sobre o amor

por Jonas Brandalise

Amar é bom.
É uma experiência maravilhosa.
O amor, em sua experiência mais profunda, é como se fosse incondicional.
Mas se é incondicional, sob certo aspecto, ele perde de sua força assim que o depositamos em algum rótulo. Amar algo, amar alguém, amar alguma experiência. Existe uma experiência inominável e radiosa. Amar. Um fluxo indefinível.
Mas aí começamos a fatiar.
Amo porque é meu pai. Amo porque é minha mãe. Amo porque é família. Amo porque é meu companheiro. Amo porque me faz bem.
Em pouco tempo, começamos a desmembrar uma linda experiência em receptáculos cada vez menores. E agora estamos presos a uma ideia. E essa ideia pode sofrer influências sociais, culturais. “isso é amor”, “amar é”, “celebre o amor desta forma”. Perceba, essa ideia agora pode ser mercantilizada. Criamos dias. Dia de amar. Podemos, sob certa faceta, “comprar o amor”. Mas não… Compramos, na melhor das hipóteses, um gatilho que irá nos lembrar. Ou não. Há mais de 7 bilhões de percepções diferente sobre “amor”. Mas como precisamos de corroboração na “realidade consensual”, adotamos determinadas condutas. Tipo presentes de amor. Hahaha. E isso é ótimo, se nos permitirmos realmente dominar pelo fluxo do amor! Se funcionar, ótimo!

Porque amar é bom, adotamos a ideia de que o amor é algo que podemos invocar a partir da retórica, através de um ritual, ou através de quaisquer outras ações específicas. Fazemos isso com outros aspecto, então, por que não com o amor? Enquanto ainda fresco nos nossos corações, o amor pode ser revivido e isso é maravilhoso. Enquanto é uma lembrança fresca, você entende e consegue resgatar.

Contudo, como tudo que surge no campo da percepção dual, o amor “descritivo” desaparece. Morre. Não porque o
amor em si morreu, mas aquela faceta, aquele pequeno projeto pálido de amor, extinguiu-se.
E deixa no lugar uma ausência. Um “não amor”. Como cada um experimenta isso, é incerto. Se o amor deu sentido a muita coisa enquanto esteve presente, quando começa a desaparecer leva embora estes sentidos, se deixarmos.
Qual o sentido, agora, de manter uma relação sem amor? Qual o sentido, agora, de viver uma experiência sem o mesmo amor? Qual o sentido de ser ver uma família que não se ama?
O amor, infelizmente, não é algo que possamos manipular a nosso bel prazer. O que manipulamos é um simulacro de amor. Uma paródia. Porque ele é condicional, nascendo em determinadas condições, ele morre. Ele segue o ciclo de todas as coisas criadas pela nossa mente condicionada. E, deste “ignorar” fundamental, surge o sofrimento.

Permita-se amar sem apego.
Permita-se, se necessário, desaprender a amar.
Não podemos domesticar algo que é maior que o entendimento.

Anúncios
Esse post foi publicado em mundo real e marcado , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s