não me diga como ser feminista

Dai aparece um Homem nos comentários dizendo “Feminismo sim mas sem radicalismo”. Recado para os homens que acham que podem nos dizer como deve ser nosso feminismo:

– Estamos cagando para a forma que vocês acham que deve ser nosso feminismo.

Feminismimo Sem Demagogia

Coiote Flores: esse destaque para o ‘Homem’ e o ‘recado para os homens’ foi muito, mas muito sexista. To lendo agora mesmo os maravilhosas palestras de Anais Nïn destacando o feminismo como uma causa que só funciona enquanto for de homens e mulheres – e isso há 40 anos atrás – e aí vejo isso. Só dizendo, porque pareceu bem desnecessário. Não discordo de que a PESSOA que falou isso nos comentários foi bem tosca.

Feminismo Sem Demagogia: a luta feminista é uma luta de mulheres e homens sim e esta página diz isso o tempo todo, mas a luta é das MULHERES são elas que decidem como fazer esta luta, ou será que os homens vão nos julgar incapazes de fazer nossa propria luta e terão que vir nos socorrer por que somos burras e desarticuladas?

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CF: a sociedade toda precisa mudar, o que significa que homens e mulheres têm muito a redefinir/refazer; é uma luta conjunta, sim. Ademais, a questão é essa: quem comentou isso foi um homem, sim, mas poderia muito bem ter sido uma mulher. Acho que o comentário não vem de um pensamento machista (necessariamente, não sei bem o que a pessoa tava pensando porque não a ocnheço), mas de um pensamento diminuto a respeito do que pode e o que não pode ser feito dentro de uma causa; ‘feminismo (ou qualquer outro movimento) sim, mas sem radicalismo’.

FSD: http://whothehelliscely.wordpress.com/2010/12/09/separatistas-sao-os-homens/ – Separatistas são os homens

“Não venham me dizer como fazer o NOSSO feminismo.”. Porque homens não devem opinar em grupos feministas.

Retrocesso ou voltei aos anos ’50?

E ainda sou obrigado a ler sobre casos específicos de como ‘homens em reuniões de grupos feministas ainda guardam heranças do patriarcado e vêem as mulheres como objetos de decoração, e “claro que admiramos os mínimos progressos dos homens ao nosso redor (…) Aos poucos, aqueles mais próximos já não chamam as mulheres de putas porque fazem sexo, já não as culpam por estupro ou esbravejam toda vez que vêem uma delas atrás do volante no trânsito.”

Aí é muita ignorância e tendencionismo pra uma “feminista” só, ein. E triste saber que outras apoiam isso. Acho que são pessoas como as que cuidam do slutshaming detected: gente que não quer mudança, gente que PRECISA do machismo pra ter algo do que reclamar.

Conversa posterior com Fernanda H.:

C.F.: Lutam pela proibição de passear no shopping pra fazer compras, nao pelo DIREITO de passear em qualquer lugar pra fazer o que quiser

F.H.: Eu tinha problemas num grupo feminista por coisas desse tipo também. O D.D. era muito mais qualificado do que a maior parte das gurias.

-Qual grupo? Desses que o D.D. participa pra comer minas?
-Não, os amigos dele falam isso porque não querem entender e acham mais fácil resumir assim. Mas voltando, era um problema porque quem queria mandar eram gurias que não sabiam direito o que falar, queriam só porque eram mulheres. Eu entendo a questão da representatividade, mas saber o que falar é tão relevante quanto.
-Poisé, mas sobre representatividade, a questão (pra mim, pelo menos) é: pessoas envolvidas numa mesma causa, homens ou mulheres, não deveriam ter SUPERADO esse separatismozinho, essa ‘necessidade’ de diferenciar a voz e direito masculina da feminina quando o mais importante é o discurso, a dialética, a discussão em si?
-Sim, concordo, mas em termos VISUAIS é a questão das politicas de cotas. Mas que se tenha dois representantes, então.
-Vou levar isso em conta antes de me meter em fóruns ‘alheios’.
-Mas eu acho positivo que tu te meta.
Só lembra que quando as minas ficam nesse separatismo maluco é porque percebem que não ocupam os mesmos espaços, e tem gente que se perde nessas, achando que a solução é eliminar os homens. Faz parte do ativismo estar sempre em duvida sobre as suas posiçoes. Quando a pessoa tem certezas demais eu começo a desconfiar.

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6 respostas para não me diga como ser feminista

  1. Luciana disse:

    O radicalismo ao invés de agregar e trazer mais pessoas para o lado da mudança, acaba aumentando a resistência de quem está começando a se interessar pelo assunto, tanto homens quanto mulheres. Eu fiquei muito chateada, quando em uma discussão, detonaram a GibCon alegando objetificação da mulher; bah não dá mais pra gostar de hq e Dragon Ball? Entreguei minha carteirinha.

    • J.P. Flores disse:

      a questão do feminino dentro de outras culturas é bem complicada mesmo, ainda mais se quiserem ir contra meus amados quadrinhos. mas essa forma de arte tem uma defesa mais do que válida: o retrato da realidade. claro que um artista pode ir além, não é obrigado a desenhar a mulher como sendo sempre aquele padrão de beleza blablablá, mas antes de mais nada, não se pode criticar toda uma forma de arte e a cultura em torno dela quando estas nada mais são do que o reflexo da própria sociedade em que foram criadas.

  2. Joane Farias Nogueira disse:

    Acho que é muito fácil taxar de radicalismo qualquer coisa que não agrade o seu idealismo.

    Não há nada de sexista em falar para homens que teimam em definir e querer ensinar para nós o que é machismo.

    Eu conheço o trabalho das meninas, visito frequentemente a page delas e estou falando apenas o que eu vejo.
    Se você mesmo disse que não conhece a pessoa,fica um pouco complicado definir como machismo. Não acha? O que me motivo a dar esse comentário não é nem a defesa das meninas tão-somente. Mas, é porque eu entendo o que elas falam pelo simples fato de que cansei de ver,ouvir e ler homens querendo definir ou redefinir os conceitos de machismo e feminismo. E sempre de forma a nos inferiorizar e ensinar para gente como o feminismo deve ser ou dizer que comercial de homem invisível invadindo banheiro feminino é só brincadeira,não é machismo.

    Grupos feministas; há homens no feminismo e eles devem ter e seguir a própria agenda, apoiando e sendo apoiados, mas não se metendo em tudo. Te convido a ler :http://blogueirasfeministas.com/2013/04/homens-pro-feministas-aliados-nao-protagonistas/

    “Não venham me dizer como fazer o NOSSO feminismo.”. Porque homens não devem opinar em grupos feministas.

    Querida, não é tendencioso falar que homens em espaços feministas vem carregados de patriarcalismo e machismo e muitas vezes podem sim intimidar as mulheres ainda que não seja a intenção. É preciso fortalecer as mulheres,pois de nada adianta conscientizar os homens do machismo e esquecer as mulheres que foram detonadas em sua auto-estima esses anos todos.
    Esse espaços servem como uma proteção à reeducação contra o machismo. Onde mulheres podem se unir e aprender a confiar umas nas outras, porque isso sempre nos foi tirado pelos mitos machistas em relação às mulheres e pelos incentivos à competição feminina. Amizade entre mulheres sempre foi algo visto como frágil,falso,perigoso. Precisamos de espaços exclusivos para confraternizarmos,pois mulheres, ao contrário dos homens, pouco tem essa chance de se conhecerem melhor.

    Não é questão de eliminar homens, mas de fortalecer bases. Principalmente as bases da amizade feminina. Mas, tem que ser muito anti-mulher para criticar espaços exclusivamente femininos, quando os homens tem tantos e ninguém os critica.

    • J.P. Flores disse:

      Olha, coloquei minha conversa com uma feminista com mais de uma boa década de luta e estudos ali justamente porque ela me fez ver esses pontos, explicou o porquê dessa atitude (sem necessariamente defendá-la). Também acompanho e gosto da página, como deve ter percebido.

      No mais, o que começou a discussão – e discussão é sempre ou quase sempre bom – foi o fato de ter sido um comentário infeliz, de ter ofendido não aquele, mas todos os homens. Por sinal, o cara que deu aquela sugestão, que deixei bem claro ser infeliz mas poderia ser feita por qualquer homem ou qualquer mulher (e aí o que apontei como sexista por parte de quem respondeu) se explicou na página, elaborou argumentos etc. A mesma boa educação não foi demonstrada pra ele ou qualquer outra pessoa em meio a tudo isso.

      Depois olho teu link. Joane. Não cheguei a citar, mas aqui (em Porto Alegre) grupos feministas fechados até pra participam de homens tornavam-se vagos e sem muita discussão justamente porque deixavam de fora o insight da visão de homens, ou de, no caso, um feminista daqui que tinha muito a acrescentar devido a seus anos de experiência e estudo no assunto, mas não podia porque, sendo homem, não podia opinar no feminismo desses grupos. Sim, um ou poucos exemplos não passam disso, e podem ser rebatidos por exemplos contrários, mas pode te dar algo sobre o que pensar, pelo menos. Não estou de forma alguma dizendo que aquela sugestão tivesse algo a acrescentar. Foi tosca, como eu disse, e veio de uma pessoa, não veio necessariamente de um homem; a mesma coisa é dita por muitas mulheres o tempo todo. Por isso, a resposta foi sim completamente infeliz. Só apontei isso.

      • Joane Farias Nogueira disse:

        Acho que captei tua mensagem, ou não…rsrs”
        Resta saber,agora.
        Olha, eu também quero a participação de homens no movimento. Mas ainda temo algumas coisas. Tem muito machismo ainda nas meninas,quanto mais nos meninos. Eles ficam tentando nos ensinar e nos convencer sobre o que é machismo ou não. Ao mesmo tempo que quero, fico muito reticente com isso.

        Mas,fora isso, eu realmente acho que ainda devemos ter grupos exclusivamente femininos para nos fortalecermos e depois,quem sabe, receber os meninos. Digo quem sabe porque ainda pode haver necessidade de reunirmos somente mulheres e fortalecer a amizade,diminuir a competição e as manias que nós adquirimos para nos proteger. Sim, nos proteger,pois quantas mulheres conhecemos que não atacam outras que querem viver livremente?
        Como se não soubéssemos que muitas gostariam de ter essa vida,mas ficam repetindo o mantra “isso é coisa de vadia,isso é coisa de vadia”ou somente julgam as outras para parecerem especiais,porque ambas compraram o discurso machista de valorização através do uso de sua vagina.

        E fora os muros que precisamos derrubar : A competição entre mães, a falta de confiança entre mulheres, competição pela atenção masculina, por roupas e beleza…
        A falta de confiança em si mesma, a obsessão pela imagem e a tristeza que ela causa, a falta de firmeza, o medo de dizer não (eu em especial sofro com isso) e etc.. E também quero que certos pensamentos das meninas em relação aos homens sejam corrigidos. De que adianta falar de igualdade quando as meninas ainda querem um provedor como símbolo do príncipe encantado?

        Minha intenção em achar que devemos ter grupos exclusivamente femininos é tratar dessas coisas.
        Mas, enfim,o feminismo é plural e não precisamos ter um pensamento só para nos apoiarmos. Eu poderia apoiar grupos exclusivos e mistos. Acho que seria o melhor.

  3. J.P. Flores disse:

    o lance é: há uns 40 anos atrás a Anaïs Nin dava palestras em que achava uma pena que ainda houvessem grupos feministas “atrasados” o suficiente pra não aceitarem homens, que isso é coisa do feminismo dos anos ’50. Claro que muita coisa mudou desde lá e que talvez existam sim motivos para grupos de discussão (coletivos etc) fechados, mas em geral isso dificilmente vai ser positivo.

    Tudo isso que tem que ser derrubado tem que ser derrubado por homens e mulheres feministas. A verdade é que, fora aquilo que nos foi incutido por criação e que ainda está sendo trabalho, sentimos (falo de mim e alguns amigos, talvez longe de maioria, mas ainda assim, um bom número) pouca diferença entre gêneros. Tratámo-nos por igual mesmo, e é por isso que sei que a discussão já foi ou pode ir além da barreira do gênero.

    Isso tudo que tu falou me foi dado em exemplos pela amiga que cito na discussão. Problemas que se viam justamente nos coletivos que não aceitavam homens, isso aqui em POA, pelo menos, nos grupos criados dentro da faculdade, há dez anos. Não tenho muito contato com gente de lá, fiquei sabendo há poucos dias de grupos de discussão femininos (creio que exclusivos às mulheres) dentro de um curso específico. Se está dando certo assim ou não, não sei.

    Aliás, ‘dar certo’ é bem relativo, né? Afinal, a idéia é discutir mesmo. De qualquer jeito, imagine que perda deixar de aceitar a participação do amigo que é citado ali, com décadas de experiência em feminismo, apenas por ser homem?

    Enfim. Ainda estou meio ‘matutino’ demais pra argumentar com calma aqui, mas gostei da tua resposta. =)

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