Tentativa de Feminicídio Abortada

RELATO DA TENTATIVA DE FEMICÍDIO ABORTADA NO VALE DA UTOPIA

O relato é de um amigo meu. Só copiei e colei aqui. Porque isso acontece, acontece, acontece. Lembrem e – por favor – evitem. Quando digo evitem, não é pra vítima, mas pra quem puder ajudar. Porque um momento muito entristecedor e indignante aí é saber que havia outras pessoas e nenhuma fez nada pra impedir a violência contra a mulher ou contra o relator. Pessoas ficavam em volta olhando.

E quando o agressor foi imobilizado, um amigo dele veio em sua defesa: “Larga ele, a mulher é dele.”.

“Então, no meu ultimo dia no vale da utopia, estava eu tranquilamente dormindo na minha barraca depois de uma festa, quando acordo com um grito feminino. Desperto e ouço mais gritos, gritos abafados e entrecortados, como se alguém tivesse tapando a boca da mulher. Fico atento, tentando entender, e ouço dois nítidos gritos de SOCORRO!, daqueles que ecoam por todo o vale. Saio da barraca, de calção e mais nada, e vou em direção da onde estava vindo o grito, e me deparo com uma das cenas mais escrotas que já presenciei na minha vida. Frente a um publico que tinha saído das barracas e observava tudo passivamente, estava um “maluco de BR” arrastando uma mulher pelos cabelos, enquanto gritava “PUTA, VADIA, VAGABUNDA, EU VOU TE MATAR”. Eu, incrédulo de estar presenciando aquela cena, começo a gritar com o cara “O meu, o que ta acontecendo”, que em resposta ele grita pra mulher, com uma voz patética e meio esganiçada “TA VENDO O QUE TU FEZ, SUA PUTINHA? TA ME FAZENDO PASSAR VERGONHA!”, e monta em cima da mina e começa a encher a cara da mulher de socos com as duas mãos e esmagar a cabeça dela contra o chão. Eu, que não tive uma criação de assistir esse tipo de situação de forma passiva, parto pra cima do cara, tirando a mulher de baixo dele, que já se encontrava em bem mal estado. O cara parte pra cima de mim, e enquanto grito pra mulher ir embora, troco um pouco com o cara e consigo derrubar ele no chão, e o imobilizo. A galera começa a se aproximar, agora que a situação estava mais controlada, e começo a sentir chutes nas minhas costas, vindo de um outro hippie, amigo o mesmo, gritando “Solta ele, é a mulher do cara!”. Tento argumentar, dizendo que ela não era de ninguém, e que eu nem estava batendo no verme, estava apenas o imobilizando, mas por fim esse segundo hippie (que era bem maior que o primeiro) consegue me tirar de cima do cara, e vem os dois pra cima de mim. Consigo segurar um pouco o ataque dos dois (mantenham a imagem disso acontecendo com um bando de homens e mulheres em volta, sem fazer nada) até que um deles (o que estava tentando matar a mulher) corre, pega um facão e vem pra cima de mim. Tenta dar um golpe, tenta dar o segundo, e no terceiro quase me pega por pouco, acertando uma arvore que estava atrás de mim. Corro e por sorte tinha um segundo facão perto, que pego e me volto pros micróbios que me atacavam. Eles ficaram reticentes, e eu fiquei em dúcida do que fazer. Sinceramente me garanto no facão contra aquele verme, mas po, vou matar o cara ali, nesse momento? Resolvo seguir um conselho de quem estava assistindo e pediu pra eu “vazar fora que eles estavam loucos”, e vou, ajudado por duas meninas que foram as ÚNICAS junto com a Roberta que se posicionaram na situação. Antes de entrar na trilha, pedi pra quem ficou que olhasse a barraca que eu estava, e fui lá ficar num acampamento bem mocado no meio da mata. O cara pegou e destruiu minha barraca a golpes de facão, e entrou no mato pra ir atrás de mim. Tava na posição de evitar um confronto de facão com o cara, e fui com as duas guerreiras que me acompanhavam até a caverna do vilmar, onde ele e a sua companheira se interaram da história e ficaram horrorizados. De lá fui até a cidade por uma trilha alternativa, onde encontrei a roberta e um pessoal que tinha levado as minhas coisas até lá. Enquando isso, o femicida esta lá no vale, cantando de galo e ameaçando as pessoas com o facão dele, completamente estriquinado. A dita “mulher dele”, tinha dado entrada no hospital.

O que mais me indignou nessa situação foi a passividade e bunda molice de todos no vale, principalmente aqueles que assistiram a situação, e ainda mais daqueles que ouviram os gritos de socorro e nem abriram a barraca pra “não se incomodar”. Quem bateu na mulher não foi só o “maluco de BR”, mas todos aqueles que observaram e se interaram da situação e não fizeram nada para intervir. Gente assim justifica a existência da polícia no mundo. É por causa de gente como essa que o mundo é uma merda. Sinceramente, não consigo conceber ficar quieto e passivo frente a uma situação flagrante de opressão, agressão e injustiça, e não consigo conceber que pessoas, muitas que se dizem “libertários”, da paz, comunistas e feministas consigam. Não vou citar um por um, mas todxs sabem quem estava no vale quando isso aconteceu, e depois que eu fiquei sabendo que a Roberta foi desesperada pedir ajuda de barraca em barraca do povo conhecido de porto alegre, frequentador desses espaços alternativos, e só ouvia “não quero me envolver”, nossa, vontade sincera de vomitar.

Essa situação levantou varias questões para a reflexão sobre caráter, sobre machismo – afinal, como disse o nosso amigo, se fosse um cachorrinho sendo morto assim publicamente aposto que bem mais gente interviria, mas como era a “mulher do cara”, ninguém interviu, mostrando como ta impregnado nas pessoas o sentimento divino de propriedade dos “caras” sobre a “mulher deles” -, e sobre a responsabilidades daqueles que assistem e não fazem nada. É a bunda molice de vocês que faz o mundo um lugar horrível pra muita gente. E só estou vivo graças a Alá e meus orixás, por que o resto da galera só sentaria e lamentaria a minha morte.

Ah, o hippie micróbio maluco de BR em questão se chama Tiago, segundo ele é se São Paulo, tem a pele levemente escura, cabelos lisos e compridos, é bem magro, e segundo ele tem o direito de matar a mulher dele se quiser (frase que eu escutei também dele falando pra mulher “Sabe por que teu pai matou tua mãe? Por que ela era uma PUTA!”). O segundo era gordo, loiro, de cabelo curto e alto, não sei o nome dele ainda.”

Anúncios
Esse post foi publicado em mundo real e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s