dos diários…

“Ih, chegou a cavalaria!”, exclamou meu parceiro-adversário enxadrista quando movi um de meus cavalos pela primeira vez naquela partida. Sentiu, naquele momento, que um ataque não previsto por ele se iniciaria, que eu deixava de ser um adversário fácil — não que ele tal me considerasse; não, isso é como eu próprio, tendo jogado seis ou sete vezes na vida (das quais fui derrotado sete ou oito) me definia. Prometi que colocaria meu rei cara a cara com o dele e o fiz E assim ficou: [Rei dele, B3; Rei meu, C3; Cavalo meu; D5]. Lancei um cheque mas parece que não passou, mas isso é normal, sou novato na coisa. Isso nem importa. Só queria desenhar aquele cavalo. Aí pensei na cavalaria chegando. E lembrei de quando veio a mais imbatível, ou parte significante, de cavalaria de, cavalaria de apoio de toda a história: Uma amiga que teve a ousadia de fazer um movimento inusitado e dizer o que somente a outra parte significante dessa cavalaria também teria coragem de dizer (pois que já fez algo semelhante ao me tirar de outra posição de cheque em que eu me embrenharia em tempos mais obscuros).

“Coiote, um dia tu vai ter que escolher entre a vida e a vida que tu tá levando.”

Segui sacrificando peões em troca demais umas carreiras ou goles, mas sempre sabendo que um dia…

Choose life, mate.

(29 de setembro de 2016)

Adendo:

Quanto ao outro momento citado, foi anos antes, quando eu frequentava, às vezes usando substâncias intravenosas por dias, o apartamento de um casal de amigos. Numa dessas terças-feiras em seqüência de uma longa série de erradas por aí (sabe como é, você começa usando drogas num evento de anime num sábado, segue no domingo, de manhã pula pruma casa, de repente tá num morro, na segunda entra num bar só pra se esconder de asssaltante, aceita o convite pra ceva, aceita as linhas que oferecem, aceita comprar mais uma, vai parar noutra casa e na terça, encontra nos últimos trocados o bastante pra tomar uma com a amiga de quem tem realmente saudades. E fala sobre o apê mágico em que tem praticamente vivido e fala de tudo que tem feito e ela te faz a pergunta:

“Mas diz uma coisa: tu tá feliz?”

E aí ce pra casa com aquela cara de tacho. Foram meses longe “da cena”.

(8 de outubro de 2016)

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