cuti-diano

dos arquivos de um antigo blog

eram quatro da manhã quando DK Mosrite, pseudônimo genérico para personagens em contos de JP Flores, acordou em sua cama, sentindo-se insone. deitara-se pouco menos de cinco horas antes e agora não dormiria mais. invocando maldições mentalmente, foi até a cozinha preparar um café. preto, forte, sem açucar. já faziam dois anos que não usava drogas – exceto as lícitas – e pensava seriamente se não deveria reconsiderar. uma carreira de cocaína seria ideal agora, no seu primeiro dia de trabalho. mas contentou-se com o café – durante os quarenta minutos seguintes. então preparou o que chama de almoço matinal e tomou a primeira ritalina do dia.

Crystal vestia uma cueca samba-canção e a camiseta escrito buzzcocks que o namorado havia deixado em sua casa, no domingo anterior. sentou-se à beira da cama para organizar os pensamentos iniciais sobre o dia que seguiria. a gata, uma siamês de quase três anos de idade, roçou-lhe a perna delicadamente, alegrando Crystal que retribuiu o gesto massageando a nuca peluda do felino com o típico carinho de seu toque. levantou e dirigiu-se ao telefone, a fim de assegurar que seu namorado acordasse antes das seis e meia da manhã, como planejara.

-já tinha acordado, mas obrigado por lembrar, amor
-tu sabe que sempre lembro de ti… então, pronto pro serviço?
-mais pronto que toddynho. to louco pra terminar e te encontrar pra contar tudo, reclamando do chefe, dos colegas e até do trânsito
-ah, de repente tu até curte
-nha, quero ser o marido mal-humorado que bebe depois do serviço e chega em casa entorpecido demais pra conseguir levantar o pau
-faz isso e te dou uma surra
-só se for de pau mole
-e existe outro jeito?
-poisé… barra-mê burrão
-não se faz, tu é um gênio
-eu sei, tenho a melhor namorada do mundo
-e quem é a sortuda?
-ah, não te avisei não?!
-hehe, te amo
-também te amo, minha linda
-vou deixar tu ir trabalhar então
-aff, nem lembra. quando chegar em casa quero o jantar pronto e as crianças dormindo
-sim, senhor, senhor, sim
-senhor Sim, como a família do joguinho aquele?
-não, senhor Sim como quem sempre diz “sim” quando peço pra trazer uma vodca pra casa de noite
-bem lembrado, vou levar sim
-tô brincando, só compra se quiser
-e quando eu não quis?
-tu nasceu bêbado?
-não lembro…
-e se tu não lembra é porque não aconteceu, certo?
-certo
-estamos num dilema?
-pra caralho
-mas uma coisa é certa..
-também te amo
-hehe, beijos
-beijos

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