dos diários… culpado até que

A primeira vez que “fumei” maconha foi com 11 anos. Eu tinha volta a pé pra casa depois de passar o início de noite andando de skate com um colega de aula, aí liguei da casa dele pra minha, querendo dormir lá.

“Não, vem pra casa, agora!”

Tive que ir, né? A pé. Acho que o segurança do Anchieta, pelo qual passei no caminho, até me deu uma ficha de ônibus. Dali já ajudou um pouco. Caminhei mais. Há uma quadra de casa, roubaram meu moletom novinho! Fiquei tri chateado. Contei pra mãe.

Ela me cheirou e disse que eu tava fumando maconha.

Eu nunca tinha visto um baseado, mas pra ela, tava decidido ali que eu era maconheiro.

Nervoso por ter sido inquirido e pego de surpresa daquele jeito, tentei achar uma explicação, mas entenda, não pra me explicar, mas é meu lado nerd, querendo achar lógica naquilo: “Poderia ser do cheiro da cigarrilha do pai do Dimitri… ele andava pra lá e pra cá fumando umas cigarrilhas com sabor.” Ela me olhou desconfiada.
Eu tinha notas de médio-altas, tinha pedido pra estudar num colégio mais desafiador, pedia e consguia todo ano a bolsa de desconto pra não-endinheirados, e nunca tinha visto uma droga, mas não adianta. Era sempre tratado com desconfiança e o que falava era duvidoso. Era estranho. Era esquisito. Sorte que nem falava mesmo.

E foram vários casos assim que me fizeram perceber que, nessa família, acontecesse o que acontecesse, eu seria acusado de qualquer coisa, fizessse ou não fizesse. E ao invés de odiá-los por isso, decidi aceitar o lado positivo: pelo menos, com essa opinião não preciso me importar mais. Já tinha algo de errado comigo mesmo, dava pra ligar o foda-se.

E falando bem sério: uma vez um tio falou, super de boa, até pela minha saúde: “Pô, Paulinho. Até teus tios, alguns, tão conseguindo parar com o cigarro. Isso só faz mal. De todos os primos, tu viu que tu é o único que fuma?” Quase me engasguei rindo com boca fechada com fumaça dentro. Até porque seria meio ilógico ser o único fumante num grupo de 30 pessoas tão diferentes, né. Aliás, passam-se anos, e fui percebendo que é estatisticamente (e comprovadamente) impossível ser o único junky boêmio polígamo tabagista que já experimentou sexualidades diversas dentro de uma família com mais de 30 primos, né. Mas nessas horas o catolicismo e o proteccionismo do núcleo familiar e da família tradicional brasileira fala mais alto que o senso lógico e a capacidade de calcular.

E o grass do vizinho queima mais forte que sue vício em rivotril.

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