um poema de walt whitman

Cronistas dos séculos que hão-de vir,
Venham, vou fazer-vos entender o que está sob minha impassibilidade,
dizer-vos o que há a dizer a meu respeito,
Publiquem o meu nome e pendurem o meu retrato como o do amante
mais tenro,
O retrato do amante, do amigo, de quem o eu amigo era o amante mais
dedicado,
Que não estava orgulhoso das suas canções, mas do imenso oceano
de amor dentro de si, que espontaneamente se derramava,
Que muitas vezes caminha só, recordando os amigos queridos, os
seus amantes,
Que, pensativo, longe daquele que amava, muitos vezes, passou muitas
noites sem dormir, triste,
Que conheceu demasiado bem o doentio medo, receando que aquele que
amava lhe fosse secretamente indiferente,
Cujos dias mais felizes foram passados longe nos campos, nos bosques,
nos montes, ele e um outro vagueando de mãos dadas,
os dois isolados dos outros homens,
Que muitas vezes enquanto vagueava pelas ruas apoiava o braço no om-
bro do seu amigo, enquanto o braço deste se apoiava
igualmente no seu.

Tradução: Maria de Lourdes Guimarães

Anúncios
Esse post foi publicado em versos e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s