o relógio, outra vez

Fui num bazar procurar peças/tabuleiro/kit para xadrez e nos fundos da loja dei de cara com um relógio. Quase comprei. Achei que poderia esquecer do meu medo da representação tempo, tão perfeitamente demonstrado em Peter Pan pelo crocodilo que engolira a mão do Capitão Gancho com o relógio que este segurava, e de vez em quando o assombrava com seu famoso tique-taque-tique-taque, voltando para terminar de devorá-lo (TEMPUS EDAX RERUM – o tempo tudo devora), mas nunca, nunca, nunca. Talvez só quem tem medo do tempo consiga respeitar e aproveitar os momentos que guardar para si e os momentos que puder ter com outrem. Mas os versos que seguem falam pouco disso. Apenas lembrei deles quando vi o relógio lá. Não faz muito que publiquei esse poema, mas vou transcrevê-lo e facilitar a vida de quem se interessar.

“relógio”

O medo que tenho
do som do relógio
não é pelo tempo
se ouvindo acabar

É a constância,
a regra.

A seta que
aponta
pra lá e
pra cá
mas volta pra si.

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