para a.h.

Conheci Ana em Florianópolis, no seu aniversário de 26 anos.

Lembro que estava com minhas calças cáqui e alpargatas com meias, apesar do calor, e ela vestia o que percebi ser seu traje de guerra em tempos de paz: uma saia longa, espaçosa, dessas com que se pode dançar em um elegante salão ou em cirandas indígenas com a mesma desenvoltura, e uma camiseta rasgada nas mangas, branca, até onde lembro, totalmente casual.

Ela veio a mim e perguntou:

—Tu é o garoto de som e visão?
—Sim, eu sou a voz e eu sou o olhar, respondi.

Na época eu estava em contato profundo com minhas origens indígenas e assumira meu amor à fauna e à flora com a autodenominação Coiote Flores, alcunha que carrego até hoje e carregarei até o fim dos tempos.

Dançamos frente aos olhos estupefatos de convivas meus e dela, que, nunca tendo nos visto juntos, não conseguiam esconder sua surpresa com nosso entrosamento. Dançamos até que a fogueira em torno da qual nos conhecemos se apagasse, e só então nos retiramos, feitas as devidas apresentações, cada um para seu canto.

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