emonólogo em um ato

ATO I

-o amor é a peste e fui contaminado! o Mal me tomou – vivo na peste e nela morrerei. sou um enfermo, veja bem, e não há uma cura! buscava antes em minúcias distrações para as dores da paixão; fugia do desejo para as diversões mundanas e das lágrimas eu me salvava pelos sorrisos circenses. mas eram os sintomas que evitava, não a doença! agora, é tarde e perecerei.

-ah! pois eis que encontro-me em saúde novamente, em um quarto de mentiras decorado com o doce papel-de-parede da ilusão! o tom é convidativo e sinto o cheiro apaziguador do gás que chamam esquecimento.

-acordo, e a tosse arranca a garganta como nunca. sinto meu peito contraído e culpo o ar, culpo os pulmões, culpo o mundo para não admitir-me por definitivo doente! não fraquejarei novamente, não posso. não há de ser a pior das enfermidades, mas apenas um inconveniente temporário… e eis que…

-deuses permitam-me um lugar ao céu agora, ou uma temporada no inferno, que seja, pois não agüento mais as torturas a que me submetem em vida! meu coração incha-se e esvazia-se diariamente, e temo também por minha sanidade. ah! de que importa a mente se minh’alma já deseja o próprio fim?

cai de joelhos. estende os braços. simula um harakiri. chora. deixa-se cair para trás.

-que assim seja. se recusam a levar-me, morro ainda em vida

permanece deitado por duas horas. as cortinas fecham.

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