what became of the likely lads?*

* título de >uma música do Libertines.

publica originalmente em 30 de maio de 2008

    Será que está frio o suficiente para um conto de inverno? Como aquele em que a garota está em casa tomando uísque enquanto espera pelo namorado, que está na rua cheirando solvente e tomando vinho?

    O sentimentalismo tantas vezes inato aos usuários de drogas tem sido negligenciado em meus textos, bem como a própria temática de entorpecentes como objeto do texto. Sinto saudade daqueles personagens, às vezes tão reais para mim quanto as pessoas que conheci pelas ruas e bares dessa cidade que outrora tanto me agradou.

    As mudanças nos ambientes e nas pessoas que o influenciam e são influenciadas por ele não deveriam interferir tão fortemente na ficção; essa pode mudar ou dispensar sua índole à vontade do autor. Teriam então meus ímpetos criativos mudado? Creio que não, mas quando a geratividade criativa interna não corresponde às nossas expectativas é preciso buscar inspiração externa, e, como foi sugerido, o ambiente mudou.

    Não há mais romance nas relações humanas, não vejo nos olhos das pessoas o amor incondicional aos amigos e amantes. Tudo se tornou banal. São encontros corriqueiros, namoros por conveniência, junções dependentes organizadas, limitadas. As juras soam falsas, quando existem; a cerveja é o happy hour, a vodca é reservada para ocasiões especiais – noutros tempos, todas as noites eram especiais. No inverno que se aproxima, um casaco de pele grosso com bolsos internos para guardar os cigarros é muito mais atraente que o abraço de um amigo e um convite para dividir o custo de um conhaque.

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4 respostas para what became of the likely lads?*

  1. c. dubreau disse:

    será que piora tanto a ficção a influencia do meio? será que é possível mesmo se afastar do contexto em que estamos inseridos, nos concetrando na essencia interna? eu diria que é quase impossível, e até felizmente (ou não) é assim. mudanças tão ai pra melhor ou pior, né. mas também não chego a concordar com o determinismo. acredito numa interação entre o meio interno e externo. essa nem sempre feliz, claro. hehe
    e falando em banalidades, fico por aqui com uma citação da minha aula de literatura brasileira: “hoje em dia perdeu-se o conceito de romantismo. tudo que se vê com afastamento toma a forma romântica, assim como a infância.”

  2. Biel Souza disse:

    Fantástico!!!! Simplesmente fantástico este post. Me imaginei total neste teu causo.
    É que o problema maior disso tudo é a internet, pois todos se afastaram, não é mais como antigamente mesmo. Como a gente era feliz e não sabia. ehehehehehehe… mas concordo com tudo que tu diz ae mesmo…

  3. grazi disse:

    ei, que porra de c. dubreau! foi meu o comentário! ¬¬

  4. Djegovsky disse:

    Pô, coiote, acho que tu anda lendo muito Martha Medeiros ultimamente…rrsr

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