paz na serra

Um cachorro late à noite enquanto sento em frente à mesa tendo em mãos o livro com o qual me ocupo desde a semana anterior. “Memorias de Mis Putas Tristes”, edição em espanhol, de Gabriel García Márquez. Logo, outros colegas caninos respondem em sua língua ininteligível para nós e minha leitura, assim considero, está decididamente perturbada e não deverá ter continuidade por ora.

Subo até o quarto de minha irmã e decido observar o jardim a partir de sua sacada enquanto saboreio um cigarro. Com o tabaco e a seda em mãos, me acalmo preparando o fumo para consumo e observando o filhote que corre pela grama.

Apagado o cigarro minutos depois, em silêncio entre os morros e sob a neblina que cobre boa parte do território à minha volta, retorno a leitura com a certeza de que lá fora não há a paz que há aqui, e que isso já não me interessa. Minha relação com o mundo não mais é, tampouco deixou saudades.

Até onde sei, além de onde minha vista alcança o mundo pode estar ardendo em chamas e eu pouco me importo. Tenho meu tabaco, alguns livros e litros suficientes de vinho e um ou outro destilado.

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