what became of the likely lads?*

* título de >uma música do Libertines.

publica originalmente em 30 de maio de 2008

    Será que está frio o suficiente para um conto de inverno? Como aquele em que a garota está em casa tomando uísque enquanto espera pelo namorado, que está na rua cheirando solvente e tomando vinho?

    O sentimentalismo tantas vezes inato aos usuários de drogas tem sido negligenciado em meus textos, bem como a própria temática de entorpecentes como objeto do texto. Sinto saudade daqueles personagens, às vezes tão reais para mim quanto as pessoas que conheci pelas ruas e bares dessa cidade que outrora tanto me agradou.

    As mudanças nos ambientes e nas pessoas que o influenciam e são influenciadas por ele não deveriam interferir tão fortemente na ficção; essa pode mudar ou dispensar sua índole à vontade do autor. Teriam então meus ímpetos criativos mudado? Creio que não, mas quando a geratividade criativa interna não corresponde às nossas expectativas é preciso buscar inspiração externa, e, como foi sugerido, o ambiente mudou.

    Não há mais romance nas relações humanas, não vejo nos olhos das pessoas o amor incondicional aos amigos e amantes. Tudo se tornou banal. São encontros corriqueiros, namoros por conveniência, junções dependentes organizadas, limitadas. As juras soam falsas, quando existem; a cerveja é o happy hour, a vodca é reservada para ocasiões especiais – noutros tempos, todas as noites eram especiais. No inverno que se aproxima, um casaco de pele grosso com bolsos internos para guardar os cigarros é muito mais atraente que o abraço de um amigo e um convite para dividir o custo de um conhaque.

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fuck this and fuck that

Obrigado, Creature from the Black Lagoon, por colocar em gestos tudo aquilo que fica guardado aqui dentro enquanto a gente se esforça pra manter o mínimo que seja de aparente potencial pra socialização.

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relato de sonho: trilha com téfo

Que sonho, cara! Tu me levava por essa trilha… Bom, não sei nem por onde começar, mas tinha mato por todo. Eu cheguei até uma das muitas encruzilhadas da trilha numa Kombi, e acho que nos encontramos nessa e seguimos caminho, Lembro dos apoios frágeis de madeira e de abandonar a trilha ali, cercados de água, e seguirmos a pé por esse caminho de madeira onde mal cabíamos de pé. Éramos nós e mais um casal, que desapareceu do sonho depois da Casa

A casa era uma bela casa de madeira, no meio daquele matagal, numa parte mais alta. Entramos nela e saímos por um fundo, meio tipo um deck, no qual demos a volta pela casa e chegamos a algo que era como uma praia. A amiga que estivera comigo na Kombi foi correndo se molhar. Eu ainda botei os tenis antes de seguir pra onde a água ‘quebrava’ ali perto da casa, não sei por quê.

E estávamos dentro da casa de novo, nos preparando pra seguir caminho, e aí éramos só nós dois. Tu me mostrou uma caixa, cheia de chocolates importados, bonitos em suas embalagens. E disse que o cara que te deu apontou praquelas duas paçocas no meio dos chocolates e disse que éramos ela. Joguei a minha ali no meio mas também comi uma. Tudo bem, porque agora, acordado, lembro que tu falou de uma alergia a amendoim uma vez.

E saímos da casa. Tinha uma televisão que dava pra fora da casa, eu desliguei. E tinha um gato ali, mas tinha ainda mais uma porta antes de seguirmos de volta pro exterior, pro mato, então me despreocupei com o gato. Saímos portafora, eu verifiquei se tinha comigo minhas chaves, e pensei em deixá-las na casa, mas sabia que a casa poderia estar perdida na nossa volta, que nós nos perderíamos no caminho, mas que o chaveiro podia ser útil, dependendo do que acontecesse.

E nós fumos, saindo pela mesma parte de onde entramos na casa, tu fazendo a cara de ‘putz’, e a gente dando uma voltinha a mais pra seguir do ponto da trilha para onde ainda não tínhamos ido.

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que bagunça, cara…

Quase quatro meses e não consigo traduzir um texto sobre saúde masculina sem desatar a chorar…

Mas isso é saudade, não? E como é bom te amar, cara. Como é bom te amar pra sempre.

Encolhido num sofá e chorando e gritando abafado pra ninguém ouvir:

Me tirem daqui, me tirem daqui…

Mas levanto, quero fumar.

Cadê meu cinzeiro? Lá fora. Limpo, às pressas.

De volta pra dentro, às pressas.

A passada rápida que lembra de ti

E sorrio bobo, como tu me sorri

Lembro de tu limpando a casa, às pressas

Me xingando — “Que bagunça!”

Sentando, com calma.

E fumando comigo.

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resenha stilstkin inside (1998)

alternativo é isso: bandas que tu conhece em lojinhas de 1,99 de capão da canoa em 1998 procurando coisas idiotas pra costurar nas calças, livro de poema pra dar pra namors, e revistas-cifras pra aprender violão sozinho.

mas esse não é o melhor single deles, acho.

m. walking on the water, que conheci na mesma leva, me pareceu mais interessante, mas só porque tinha uma música chamada beauty and the beast.

ps: if you keep sei lá do que inside é bom de ouvir quando tu tem 15 anos. mas dum cara com voz de creed é meio patético. ainda mais quando tem acesso a um amplificador tremendão desses.

bem, eu meio que odeio audi

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velado

quando acordou e abriu os olhos, havia apenas a escuridão. ‘estou cego’, pensou. fechou e abriu de novo, mesmo resultado. tentou se mover, mas travava a centímetros do corpo. ‘meudeus, fui enterrado vivo’. aí lembrou de ter ouvido algum tipo de estrondo, sentido uma coceira estranha na parte de trás do crânio e até o que parecia ser uma choradeira seguida de piadas desconcertantes seguidas de um sorriso de simpátia (dá pra ouvir sim, porque a pessoa faz um clic com o canto da boca pra esclarecer que foi humor de consolo).

tudo isso porque figurante como segurança de bandido em filme de vingança também merece enterro.

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astrossilogística

‘sabe, voces aquarianos são muito confusos mesmo.’
‘ah não! pra piorar, tu acredita em astrologia?!’
‘ah não, agora até isso tu odeia?’
‘achei que tu pudesse prever isso, já que sou aquariano e tudo mais.’
‘mas vocês são confusos, esqueceu?’
‘ah, é esqueci.
‘ah, o confuso esqueceu! prova cabalística, ganhei.’
‘putamerda, a gente tava competindo?’
‘na verdade a gente começou flertando.’
‘e como chegamos a isso, ein?’
‘ai, desculpa, é que eu sou geminiana e…’
‘tá, chega disso.’

virou pra outra bartender, explicou sua dúvida em relação a um dos drinques da casa e, depois de esclarecido, fez o pedido e ainda foi generoso na gorjeta. ah, esses aquarianos; confusos E vingativos.

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