As torcidas queer depois da Copa do Mundo

Em abril de 2013 surgiu a página QueerLorado, reunindo torcedores do Internacional que tem em objetivo comum o fim da homofobia entre torcidas, nos estádios e fora deles. Quando se fala em homofobia, é quase impossível não pensar também em outras formas de discriminação, sendo as mais “gritantes”, a meu ver, o racismo (e preconceito étnico em geral), a misoginia e a transfobia. A causa defendida por essa página abrange tudo isso. E, claro, não é a única.

O grupo surgiu como parte de um movimento de âmbito nacional reunindo torcedores de times de todo o país — surgiram, se não logo antes, logo depois, páginas contra o racismo, machismo e homofobia criadas por torcedores do Corinthians, do Atlético Mineiro, do Grêmio (rival local do Internacional), São Paulo, Palmeiras, Flamengo etc.

Ignorados ou até mal vistos por dirigências dos clubes que apóiam, esses grupos — e devem ser entendidos entendam assim: grupos, movimentos, coletivos, ativistas etc, mas não como torcidas organizadas — foram foco de jornais de todo o país nos dias, semanas e até meses que seguiram a eclosão de páginas do tipo. No resto do mundo a difícil batalha pelo fim da violência e discriminação no futebol já é conhecida do público.

Na Holanda, um vídeo pela Federação Holandesa de Futebol mostra jogadores dentro do armário (literalmente!) tentando jogar e falhando devido ao desconforto do armário. Um tanto bobinho, digamos, mas é a simplicidade desse simbolismo que ajuda a passar o recado claro: homofobia é ruim para o esporte. Bem, é ruim de qualquer jeito, mas por que não fazer o torcedor entender que sua atitude atrapalha seu próprio entretenimento?

Com o fim da Copa do Mundo, ONGs LGBT e de Direitos Humanos aproveitam o entusiasmo futebolístico internacional pra voltar a cobrar ações da própria FIFA para o mesmo fim que tantos torcedores (e poucos jogadores, muitas vezes pressionados ao silêncio) têm em comum.

Essa semana, Gabriel Gaspar, da Radio France Internationale, preparou uma matéria sobre isso. Tive o prazer de conversar com ele ao telefone e pelo que vi, sua matéria concisa consegue mostrar bem o espírito da luta anti-homofóbica, anti-racista e anti-machista dos grupos “queer”.

A matéria você pode ler aqui: Passada Copa, torcidas gays querem sair do armário no Brasil
Para o áudio do programa, disponibilizo a mp3 em minha conta soundcloud, mas você pode ouvi-la clicando no link para o mesmo dentro da página da matéria redigida por Gabriel.

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