desenhos animados

Esse conto é parte de meu primeiro livro, “A Vida em Anexo”. Para adquirir um exemplar, Me procure pelo facebook (João Paulo Coiote Flores) e mande uma mensagem combinando um encontro em Porto Alegre se quiser receber o livro diretamente de mim. A outra opção, pra Porto Alegre ou qualquer outra cidade do Brasil, é fazer um depósito e depois me mandar um email (ou avisar por facebook) confirmando o depósito/transferência (além de bancos e internet, pode ser feito em qualquer lotérica) e o endereço para o qual o livro deve ser enviado. Os custos com correio são por minha conta.

Caixa Econômica Federal
Agência: 429
Conta Poupança: 12875-3
Valor: 25 reais
Nome: João Paulo de Abreu Flores
CPF: 676.595.600-00

“desenhos animados”

Ela chegou em casa cansada, ainda irritada por causa da chuva, e jogou a mochila e o chaveiro em cima do sofá da sala. Foi para o banheiro pensando em tomar banho, mas optou por uma mão-cheia-d`água contra seu rosto e foi até a cozinha servir a si uma dose de uísque. Pensava em ligar para o namorado, mas aquele ‘monte de tralha assentimental’ deveria estar na rua ainda, com a ponta do moletom encharcada de solvente presa entre os dedos protegendo-lhe do frio — e da fome. Despedira-se dele menos de uma hora antes de chegar ao apartamento, e agora ainda não sentia sua falta. Realmente, o uísque seria melhor companhia. Tomou três comprimidos de Diazepan e sentou-se em frente à televisão para se ocupar assistindo qualquer desenho animado que fosse exibido até que dormisse.

Ele caminhava com uma garrafa de vinho tentando lembrar onde deixara a namorada. Não conseguia lembrar se ela fôra embora ou ainda estaria esperando por ele no parque. Não conseguia lembrar sequer quantos e quais eram os amigos ao seu lado, e sequer percebera quando passou o vinho para a mão de alguém. Só sabia que precisava banhar o moletom em qualquer solvente que lhe fizesse esquecer ainda mais o momento, pois a mente em branco significava-lhe paz. Tirou um cigarro do bolso, lembrou da namorada indo em direção à parada de ônibus, e pegou novamente a garrafa de vinho. Não conseguindo dormir, serviu outra dose de uísque e acendeu um cigarro, agora desejando que seu namorado chegasse logo. Talvez elenem sequer fosse para a casa dela, afinal, não
costumavam passar a noite de domingo juntos. Não depois de beberem tanto, pelo menos. Ofereceu um gole de vinho para o amigo ao seu lado e disse-lhe que tinha que ir embora. “Não, não vou deixar a garrafa.”. Distribuiu cigarros para os três pedintes e foi até a parada de ônibus. Sentia falta da namorada.

Kikujiro Fukushima - Young couple sniffing glue, c. 1970.

Kikujiro Fukushima – Young couple sniffing glue, c. 1970.

Ouviu a campainha e ficou imaginando se era sua vizinha reclamando do barulho da ‘tevê’ ou o namorado. Olhou para o aparelho, e estava desligado. Provavelmente era o namorado. Abriu a porta e lá estava ele: aparência cansada, calças molhadas e uma garrafa de vinho metade-cheia-metade-vazia na mão. Sorriu e pôs seus lábios
contra os dele.

Sentaram-se em frente à tevê com as pontas do moletom dele encharcadas presas entre suas mãos, dois copos de uísque e uma garrafa de vinho sobre a pequena mesa à frente e assistiram desenhos animados até dormirem.

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