quando a revolução começou

quando a revolução começou, eu estava em meu quarto, lendo um livro do ken follet. não tinha televisão, por tanto demoraria até saber do que se passava, já que tudo se organizara em extremo sigilo. eu não fazia parte daquilo, sequer fazia parte dessa merreca de país onde por algum motivo o destino me condenou a nascer. a viver. e, presumo, a morrer. com ou sem homens fardados no poder, eu odiava essa espelunca, mas não desejava sair dela. lá fora a espelunca muda de nome, costumes, bandeira, mas o odor é o mesmo. por isso, quando a notícia veio a mim, nada me ocorreu senão voltar para aquele pequeno apartamento no sul da capital e continuar folheando qualquer amontoado de páginas que pudessem me entreter. e assim descobri-me em um mundo cheio de histórias, divagações, aventuras, dramas, dissertações logísticas e inquisitvas sobre o que há e o que não há, indiferente à pilha de corpos amontoada ao longo das extensões de terra que circundavam meu bairro, minha cidade, e terminavam nas encostas daquela pequena ilha. meu nome não foi e nem será explicitado nos anais da história, deste ou de qualquer outro país. acomode-se em sua espelunca, cuspa o amontoado de saliva amarelada no cinzeiro, e em meio à masturbação leve à boca algumas vezes o copo de vodka para os devidos goles.

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