conta com alguém…

Uma pessoa maravilhosa disse uma vez: eu conheci pessoas com pensamentos obsessivos sobre morte e eu posso assegurar que é perfeitamente natural e que vocês não estão sozinhos nessa. sintam-se abraçados (e sempre que quiserem, podem vir falar comigo). quando o sofrimento fica além da conta e tudo parece horrível e catastrófico é importante lembrar do quão ínfimos somos perante a natureza e que, portanto, a nossa dor não é determinante do quão horrível e inabitável é o mundo. e o mundo não é horrível e inabitável, embora às vezes pareça. olhe ao seu redor e perceba que existem pessoas que te amam. e, se não houver, às vezes é necessário encontrar esse amor dentro de si mesmo. portanto nunca tenham medo de pedir ajuda, vocês não estão estorvando ninguém. quem se dispõe a ajudar está fazendo um favor a si mesmo, a bem da verdade.

E não tenha medo mesmo de pedir ajuda. Meu telefone é +5551 98271 8086. Se não eu, outra pessoa certamente vai estar disposta e QUERER te ajudar. Saiba disso, por favor.

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cicatrizes, narrativa em várias vozes, em construção

parte I: carro

Eram quatro garotos de 13 anos, não mais do que isso, e digo que não menos. Idade fácil de distinguir: todos lembramos de nossos colegas e amigos de rua dessa idade. Estavam bebendo o que pensei ser cachaça, mas de certo era refri, afinal, eram pré-adolescentes e não pareciam do tipo avançado nesse sentido. É, acho que era apenas refrigerante. O lance é´que eu sabia que meu freio estava desregulado e já o havia testado, com falha, em alguma ocasião. Sim, eu deveria ter dado jeito nisso, mas esperava a próxima revisão do carro. E claro que regulações a respeito de revisão servem justamente pra isso, mas eu já tinha o hábito de revisar o carro regularmente, ou quase regularmente: tirava férias todo verão, ou ao menos parte de minhas férias sempre no verão, justamente pra uma estadia na praia. Bem, não revisara o carro naquele último verão porque, excepcionalmente, não tive sequer férias parciais, e, claro, consequentemente não fiz a revisão quase regular do carro, e o assunto dos freios ficou postergado. Os garotos não deviam estar a mais de 20 metros à frente do veículo, de fato, acho que pouco mais de 10 metros. Acho que lembrei do freio não funcionando, ao menos não tenho qualquer memória de ter tentado o pedal, e se tivesse tentado, talvez não sobrasse tempo para a alternativa. O que fiz foi um giro à esquerda, mas um giro brusco, violento até, embora tenha cuidado para virar apenas o suficiente pra mudar a direção do carro. Uma curva maior teria jogado-o de lado à frente, provavelmente, então apenas cuidei para que não seguisse reto, na direção dos garotos. Nem vi se outro carro vinha pela pista à minha esquerda, e acho que é muita sorte que não, porque uma batida ali poderia ter sido desastrosa. O carro seguiu na direção que tomei e não bateu de frente, entrando de lado na parede do prédio, força o suficiente apenas pra destroçar a lataria frontal-esquerda e impulsionar meu corpo para a frente, daí o vidro quebrado e os cortes na testa e ao lado do olho.

parte II: fórceps

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João Paulo

ser adulto é ter os medos da infancia
mas ter q segurar a barra pelos menores, ou algo assim?
e pelos outros adultos?

Stéfano Deves

ser adulto é ser uma criança fingindo que sabe o que está fazendo.

João Paulo

“as crianças é que sabem”, diz o adulto meio falso sorrindo no churrasco de família, aniquilando tudo que pensa sobre si

é phoda.. banho de chuva rlz

Stéfano Deves

diz o adulto repetindo um clichê absolutamente verdadeiro, mas que ele não entende de verdade

PS: banho de chuva sempre entendi, do meu jeito

mas nao, nao entendia do que tu falava. e não peço desculpas por isso.

o melhor da comunicação é buscar ela.

e errar pra caralho errar demais errar exponencialmente.

como amei ter lido esse texto e lembrado dele agora como um conselho pra ir me molhar e ser feliz..

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mais animação: “a mosca”, de ferenc rofusz

Animação húngara vencedora do Oscar de Melhor Curta de Animação em 1980.

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luneta

o quão longe você quer enxergar?

longe o bastante pra descobrir o que se esconde nos corações humanos?

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a vida interrompida de J.K. Rowling

Ah, eu não consigo não ter um pouco de dó ao tentar imaginar a vida de J.K. Rowling. Concentrada em um livro à noite, depois do jantar. A iluminação é impecável: ela escolheu acender a luz do corredor, apagar a luz que incide diretamente sobre s poltrona de leitura e acendeu também a lâmpada de um abajur pra incidir sobre o livro pela direita enquanto a primeira escolhida vem pela esquerda, dando a claridade ideal para seus olhos abertos há 47 anos. Ela abre o Myths & Gods & Myths & Godesses no capítulo sobre Éoster e sua relação com divindades modernas da televisão e da tecnologia e retoma a leitura interrompida à tarde pela chegada de um repórter. E quando finalmente retorna ao foco necessário para compreensão do texto, toca o telefone: mais um organizador de cons e blogueiro e videologger com uma teoria estapafúrdia sobre Harry Potter querendo confirmação para a mesma ou pelo menos insights da autora para que crie novas quiça mais plausíveis e vendáveis teorias sobre a série de livros de sucesso e filmes geradores de bilheterias bilionárias.

Ela poderia dizer “Affe”, mas não: ela até sorri, mesmo sem a obrigação de uma conversa ao vivo, e seu olho mostra o pequeno brilho. Condescentemente, ela cede algumas informações e até agradece a ligação e a importância que dão à obra que foi pra ela igualmente importante. Assim é Rowling: uma pessoa paciente como devem ser os sábios-guia.

E não é só durante suas leituras que ela é interrompida: é na rua, no café, no jantar com familiares. Fazer o quê? Isso vem com a fama, dizem.

E por isso mesmo não se incomoda tanto, embora vire um pouco os olhos, quando alguém liga às 5:33 da manhã, não um repórter, mas um fã obstindo o bastante pra descobrir o telefone pessoal da autora e produtora. A paciência já não é a mesma, claro, mas ainda assim ela não levanta a voz. Não. Outra vez, ela opta pela conversa condescendente e calma, e revela, à guisa de agradabilidade e improvisação, qualquer coisa que possa parecer revleador para seu ouvinte ou sua ouvinte.

J.K. Rowling revela que existem dois Harry Potter (em inglês, no Independent)

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tropicana ou panis no sistema, por kim kircher

Uma das primeiras músicas gravadas pelo Kim, daqui de Porto.

soundcloud.com/kim-kircher-428775630/tropicana-ou-panis-no-sistema

Tem aquela irresistível pegada sertaneira e uma leveza que acho que combina com essa noite de domingo. O baixo presentíssimo chamando pra alguma coisa que não sei o que é, como chama a lua lá fora ou aquela voz fundo na consciência.

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