dos diários da clínica: lembranças de um rolê

Por mais lembranças positivas que tenha tido recentemente, foram os momentos que tive ao lado de T., pouco depois de nos despedirmos da companhia da sempre adorável F. “Positiva”, é claro, está longe de dizer, com precisão, o que senti. Eu queria dizer regozijante, mas pensariam ser exagero — não seria. Depois que se desfez o trio, até então embriagando-se e discutindo trabalho e situação de moradia para quem não tem ou tem a sua em constante risco de desocupação, foi T. quem fez o melhor convite que recebi em meses:

–Vamos à Lancheria do Parque comer uma torrada e tomar um suco de laranja com manga?

Sorri de orelha a orelha e de orelha a corações e de volta às orelhas, porque éramos, um, os dois, naquele instante.
E eu sorria com um encano que nem a droga (minha, ela jamais usaria) de horas antes me fizera sentir enquanto ficava vendo ela comer e tomava o meu copo de suco frente à frente ao dela durante o nosso tête-a-tête balbuciado pelo sono dela. Pouco depois, ao sair do banheiro, abracei esse, em puro afago, por seus ombros e cabelo.

Dali seguimos caminhando até uma praça íngreme daquele bairro, praça de que finalmente pude desfrutar com alguém a meu colo. Cobri a amiga com minha jaqueta, que já dormia ali mesmo, no frio do banco e sob ocasionais rajadas de chuva fina, até a hora de levá-la a minha casa para que dormisse confortavelmente.

Dormi no sofá da sala e levantei pouco depois para preparar as torradas e café que lhe prometera horas antes.

São por esses momentos que me apaixono. Pelo carinho com que lembro deles. Pelo carinho que senti e sinto por ela.

Sentado em meu catre nessa instituição é a ela que queria estar abraçado. É o sorriso dela que quero ver se abrindo quando encontramos nossos rostos ou quando apertei seu corpo naquela manhã fria, como na manhã em que acompanhei F. até seu apartamento, no mesmo bairro daquela praça, para conhecer a nova morada, visitar gatos, fumar nossos cigarros e trocarmos parlos sem medos nem tragos.

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