dos diários: um dia feliz

Pareceres de psicóloga e de psiquiatra anotados, os daquela, mentalmente, os daquele, rabiscados em formulários, a análise da comissão julgadora formada por não mais do que o objeto de estudo e a voz que o acompanhava em seus monólogos internos concluiu: o problema é na rebimboca da parafuseta do radiador de duas linhas paralelas que se cruzam no infinito gerando o encontro de duas vogais na mesma sílaba.

Tem sonhado com amigos de adolescência, e isso talvez seja um bom sinal. Foram seu amparo então e podem sê-lo agora, pois àquela época já começara a ideação suicida, junto a percepção do eu e a conclusão óbvia de que “eu sou um merda”. Retrucara-lhe convincentemente, e isso pode ter lhe garantido mais uns anos de vida, um desses amigos: “Como assim, Paulinho? Tu não é um merda, tu é tri afudê!”. Senão nessas palavras, noutras nem tão diferentes, mas cuja mensagem fosse a mesma.

Soma-se a isso o chocolate quente ofertado por uma amiga e os ventos de serenidade enviados por outra e você tem o dia ganho, mas o mundo insiste em dar mais um presente, então tu olha pela janela do ônibus: uma senhora em uma cadeira de rodas, deslizando velozmente com o auxílio do rapaz que a empurra, aposta corrida com uma criança ao seu lado, e todos riem durante a divertida competição.

Porto Alegre, a 2 de novembro de 2016

Anúncios
Esse post foi publicado em a vida em anexo e marcado , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s