a vida é certa

a única certeza na vida é a morte, dizem. mas há outras, eu garanto. a começar, obviamente, pelo nascimento. taí uma merda que não conseguimos evitar, não, não nós. a morte a gente pode evitar, meio que adiando, postergando. a gente dá dois passos corridos quando vê que aquele carro vem mais rápido do que parecia antes de atravessarmos a rua, ou dizemos praquela outra pessoa ir primeiro no bungee-jump, já que ela gosta tanto. enfim, evitamos algumas chances de morrer. claro que não dá pra ficar empurrando com a barriga pra sempre, mas pelo menos pro resto da vida, garanto que dá. não é como ir ao centro fazer carteira de identidade ou pagar uma conta no banco, isso um dia enche o saco e a gente acaba indo, muito provavelmente à menos de um terço do desfecho das atividades coronárias. então, tão aí três certezas da vida: o nascimento, a morte, e as encheções de saco. sem querer parecer um velho reclamão, longe disso, sou um reclamão bastante jovem. nunca reclamei da minha idade, mas reclamo da juventude em geral. até esqueço fazer parte dela, ou talvez minha arrogância me faça pensar que não sou, que, de algum jeito, consegui me desvencilhar dessa rotulação cronológica e sou só uma pessoa normal de determinada idade e mentalidade que tem todo o direito de reclamar deles, os jovens. pretensiosos e arrogantes. eu, não. a pretensão é a ambição ultrapassando a capacidade, e não me permito isso. permito-me apenas criticar, como também critico a mim mesmo, mas quietinho, assim, quase sussurrando, e mesmo assim só aos meus ouvidos. cuidando bem para que não haja alguém de vigília do outro lado da porta, esses oportunistas estão sempre por perto tentando descobrir de nossas próprias bocas nossos defeitos. sorte minha ser mais esperto e ter desenvolvido um senso paranóico desde a infância. já passei de toda aquela fase de conspiração mundial contra mim, mas um pouco de desconfiança é sempre benvinda. há quem diga ter se mantido vivo pela paranóia. pois bem, estou vivo e sou paranóico, então não posso negar o clichê. me apresente um paranóico morto e vou ter motivo o suficiente para desconfiar de que ele tenha sido demais crédulo.

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