ele se foi (2003)

ele se foi. quase sem aviso, se foi. muitos jamais entenderiam o porquê, enquanto para outros não podia ser mais óbvio. aquele garoto fraco e mal-cuidado, mas ainda e boa aparência, simplesmente fez o que lhe cabia.
não havia um dia que passasse durante o qual ele não pensasse, mesmo que vagamente, em sua própria morte. eram os poucos momentos de solidão, desprovidos da companhia de amigos ou memórias agradáveis. e pensando no mal que fazia aos outros, queria estar longe. a lógica? sua companhia fazia-lhes mal, e lógica sobre lógica, sua morte apagaria a angústia dos convivas.
mas ora, a perda fatal de um amigo lhes doeria cruelmente! e ele não era estúpido o suficiente para ignorar isso. não queria morrer, não podia ficar. não podia morrer. assim, se foi.
à custa de poucos mas eficientes preparos, algumas cartadas dotadas das mais simples descrições sobre sua decisão, rumou a terras a ele pouco conhecidas. e mesmo chorando a saudade dos amigos, sentia estar fazendo o que devia. voltaria quando lhe parecesse conveniente, quando sentisse que sua presença não significaria dor.

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