livro: por fora da copa

uma resenha sobre POR FORA DA COPA, de Eduardo Menezes.

capa - por fora da copa Um guia da Copa sobre: crises de crédito, linguística, sexo, maconha, xadrez, televisão, arrocho salarial, medo da vitória, revolucionários, Mona Lisas, placas tectônicas, psicologia barata, máfias, reis, neve, filipinos, leis de mercado, racismo, estrangeirismos, diplomacia, primavera árabe, expedições, ursos, guerras, imigrantes, xamanismo, narcisismo, macumba, tango, hinos, burocracia, aiatolás, fogueteiras, maioridade penal, jogos arranjados, presidentes exilados, cartolas, doenças coronárias, passaportes — e um pouco de futebol.

Esse livro é, antes de mais nada, uma bem detalhada e divertidíssima aula de história. E nessa aula temos, como é de se esperar, um pouco de futebol, um pouco de muitas coisas relacionadas a futebol e um tanto de não-futebol e os assuntos relacionados a isso.

Confuso? Nem tanto. O que Menezes faz é um apanhado geral de vários detalhes importantes sobre cada país participante do evento no ano que corre. Conhecimentos gerais e curiosidades, das mais importantes às mais triviais, sobre cada uma dessas nações e suas seleções nos são apresentados em um texto praticamente impecável (acreditem em quem é chato enquanto revisor: só achei erros de digitação) que torna cada fato apresentado uma necessidade de conhecimento que até então desconhecíamos.

O livro, como o pop na letra de Humberto Gessinger, não poupa ninguém, com o perdão do que parece uma dupla negativa mas não é; o autor, ao contrário do que se espera de um entusiasta do esporte de pelota, menciona sem medo a corrupção no futebol, as mazelas que um evento dessa grandiosidade traz ao país sede e até, pasmo eu, a importância social desse esporte, que tantos insistem em negar — ou ver apenas pelo seu viés negativo, o que configura alienação, que é justamente o que os críticos tanto criticam quando usam a analogia do panis et circenses para o entretenimento dos gramados.

Reproduzo aqui alguns trechos que gostei bastante, mas acreditem, há muitos outros, provavelmente muito melhores, nas 157 páginas de informação que compõem esse livro. E se você pensa que é um compilatório de anedotas de futebol, repense: é, como eu já disse (presta atenção, pô!), uma aula de história muito, mas muito bem detalhada. É o tipo de texto que só uma memória como a do Eduardo Menezes aliada à sua fenomenal capacidade criativa pode produzir.

“Criadouro de imbecis em qualquer parte do mundo, as torcidas orgnizadas na Itália têm em suas fileiras uma série de elementos ligados com movimentos de extrema direita, nacinalistas e neonazistas. (…) Multas são aplicadas aos times das torcidas infratoras e o dinheiro financia ONGs de combate à discriminação, partidas são relizadas com portões fechados e investigadores são infiltrados nas torcidas.”

“Estranhamente para aquele jogo, o time adotou uma tática bastante defensiva, diferente do que vinha fazendo na competição. O jogo, além de chato, contou com um gol de falta de David Beckham, que é um dos maiores enganadores da história do futebol. Por se acovardar e por dar oportunidade de marketing à Barbie de chuteiras, o ________ merece ser punido.”

“É tanto desperdício que eu poderia apostar que a única coisa ligada ao Mundial que não foi superfaturada é este guia que você está segurando (embora eu não coloque minha mão no fogo pelo editor).”

Livros de Eduardo Menezes no site da editora Dublinense

Na foto abaixo, é possível me ver ao lado do autor e outro comparsa dos tempos áureos de blogs, o Bituca, deixando claro que o favoritismo à sua obra nesse post está diretamente ligado à amizade, o que não diminui de forma alguma o mérito dele.

PS: só agora percebi que o Menezes está segurando um exemplar do meu livro na foto. Amei!

coiote, bituca, menezes na  livraria saraiva

Fique claro que continuo contra a realização da Copa 2014 no Brasil, em nome da qual tantas pessoas foram espancadas ou mesmo mortas. Defendo, sim, a publicação do livro, que teria acontecido de qualquer jeito. Pra quem não sabe, outro guia foi publicado pelo mesmo autor em 2010. Chama-se “A Copa Que Interessa” e pode ser adquirido pelo site da editora.

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