desnecessário, fico feliz que, enquanto relatava isso, tenha lembrado de outro texto. De outra amiga (personagem) sobre outro escritor, outra pessoa.

O que você mais gosta no corpo feminino?

Minha língua, meus dedos, minha genitália.

Se pudesse se transformar num animal por um dia, qual seria?

Uma segunda-feira.

<Do que mais gosta no cinema?

Da tua ausência perfeitamente trilhada pelo som da minha primeira sinfonia composta em 1997 baseada na minha peça teatral preferida: O PSEUDO-EXISTENCIALISMO: UM PLEONASMO A SER REVISTO POR TODOS OU AQUELES QUE SOBRAREM – LINHAS EM BRANCO PARTE II.

Considerado, e com razão, o primeiro protesto registrado contra o Movimento Dadaísta que em meados de ~VOCÊS lembram e não querem admitir quando~ tomava conta do país, esta película, que por acasa foi registrada não em forma de película, mas registrada em celulose sobreposta a nioníte (elemento recém descoberto na época, daí tua surpresa) fez muitos dos conservadores da época – inclusive Chico Buarque que, como é mostrado no filme, negociava com os governantes quando dizia “Tio, tio! Olha só, tio, o oo ooo tio, ooo! Olha tio Olha o que sei fazer! É uma metáfora, tio! Aprendi na escola, tio-ô! Por favor, tio, ce pode prolongar a censura mais um pouco? Sem ela, minhas figuras de linguagem vão parecer uma bobagem!!!! Ai, tio, brigado, tio!” – ficarem revoltosos e preocupados com facilidade com que se poderiam espalhar certos detalhes aqui não mencionados, daí a mentira: o movimento dadaísta foi rapidamente abafado pelo ————_____________________________________

E aqui acabam os registros.

Você acredita em aliens?

Cara… Uma perda de tempo isso, não? Digo, pra quem gosta de astronomia (ou até geologia).

Basta assistir qualquer documentário sobre fenômenos cósmicos e a idéia de “em um universo tão grande, não pode haver vida só não Terra.” vai por água abaixo. E por quê? Porque vida, por mais embabascante e complexa que seja, é uma coisinha incrivelmente tola e sem graça comparada com outros fenômenos sensacionais que ocorrem só no campo de visão de um observatório espacial.

Pulsars, magnetars e quasars; as próprias supernovae; buracos negros.

Seria, vida alienígena é uma idéia simplória e banal que em tempos atuais só podem ocupar mentes inferiores.

Pedra, papel ou tesoura?

Com a pedra eu fumo a nóia
Do papel faço o canudo
E a tesoura só recorta
O que ficou do velho mundo

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Uma resposta para perguntas e respostas

  1. diegobitucabituca disse:

    bela entrevista. sempre me causa estranheza ser categorizado como escritor, mas sei que foi de coração.

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