platônico: fim de temporada

Eu queria muito agradecer ao grupo que criou, ensaiou e apresentou a peça Platônico — a reabilitação. Ambas as experiências que tive assistindo foram incríveis, únicas. E agora que a temporada acabou, posso ficar um pouco à vontade pra falar: deu uma choradeira bonita ao ver os recados de FORA TEMER ao final das apresentações. Acho que isso representa mais do que uma repulsa àquele golpista específico: o protesto vai contra uma onda de repressão que tem assolado o mais, mais intensamente no último ano, mas sendo engendrada há coisa de meia década. Há quanto tempo os bastidores conspiram por isso, já não sei.

Só posso imaginar o quanto as conseqüências desse golpe possam doer pra essa galera, essa turma que tá se formando, e que ta apresentando, com a cara a tapa e toda a coragem que só quem ama sem medo possui. O quanto podem pesar. E é inspirador ver a força que não se deixa de demonstrar justamente no momento de mais pesar, quando tudo à nossa volta parece querer nos fazer encolher em nossos canto. O desespero é a vitória do inimigo, e ver, que invés desse, cada vez mais gente eleva sua voz, faz sua chama, que está sempre lá, ser mais visível, deixando claro o recado de que nenhuma voz vai morrer quieta porque nem uma (nem uma) voz vai morrer; au contraire, sem estremecer, desafinando se precisar, só vão gritar mais alto.

E essa peça me emocionou demais porque normalmente é piegas falar de amor, mas eles não foram piegas. É chato falar de amor, mas eles o fizeram com bom humor. De fato, falar de amor é simplesmente um amor, e se essa palavra se repetiu aqui (como se repete no dia a dia), se ela repetir tanto que pareça perder o sentido, aí sim é que tudo rói e dá pra entrar em desespero.

Sim, escorreu aquela lágrima ao final da peça enquanto são entoadas as últimas vozes em canto, mas também pude rir bastante ao longo da mesma. No fim, ganham todas as emoções por dividirem o mesmo momento. E que dizer desse momento que o grupo me proporcionou?

Só sei que tem um sorriso bobo estampado na mesma cara sobre um chorar leve se deixa escorrer líquido enquanto tento por em palavras o que não é delas. Fiquem então com esse tão singelo quanto sincero agradecimento: muito obrigado!

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