á?!

Tenho até outubro pra pagar a multa por não votar (!!!), com juros, na frente de juíz “responsável”. Aí tem que justificar — anyways. Aí tem que dizer que “tava de responsável por uma pessoa que foi espancada por policiais no 4 de outubro”.

não que eu tenha feito grandes coisas; só quis acompanhar mesmo a bróder machucada — que, obviamente, tbm foi forçada a justificar voto meses depois.

enfim.votar é alimentar a “democracia” praticada no Brasil. adoraria representantes de minhas idéias no poder — mas, aí, penso: representante de MINHAS idéias? Isso já é sobrepor-me a outrem.

Há anos prova-se a inutilidade do sistema capitalista, e há anos os defensores do mesmo usam os avanços de outrem.

Achei que o software livre, compartilhamento e cooperativismo geral online serviriam de exemplo — e serviram.

Mas a vida vai. Distribuo tudo que acho online pra todo mundo que cata (por exemplo, encontrar referência textual que nem o Google acha — fiz. Várias vezes.

Distribuo amor, também: sou amor da cabeça aos pés! (mentira, tá? Esse papinho de “Sou Feito de Amor Abaixa o Machismo Contra a Policia Tira a RouPa Tiro Foto Posto Pros Bróders Legendas Sobre Seu Corpo” não é comigo.

Voltando: ta mais do que provado que esse sistema não funciona. aliás, não posso ser o único que desde a quinta série sacou que esse “troca-troca” era um arranjo temporário.

Hoje pensei em como é bon ter chegado ao ponto em que trabalhadores de rua me vêem e oferecem ou pedem tabaco, mas nunca dinheiro. Me dão fumo e seda, se não tenho. Quando tenho bebida, dou; e vai passando entre várias pessoas, educadamente perguntando se posso dar.

Ganho umas fumadas num beck de um casal numa segunda-feira à tarde. Eu tava morando na rua, naqueles dias, mas me trataram bem. Ganhei beck e companhia. Quando se vão, deixam a ponta.

Conheço uma turma de rua do parque que me chama pra conversas e sentadas todo dia.

Enfim. Um dia volto pra casa. Outro volto pro parque. Dou tudo que tenho sobrando, recebo o mesmo carinho.

Encontro um maconheiro que servia de barman nos ’90 — trocar histórias sobre Osvaldo é sempre bom — e até minha esposa fica surpresa com a quantidade de gente querida que chega oferecendo comida/cigarros ou pedindo comida/cigarros.

Bem. Perco o pneu da bici (que ganhei dum querido que desprendeu-se de velhos medos pra me dar um selinho só porque nossa amiga pediu — porque queria ver ele (com quem trepava) beijando outro homem? Ou porque queria libertá-lo duma limitação relativizável?

Talvez nem isso, nem aquilo. O importante é que ganhei a bici dele meses antes quando fui a sua casa com uma amiga mais do que honesta: nos conhecemos num pub, ela falava sobre sua filha, eu falava de meu livro. Ela disse que não curtia ler muito, eu disse que — ia sair pra fumar um crivo e já volto.

Meses depois, eu tava na casa dela roubando o sabre de luz da sua filha.

E enquanto estávamos na casa do amigo que, depois de um trago leve, e umas Eisenbahn que insisti em comprar às 7 da manhã pra tomarmos na pracinha perto do Museu do Trabalho, ele me pediu pra ficar com a bici. Levei, inflei pneus, fui até a Ponte da Pedra ver amigas dançando com membros do sete nove (infeliz coincidência, acontece), perdi chave de casa…

Bem. Vou parar na noite em que vi gente querida dançando com membros dum grupo que deu mt merda a ser falada — e com razão — mas ignorou o assunto.

Lembro de perguntar pro único conhecido que vi lá “qual é a tua? poxa, te vi no meio dum bando de otários, e ta chato, pq né, temos amigas em comum q tao achando palha etc etc ” aí ouvi um “foda-se oq essas gurias pensam!” — seguido de “tem beck, coiote?”

[sobre isso, trust no one: demorei anos pra aprender que sou machista, mesmo que tente mudar; que várias atittudes e pontos sociais ligados a mim são resultado disso etc etc etc. enfiiim, saco muito a quantidade de ~homens não machistas~ que compartilham posts meus, de amigas minhas, de grupos feministas ou lgbt ou outrem contra opressões sociais e a favor de mudanças e igualdade etc – e que encontro pessoalmente e só tem uns papinhos ruins (nível “rola mulherada na festa de sexta?”!)]

Nossa amiga comentou que dei em cima dela mais de uma vez, inclusive, várias; pedi desculpas, e mais desculpas por ser sequelado. Ela disse que nunca incomodei: cada vez, ouvia um fora, ficava na minha, e continuávamos conversando, bebendo, fumando. —Mas repetir o processo é um saco, não? — ANyways, somos miguxos que se respeitam e amam Que ela chega, pede uma bira e ainda avisa “Coi, não quero tua bira, eu queria mesmo é te ver, maaas já que tu ta aí no pub, vamo encher a cara?!”

Enfim. Tem genteboa no mundo. Tem gente que atrapalha.

Graças à resenha de uma bartender do Dirty Old Man, confiei no meu novo livro e contratei a impressão gráfica. Graças à vuduzagem, conheço o dono da gráfica independente.

Graças à sorte aleatória, eu tinha 2 pila sobrando na segunda-feira em que escrevi o livro.

enfim.Não consigo parar de escrever/falar.

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Uma resposta para á?!

  1. gospel disse:

    cara só um ponto para tu não propagar informação errônea: o exemplo do software livre fede a uma merda de diarréia “democrática”… tipo para leigos o “ideal” do software “livre” é algo utopicamente bacana… mas tipo se tu for olhar quem é o o idiota do chefe executivo do free software foundation (o Maddog) e pesquisar sobre o mesmo, tu vai remover a citação deste teu post… pois segundo a ideologia dele, o software livre é algo que te da a OBRIGAÇÃO de ser livre… algo bem parecido com nossa democracia da qual você é obrigado a votar… nao to dizendo q sou a favor de software proprietário (jamais!), mas seria correto forçar um escravo a ser livre se ele é feliz por ser um escravo (referência a game of thrones….)?

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