fila de banco

Um senhor arfa, deliberando a intensa
sonoridade.
A moça que carrega uma bolsa olha pra trás,
nota-o e volta a cabeça à posição anterior.
O rapaz prende uma pilha de papéis entre
os dedos de uma mão e bate-a ritmicamente
contra a outra.

O funcionário conta.
O povo, muito pouco.

Eu já li um capítulo, já balancei as pernas
tanto quanto podia sem parecer um
criminoso estudando o ambiente para um
futuro roubo – o medo de causar essa
impressão creio que carrego desde a
primeira vez em que entrei em uma dessas
salas. Já mexi o quanto pude os dedos, estalei
o pescoço, chequei a papelada duas vezes.

Estou sem ação.
O povo, nem tanto.

O funcionário me atende, digita algum
código, entrega o papel ao leitor eletrônico e
o devolve a mim, destacado um pedaço, com
outra folha, recém impressa.

A fila cresce e seus integrantes avançam em
um curral de paredes invisíveis.

O povo, espero que não.

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Uma resposta para fila de banco

  1. Engraçado, achei que só eu tinha esse receio de não parecer uma criminosa em potencial na fila do banco…🙄Legal saber que não estamos sós neste mundão de meu Deus… 😉 Abraço!

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