batucar

Quando se busca inspiração, tudo é tão confuso… Difícil saber se se está onde se quer estar, difícil saber de si, difícil tudo.

Tu fica mimado, irritadiço pela percepção de que nem tudo funciona pra ti sempre.

O samba que ouço deveria me animar. A cachaça que tomo deveria trabalhar comigo. E aí se percebe que não é no samba nem na cachaça nem no clima, cidade, momento político, situação financeira, familiar, profissional, amorosa ou o que for que reside sua falta de idéias, mas em si.

Grande epifania, hein? Redescobrindo o que há anos se sabe de tempo em tempo.

Mas ao menos aqui, nesse bar novo, estou em casa. A dona pede licença pra usar o quadro ao meu lado. Um cliente elogia a camiseta do Ramones.

Eles estão em casa e recebem bem um intruso. Quando minha introspeção se transformou em carisma?

Talvez não seja minha hora de escrever poesia. Talvez seja aqui que relaxo, jogo as costas à cadeira como em raro faço e me permito apenas contemplar a vida.

Ela segue.

“Me desencano, amo demais
o meu viver
Ainda te amo, mas não posso
mais sofrer”
,

canta o samba da caixa de som ao lado. Eu vou batucar.

Porto Alegre, 21 maio 2016

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