turistas da miséria

“O Buk, o Keruak, e quase todos os seus amigos eram aqueles burgueses que achavam a miséria interessante, mas não mudavam nada pros miseráveis ou mesmo pra eles mesmos.
Meu respeito por eles acabou quando percebi que eram consumidores da miséria, turistas (no pior sentido) da miséria. Não tenho paciência pra gente sem compaixão.”

Peter S. Krause

Admito que tenho uma predileção por Buk justamente por ele ter percebido logo de cara o quão cretino Jack era ao conhecê-lo numa festa, e desprezá-lo mais ainda pelo que fez com Neal, sugando tudo que podia do rapaz (não que o mesmo fosse perfeito ou algo assim) e depois abandonando-o pra morrer de frio numa ferrovia.

Por mais que goste ou tenha gostado de alguns textos dele ou de outros a ele associados, devida ou indevidamente, não tem como não pensar que a definição “turistas da miséria” se aplica perfeitamente a quem os leva a sério (“Gostar de Bukowski com mais de 25 anos até é aceitável. Levar a sério, contudo, traz sérios questionamentos às faculdades mentais.” Felipe Faraco), a quem os considera como grandes. Kerouac sempre vai ser o pleiboi viajando os E.U.A. com o dinheiro e a educação que sua situação privilegiada lhe concedeu, e não há nada de errado com isso, mas há algo de errado com quem o eleva à posição de herói por isso. Heróis são os que tiveram que aguentar esse pirralho mimado no trajeto, se há heróis.

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