diários da clínica: último dia

Hoje é meu último dia de confinamento. Não por acaso, bom, na verdade, foi totalmente por acaso, fomos visitados por um lagarto. Belíssimo, imponente em sua pose, aplicável somente pela nobreza de dinodescendenes da mais alta estirpe. Corremos para o pátio. Alguns pareciam ameaçadores ao nosso visitante reptílio, mas os defensores do bem estar dele eram maioria e poucas vezes me preocupei. Se alguém se aproximava, os encarregados da clínica mandavam se afastar do animal e deixá-lo repousar em paz ao sol.

Observação importante: o desenho nada tem a ver com isso. O colega que emprestou a caneta pediu, como retorno-de-favor, que lhe desenhasse um cocô. Como o pequeno príncipe, sabe? Desenha-me uma bosta. E por acaso, aconteceu deste meu pequeno príncipe, seja o adulto de 46 anos ou a criança que vive dentro dele, ainda disse: Essa merda tem muita mosca em volta. Desenha-me outra merda. E uma vez feito um pedido ou uma pergunta, o pequeno príncipe nunca voltava atrás.

O lagarto voltou para o mato que circunca os prédios do perímetro da clínica, creio: desceu por uma escada, entrou pelo vão de uma grade de escorrimento, e, sob essa grade, vi a entrada de um cano que parecia ir em direção ao matagal. O sol se ia e não tinha muito pra ele faz ali fora sentir-se acuado.

Aqui dentro de minha unidade, aguardo o nascer do sol. Também me vou. Noutra direção.

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