the language of dude feminism – em português

[Dude, do inglês, algo como “cara”, “véio” ou outra gíria que se refira ao homem amigo, parceiro etc]

Tradução: Coiote Flores
Texto original, em inglês: The Language of Dude Feminism

‹‹Ao invés de atacar a instituição da mascunilidade em si, várias campanhas recentes têm tentado um tipo de triagem da masculinidade, tentando eliminar violência contra mulheres, enquanto continuam lisonjeando homens com o título de protetor. Essas campanhas, como “homens de verdade não compram garotas”, “minha força não serve para machucar” e encarnações variadas de “como você se sentiria se alguém dissesse isso pra sua mulher/irmã/namorada” se provaram enormemente popular, alcançando prodigiosas repostagens, eventos e espaço na mídia.

Elas são, por muitas medidas, bem sucedidas, e fizeram instituição há muito silenciosas sobre direitos das mulheres levantarem suas vozes. Acredito que estamos melhores por causa delas, mas também também acredito que não vão longe o bastante e que precisamos todxs, enquanto feministas, radicais e progressivas, forçar para fora de nossas zonas de conforto.

Nessas campanhas, a mística masculina ainda é muito presente, embora em uma versão mais gentil. Ao elogiar a força dos homens e pedir a eles para que a usem pra proteger mulheres, nós colocamos novamente o homem no banco de motorista da cultura, pedindo que renunciem à violência e sejam guardiões menos vis.

Todas essas mensagens têm em comum que homens PODEM estuprar, machucar, comprar mulheres, assobiar ou o-que-quiser, mas que NÃO DEVEM FAZÊ-LO. Homens, nos dizem, não devem machucar mulheres, não por causa de direitos intrínsecos à mulher que possam haver, mas porque outros homens poderiam fazer o mesmo com SUAS mulheres, e isso seria horrível.

O privilégio masculino é redefinido, mas não negado, de uma forma que deixa a masculinidade inquestionada e ainda dominante. A maravilhosa, complexa e multifacetada linguagem linguagem do feminismo queer, trans, interseccionalistas pró-sexo e o diálogos de direitos humanos é deixada de lado em favor de um pedido para que homens hetero cis-gênero juntem-se ao resto do mundo na mesa dxs adultxs.

Novamente, a intenção aqui não é dizeram que essas campanhasnão fizeram bem algum, mas, invés disso, que deveriam ir além. Certamente há o que se prezar em usar a linguagem do patriarcado para subverter o patriarcado ou usar o prilégio para acabar com o privilégio, mas não fica claro se é o que está sendo feito. Invés disso, parece que homens ganharam um lugar privilegiado no movimento feminista, onde são exaltados simplesmente por não não serem horríveis e seu tão badalado poder continua intacto.

Além disso, a barreira para homens aliados foi colocada tremendamente baixo. Em contraste aos sacrifícios, atos de bravura e lutas diários que mulheres e pessoas LGBT devem assumir para alcançar igualdade e justiça, aos homens é pedido apenas que não comprem pessoas, abusem fisicamente de pessoas ou estuprem. O fato disso contar como progresso é um triste indício de quanto trabalho ainda por fazer, mas isso, eu acredito, é ainda mais motivo para não camuflarmos ou diluirmos a mensagem.

O feminismo fez grandes avançoes contra a opressão patriarcal em muitas partes do mundo e talvez pra finalizar o serviço, para fazer um mundo de igualdade real, a mensagem não possa ser comprometida ou simplificada. Homens no movimento devem (e podem) ser desafiados e encorajados não a agir como um “homem de verdade” virtuoso, mas como humanos.››

Autor: J.A. McCarrol é um escritor residente em Nova Iorque, antropologista e confeiteiro.

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