todo apoio à luta das alunas do colégio anchieta!

Primeiramente, leia o texto na íntegra. Elas esclarecem bem vários pontos relativos à educação bem como a liberdade de vestuário em detrimento da continuidade de ideais machistas dentro da instituição, aparentemente a dificuldade maior de entendimento de muita gente, mascu ou não. Ali você já pode mostrar seu apoio assinando a petição online.

Em segundo lugar, ressalvo que não cabe a homem algum querer ditar como deve ser a luta feminina, seja em geral, seja numa manifestação de estudantes de determinada escola (embora essa possa ser precedente pra outras). A nós cabe justamente o que vi muita gente não fazer: descontruir sua própria criação, inevitavelmente machista — e não, cara, não estou culpando seus pais: vivemos em uma sociedade machista. E, enquanto faz-se isso por si e consigo, tentar levar a mesma descontrução ao seu ambiente: são seus amigos, parentes, colegas de trabalho que estão perpetuando o machismo, na sua atitude em relação às mulheres, nas suas piadinhas “inocentes” etc. O melhor que você faz pela causa alheia é não atrapalhá-la, e pra isso, posicionar-se contra o patriarcado do qual fazemos parte e pelo qual fomos privilegiados é um bom jeito de fazê-lo.

Agora, de volta ao assunto:

até o Anchieta entendeu sobre o que é que elas tão exigindo ao exigirem esse ou qualquer outro direito. Tente fazer o mesmo: volte alguns passos e LEIA O TEXTO DELAS!!!.

“A assessoria de comunicação esclarece que o Colégio Anchieta está acompanhando a reivindicação dos alunos de trazerem para discussão temas da atualidade presentes no contexto educativo e social. Por isso, reitera que está dialogando com a comunidade anchietana (alunos, pais, professores, funcionários) sobre as questões em pauta, de acordo com seus princípios e valores, bem como, seu modo de ser e proceder”.

Elas falam claramente sobre a liberdade de escolha de vestuário, que é assunto mais profundo do que mera estética, além de mencionarem a importância de discutir assuntos de relevância no colégio, o que se encaixa no tema mais profundo dentro da petição que é a educação social que o colégio deveria oferecer invés de coibir/perseguir gurias. O texto delas é não só coerente mas muito claro nesse sentido, não entende quem não quer.

Segue o baile.

“Ou quem sabe a gente junta tudo isso pra mostrar pra omi que não precisávamos lutar por essas coisas se não fossem ELES nos oprimindo todo o tempo desde que o mundo é mundo. reflexão duradoura e profunda, porém óbvia. ter pudor pra saber que roupa usar em certa ocasião é uma coisa, ser proibidx de fazer algo porque a opressão toma conta É BEM DIFERENTE. a proibição de um shorts num 40 graus desses dias escaldantes de verão porque isso CAUSA PROBLEMA na cabeça DOS MENINOS é uma justificativa bem rasa e problemática.” (Sariane)

print de notícias sobre homens usando bermuda no trabalho versus gurias usando short na escola - relativização machista

“Fui catar a notícia de 2014 quando houve aquela campanha pelo uso de bermuda no trabalho por homens. Peguei os comentários no portal Uol. Depois fui na recente notícia das meninas que fazem protesto pelo uso de shorts no Colégio Anchieta. Também peguei os comentários no mesmo portal. Botei eles juntinhos aí pra gente comparar tim tim por tim tim e brincar do jogo dos 7 (milhões de) erros.

1) Imaginem que louco se a repercussão da campanha pela bermuda no trabalho tivesse sido “por que não trabalham ao invés de ficar fazendo campanhas idiotas? baixem a cabeça e vão trabalhar. ambiente de trabalho não é shopping”.
2) Imaginem que louco se a repercussão do protesto pelo short das meninas adolescentes tive sido “muito bem gurias! faz muito calor e poder usar roupa curta deve ser incentivado em nosso país tropical. Não temos que seguir a cultura de trabalho europeia. se meninos podem, meninas também”.

É seria muito louco mesmo” (Laura Barros)

E pra quem argumenta que isso é um protesto fútil etc, as palavras do mestre em História Fernando Pureza:

Sobre os shortinhos e afins, uma coisa fica clara ao meu ver:

A nova geração está mais preparada para a democracia do que as anteriores. Estão discutindo regras e normas, ao invés de acatá-las porque uma instância maior assim quis.

Isso me deixa bastante esperançoso.

E há quem diga que as gurias do Anchieta tem que trocar de colégio (porque “são umas piá mimada”, mas agora, por conveniência, são maturas o suficiente pra decidir por si mesmas independente de terem como pagar — elas mesmas, não os pais — por isso? Ta confuso teus argumento) se não estão satisfeitas com o sistema vigente lá. Então pergunto:

É sua obrigação trocar de emprego invés de denunciar o chefe que te assedia, moral ou sexualmente?

É sua obrigação sair de porto alegre pq o prefeito ta destruindo a cidade?

É sua obrigação morar num país com índices de violência menores já que tão matando a torto e a direito em todos os estados desse?

Aconselho seguir tua própria linha de aconselhamento: se não gosta da manifestação DELAS, basta continuar não fazendo parte da manifestação DELAS.

E um pouco sobre o que conheço do colégio, como ex-aluno e depois de uma conversa com um pai que ingressou seu filho lá gratuitamente, há pouco tempo atrás:

Ah, sobre pessoas que estudam no Anchieta terem dinheiro e portanto podem escolher isso ou aquilo:

estudei lá sempre com bolsa de 50% de desconto. Todo ano ia à Tesouraria, pedia, ganhava. Durante um tempo, tive meus estudos pagos por um amigo de meu pai.

Também tinha um colega que tava acostumado a tomar tapa na cara da PM toda hora só por morar na Bom Jesus. Estudava de graça.

O que sei que mudou de lá pra cá é: dão mais bolsas e elas são integrais.

Não que isso faça diferença, mas já que vocês não gostam de se informar nada, alguém tem que fazer o trabalho difícil e colocar tudo mastigadinho aqui, né.

“Outro dia, fazendo um balanço do feminismo brasileiro, eu dizia, a uma aluna de vinte e poucos anos, que todas as vezes que ela se sentasse para tomar um chope, num bar, com uma amiga, que ela agradecesse a mim, que ela brindasse a mim. Porque quando eu me sentava, em 67, num bar, com uma amiga, éramos convidadas a nos retirar, porque duas amigas sozinhas eram consideradas prostitutas. Nós nos segurávamos nas cadeiras e tinham que nos arrastar. Naquela época, eu protestava porque queria tomar chope, não tinha nem consciência feminista, tinha consciência da liberdade que ia certamente, se transformar, logo depois, em consciência feminista.
Eu acho que, indiscutivelmente, toda essa geração nos é tributária, tem um tributo a prestar às mulheres feministas, que sofreram muito. O movimento feminista foi uma coisa muito dura, e eu fico registrando isso para a história. É curioso, porque todas as revoluções têm heróis, heroínas. O feminismo não tem nada. Não nos custou nada, só nos custou a vida, só nos custou a nossa vida inteira, nos custou a nossa idade madura inteira, custou a muitas o casamento, a muitas os amores, a muitas a vida. Só custou isso, mais nada.”

-Rosiska Darcy


lista de proibições de um colégio (incluindo short)

Foto do Coletivo Feminista de Cachoeira do Sul

“Ensina-se a um menino que ele tem o “direito” de olhar para o corpo de uma garota sem respeito, enquanto se ensina às meninas a terem vergonha de seu corpo e a se sentirem culpadas, mas também a aceitarem o preconceito sem questionar, coisa que elas não estão mais querendo. Ensina-se a elas que estariam sempre “provocando” o seu próprio algoz. Provocando o seu ofensor. Cinismo maior, impossível. E elas já perceberam isso.

É a este cinismo estrutural na cultura, levado a cabo pela instituição escolar que devemos chamar de Educação para o machismo.”
-Marcia Tiburi, em Educação para o machismo

Anúncios
Esse post foi publicado em mundo real e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s