homem do gato

Atirei um pau no gato
mas o gato
não morreu
Dona Chica
admirou-se
com o berrão
com o berrão
que o gato deu

Assim como o homem do gato, essa música me deixava muito perturbado. Visualizava, quando ouvia ou tentava cantar, o que a letra narrava e ficava apavorado com como as outras crianças conseguiam cantar aquilo.

O texto que segue foi escrito depois da leitura do post O show do gato não tem graça nenhuma, do blog Ladies Garden (feminismo e veganismo).

Interessante a sugestão da SEDA, mas acho de uma ingenuidade que não pode passar da idéia porque ela se mostra totalmente ineficaz. É bem intencionada no que se refere à divulgação da missão de proteção aos animais enquanto permite a continudiade do espetáculo que é ato que sustenta aquele tipo de artista de rua; tenta agradar a todos, mas talvez até demais – se fosse possível, talvez Martin Luther King sonhasse com criancinhas negras e agentes da Gestapo andando lado a lado de mãos dadas em igualdade e união). Bem, chamem de arte, de tradição, ou o que for; nem toda herança cultural deve ser mantida só porque é herança. Acho que a evolução – biológica, pessoal, social – nos ensina isso.

Bem, sumarizando: longe de mim proibir manifestação artística, mas essa já se tornou única e exclusivamente uma forma de entretenimento cuja essência é a demonstração vulgar de violência, onde a platéia mais impressionável, pelo menos eu acho, é a das crianças. E aí já foi feita a incitação da violência, porque é violência que as pessoas querem ver. Qualquer mensagem em defesa dos animais, seja como for elaborada, será respondida com assentimento condescendente do público. Imagine todo mundo dizendo “É, é mesmo” quando o artista ou outra pessoa lembrar que é importante respeitar os animais, mas na verdade estão todos pensando “Concordo com o que for, mas dá pra calar a boca e continuar a brincadeira de espancar o gato?”.

A violência como entretenimento funciona, mas ela tem que ser só isso, e não incorrer, mesmo que não intencionalmente, na enraização da violência divertida nas mentes dos espectadores.

Mas bem, tentam acabar com o espetáculo de horrores e, depois o artista do mesmo é convidado pra um grande evento cultural? Parece retrocesso, à primeira vista. Mas talvez ter o mesmo público que vai debater o bem-estar animal talvez seja a “colisão” necessária pra acabar de vez com o show.

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