a vida interrompida de J.K. Rowling

Ah, eu não consigo não ter um pouco de dó ao tentar imaginar a vida de J.K. Rowling. Concentrada em um livro à noite, depois do jantar. A iluminação é impecável: ela escolheu acender a luz do corredor, apagar a luz que incide diretamente sobre s poltrona de leitura e acendeu também a lâmpada de um abajur pra incidir sobre o livro pela direita enquanto a primeira escolhida vem pela esquerda, dando a claridade ideal para seus olhos abertos há 47 anos. Ela abre o Myths & Gods & Myths & Godesses no capítulo sobre Éoster e sua relação com divindades modernas da televisão e da tecnologia e retoma a leitura interrompida à tarde pela chegada de um repórter. E quando finalmente retorna ao foco necessário para compreensão do texto, toca o telefone: mais um organizador de cons e blogueiro e videologger com uma teoria estapafúrdia sobre Harry Potter querendo confirmação para a mesma ou pelo menos insights da autora para que crie novas quiça mais plausíveis e vendáveis teorias sobre a série de livros de sucesso e filmes geradores de bilheterias bilionárias.

Ela poderia dizer “Affe”, mas não: ela até sorri, mesmo sem a obrigação de uma conversa ao vivo, e seu olho mostra o pequeno brilho. Condescentemente, ela cede algumas informações e até agradece a ligação e a importância que dão à obra que foi pra ela igualmente importante. Assim é Rowling: uma pessoa paciente como devem ser os sábios-guia.

E não é só durante suas leituras que ela é interrompida: é na rua, no café, no jantar com familiares. Fazer o quê? Isso vem com a fama, dizem.

E por isso mesmo não se incomoda tanto, embora vire um pouco os olhos, quando alguém liga às 5:33 da manhã, não um repórter, mas um fã obstindo o bastante pra descobrir o telefone pessoal da autora e produtora. A paciência já não é a mesma, claro, mas ainda assim ela não levanta a voz. Não. Outra vez, ela opta pela conversa condescendente e calma, e revela, à guisa de agradabilidade e improvisação, qualquer coisa que possa parecer revleador para seu ouvinte ou sua ouvinte.

J.K. Rowling revela que existem dois Harry Potter (em inglês, no Independent)

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